“Quem tem Lewandoski não precisa de Haaland”? 🧐

-

Karl-Heinz Rummenigge, lenda do futebol alemão e actual presidente do Bayern de Munique, disse há alguns dias: “Erling Haaland? É um animal, marca muitos golos, mas não precisamos dele, pois temos Robert Lewandowski”. A afirmação só não é polémica para quem olhar para os dois jogadores de um dos prismas, o do desempenho do polaco. Outros poderão asseverar que uma boa planificação (algo de que os bávaros são reconhecidos) terá de levar em linha de conta a idade dos jogadores, e outros poderão mesmo ir mais longe a apontar para o facto de o clássico número “9” ser uma “espécie” em vias de extinção e que nenhum pode ser descartado.

“Erling Haaland? É um animal, marca muitos golos, mas não precisamos dele, pois temos Robert Lewandowski”

Estes são todos argumentos válidos. Na realidade, jogadores de área com as características de ambos já não se encontram “aos pontapés” como antes, e mais factual ainda é Haaland ter apenas 20 anos, feitos em Julho, e Lewandowski somar já 32, comemorados em Agosto. Juntemos tudo e já podemos avaliar se as palavras de Rummenigge são sábias ou um pronúncio de uma má avaliação? Não, ainda faltam mais dados. A esta discussão juntamos um olhar aos analytics de ambos os craques, dados concretos e objectivos sobre o desempenho de ambos nas últimas duas temporadas, na Liga dos Campeões e Bundesliga. As conclusões deixamos para si.

Estatísticas quase “gémeas” na Liga alemã

O jovem norueguês chegou ao campeonato germânico em Janeiro de 2020, oriundo do Salzburg, da Áustria. E o seu impacto foi imediato, lançando “ondas” de choque por todo o futebol mundial. Em 15 jogos na Bundesliga fez 13 golos e duas assistências, um pouco menos de metade do contributo para tentos do polaco que, ainda assim, jogou bem mais do dobro dos minutos. Os GoalPoint Ratings de ambos equiparam-se em 2019/20, com vantagem para Lewandowski, mas esta época a aproximação entre ambos é notória, ao ponto de registarem exactamente o mesmo rating.

Haaland tem estado lesionado (e o Dortmund ressentiu-se, a ponto de já ter demitido Lucien Favre, o treinador), mas em 650 minutos já regista dez golos na Liga, mais duas assistências, abaixo dos 15 tentos do atacante do Bayern (que tem também quatro passes para golo), mas este com 905 minutos de utilização. O que separa ambos?

Se na primeira (meia) época, Haaland rematava menos (2,5 por 90 minutos, contra 3,6 de Lewa), esta temporada o norueguês leva vantagem (3,7 – 3,2). O aproveitamento de ocasiões flagrantes está mais equilibrado esta temporada, com o jovem ainda a mostrar mais “sangue frio”, tal como a conversão simples de todos os remates em golo. Se o norueguês “goleava” em 2019/20, com incríveis 38% de aproveitamento, para 25% do polaco – que por ser turno mostrava-se melhor no drible e até nos duelos aéreos ofensivos, apesar de ter menos 10cm de altura (1,84m) -, nesta temporada esse valor equilibra-se, com 33% de aproveitamento de Erling e 35% de Robert. Detalhes para todos os gostos.

Domínio de Lewa na Europa… até quando?

Robert Lewandowski foi eleito Avançado do Ano e Jogador do Ano pela UEFA em Agosto passado, em grande medida devido ao seu contributo decisivo para a conquista da Liga dos Campeões por parte do Bayern na temporada passada, em pleno Estádio da Luz. Pelo caminho tornou-se o estrangeiro com mais golos marcados na Bundesliga e, com o bis desta quarta-feira ao Wolfsburgo, tornou-se apenas no terceiro jogador a atingir os 250 golos na Bundesliga. Parece complicado rivalizar com estes feitos. Mas olhemos de novo para os números de Haaland e do polaco, agora na Champions.

Pelo Salzburgo e pelo Dortmund, o norueguês fez dez golos e uma assistência na Liga dos Campeões 19/20, ficando a cinco tentos de Lewa e longe das cinco assistências, mas muito longe do GoalPoint Rating acumulado do experiente atacante do Bayern, que se fixou no 8.33. Mais uma vez o “bávaro” brilhou nos remates (4,0 por 90 minutos) e no drible, em comparação com o norueguês, que voltou a ser mais “clínico” nas flagrantes. Mas esta época as coisas estão algo diferentes, com Haaland a inverter os números de golos (6-3), de remates e até de dribles e a manter a eficácia superior na conversão de flagrantes.

Se quanto à taxa de aproveitamento de remates, o jogador do Dortmund tinha 48% na última Champions e o do Bayern 29%, desta feita essa percentagem situa-se em 32% para o primeiro e descamba para 20% no segundo. E em Novembro, Haaland tornou-se no jogador a atingir mais depressa os 15 golos na Champions League, em apenas 12 desafios, passando os 19 encontros de Ruud Nystelrooy e Roberto Soldado e os 20 de Harry Kane.

Estes são os números principais de dois extraordinários pontas-de-lança que a Liga alemã tem o privilégio de ter nos seus quadros competitivos e que brilham na Europa. Poderá Rummenigge, à luz da idade, da posição, das características e dos números de ambos, dizer que o seu Bayern não precisa de Haaland? Por enquanto talvez possa, no futuro… talvez viesse a dar jeito.

GoalPoint
GoalPoint
O GoalPoint.pt é um site produzido pela GoalPoint Partners, uma start-up especializada em análise estatística de futebol, que oferece serviços dirigidos a profissionais, media, patrocinadores/anunciantes e adeptos.
GoalPoint

GRÁTIS
BAIXAR