O Sporting Clube de Portugal conquistou a 16ª Taça de Portugal do seu historial, ao bater o SC Braga nas grandes penalidades (3-1, 2-2 após prolongamento). Para a história fica provavelmente uma das mais difíceis vitórias do “leão” em finais da competição, uma vez que esteve a perder por 2-0 e só empatou nos descontos do tempo regulamentar. Valeu o espírito de equipa, três heróis individuais e um inédito desempate por penalties. E acima de tudo o carácter de nunca ter desistido e acreditado sempre que era possível inverter a situação.

Esta foi uma final emocionante, por vários motivos. Por ser o regresso do Sporting, depois de anos difíceis, por ser o regresso do Sp. Braga ao encontro decisivo, após muitos anos longe do Jamor. E pelos “incidentes” que marcaram o desafio. Já muitos acreditavam ser quase impossível a equipa de Marco Silva dar a volta aos acontecimentos, mas por isso, especialmente por esse motivo, este triunfo leonino reveste-se de um brilho superior, porque foi o fruto merecido do carácter que a equipa mostrou em campo perante um rol de adversidades, que talvez poucas equipas conseguissem contrariar num contexto semelhante. Ao mesmo tempo, caso o Sp. Braga tivesse ganho, o mesmo merecimento lhe era devido, pelo brilhante jogo colectivo ao longo de quase todos os momentos de jogo, salvo dois, que acabaram por ser decisivos.

GALERIA: Clique para conferir as melhores imagens da final da Taça de Portugal
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O jogo começou com um “leão” a querer dominar, com posse de bola, perante um Braga expectante. Adivinhava-se um jogo longo e de paciência para os lisboetas quando, aos 14 minutos, Cédric Soares carregou Djavan na grande área quando o lateral brasileiro caminhava isolado para a baliza. O árbitro assinalou penalty e expulsou Cédric, e Éder (16’) não perdoou da marca dos 11 metros.

O Sporting não acusou o toque, apesar de o Braga mostrar personalidade a defender e inteligência a explorar os espaços no contra-ataque. E num desses lances, Rafa (25’) roubou a bola a Miguel Lopes (que substituíra João Mário), progrediu para a baliza e fez o 2-0.

Os números ao intervalo (infografia: GoalPoint)
Os números ao intervalo (infografia: GoalPoint)

MENTALIDADE FORTE

Parecia estar tudo decidido, mas não estava. Marco Silva conseguiu equilibrar a equipa, com consistência defensiva, mas acutilância atacante, num 4x2x3 que se transformava num 4x4x1 na fase defensiva. Porém o Braga não conseguiu aproveitar esse facto para tirar a bola ao “leão”, que nunca desistiu e pouco se notou a inferioridade numérica. Já numa fase mais adiantada da partida, Fredy Montero entrou para o lugar de Miguel Lopes, ficando o Sporting a jogar com três defesas. Mas tudo mudou na frente. Se antes os minhotos não evitavam os ataques leoninos pelas faixas, mas anulavam o jogo lisboeta pela zona central, com a entrada do colombiano as marcações defensivas dos “arsenalistas” desorganizaram-se. O erro de Baiano, que colocou a bola nos pés de Slimani, aos 84 minutos, para o 2-1, foi o paradigma do que estava a acontecer.

Nos descontos, Montero surgiu nas costas da defesa bracarense, na segunda desconcentração da equipa de Sérgio Conceição, e empatou, para delírio dos adeptos lisboetas. E no prolongamento pouco ou nada mudou. O jogo partiu-se, o discernimento desapareceu, e os penalties decidiram. E aí o carácter de luta dos jogadores do Sporting voltou a imperar. Rui Patrício, em sacrifício devido a lesão, conseguiu defender o remate de André Pinto, depois Éder e Salvador Agra atiraram para fora. Estava garantida a 16ª Taça de Portugal para as vitrinas de Alvalade.

Os números finais da partida (infografia: GoalPoint)
Os números finais da partida (infografia: GoalPoint)

(Clique no separador “em directo” para conferir o acompanhamento que fizemos da partida na primeira sessão de liveblogging do GoalPoint)