A tabela de goleadores da Liga NOS 2015/16 está bem definida quanto ao líder. Não é impossível para Islam Slimani (22) apanhar Jonas (30) no primeiro lugar, mas a diferença de oito golos torna a tarefa complicada. Porém, este artigo não é sobre os nomes do costume. Todos falam dos goleadores dos três grandes, mas poucos prestam atenção àqueles que, em circunstâncias bem mais difíceis – leia-se, em equipas com caudais ofensivos bem mais parcos –, fazem do golo a sua imagem de marca.

Raras são as vezes que se observam situações como a da actual Liga. É verdade que há sempre um ou outro jogador das equipas “pequenas” a intrometer-se entre os nomes sonantes, só que desta feita há três. E merecem bem a nossa referência. São eles Léo Bonatini (15 golos), do Estoril Praia, Rafael Martins (14), do Moreirense, e Bruno Moreira (14), do Paços de Ferreira, o melhor marcador português desta Liga. Este “tridente ofensivo” surge logo atrás de Jonas, Slimani e Mitroglou na tabela de goleadores e à frente de Vincent Aboubakar (12), do FC Porto.

Mas vamos aos números para tentar perceber quem são estes três “homens-golo”. É relativamente pacífico que destes avançados, Léo Bonatini é quem tem captado mais a atenção de adeptos e até da imprensa. O brasileiro está, de facto, de pé quente, tendo já marcado a Benfica, Sporting e Sp. Braga. Mas de que forma se distingue de Rafael e Bruno Moreira?

Liga NOS | Goleadores de "bronze"
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)De pé quente

De pé “quente”

Rafael é já um repetente nestas andanças. Em 2013/14 apontou 15 golos em 28 jogos ao serviço do V. Setúbal, sendo o terceiro melhor marcador da Liga, atrás de Jackson Martínez e do maritimista Derley (16). A boa época levou a uma transferência para o Levante, de Espanha, que o emprestou agora ao Moreirense. E esta temporada continua a brilhar. Se calhar até mais do que os outros dois alvos da nossa análise. Senão vejamos.

Rafael tem menos minutos (1807) de jogo que Léo (2350) e Bruno Moreira (1914), pelo que tem uma média de golos por 90 minutos superior. Para além disso tem sido, dos três, o que melhores prestações tem conseguido ao longo da época tendo em conta os GoalPoint Ratings – 5,49 para 5,23 de Léo e 5,03 de Moreira, destacando-se, sobretudo, no pouco que precisa para dar muito à equipa. O moreirense precisa de menos toques na bola (41) para marcar golos que os restantes (Léo 75, Moreira 65), só superado entre os goleadores pelo benfiquista Mitroglou (38). Perde no aproveitamento dos remates em golo (24%) para Léo (35%), algo que se deve em grande medida à tendência para rematar bastante – soma uma média de 3,6 disparos por 90 minutos, para 1,6 de Léo e 1,8 de Moreira. Ficam os três bem atrás na pontaria com a baliza: 54%, 52%, 52% para os incríveis 67% de Mitroglou, mas melhor que o grande goleador do campeonato, Jonas, que enquadra 48% dos seus disparos. Dos três, Bruno Moreira revela-se positivamente nos apenas 14% de ocasiões claras de golo que desperdiça – como comparação, Aboubakar falhou 60% e Slimani 45%.

Estilos distintos

Bonatini é, pelos números, um jogador bem mais móvel do que Rafael ou Moreira, sendo os dois últimos mais homens de área. Isso nota-se em alguns valores específicos. Por exemplo, Léo Bonatini faz 35% dos seus remates de fora da área, enquanto Rafael tenta o golo 71% das vezes já nas grandes áreas, Bruno Moreira 70%. E Rafael conseguiu, ainda, enquadrar a totalidade os remates de cabeça que realizou. A isto deve-se, em grande parte, à boa capacidade do jogador do Moreirense para ganhar duelos individuais aos seus marcadores directos, conseguindo levar a melhor em 42% das ocasiões (contra 37% de Léo e 38% de Moreira).

Temos aqui três jogadores diferentes, estilos para variados gostos, mas que garantem golos e soluções de ataque. Um Léo mais versátil, que procura outros terrenos e tenta a sua sorte de diferentes formas, um Rafael e um Bruno Moreira mais focados no último toque dentro da área. Opções que valem a atenção de clubes com outras ambições.