“Homens da casa”: Os raros exemplos nos três grandes

O “amor à camisola” há muito caiu em desuso, mas este defeso está a cavar ainda mais o fosso nos números da “fidelidade” dos jogadores actuais em comparação com as referências de outrora.

Luisão é o jogador dos três grandes no activo com mais jogos realizados (foto: thelefty/Shutterstock)
Luisão é o jogador dos três grandes no activo com mais jogos realizados (foto: thelefty/Shutterstock)

O futebol português está como que a viver uma fase de viragem, mais concretamente nos três grandes… Ou melhor em dois deles. O campeão Benfica e o FC Porto estão a efectuar autênticas revoluções nos seus plantéis, por motivos diferentes. Enquanto as “águias” estão fortemente vendedoras, os “dragões” reforçaram-se para evitar repetir a má época passada. No meio de tanta mudança, salta à vista uma realidade: os “homens da casa” estão rapidamente em vias de extinção.

Tendo em consideração a constante aposta leonina na formação e o recente influxo de jogadores (oito entradas e oito saídas), juntando os casos dos dois outros rivais – à Luz chegaram 12 caras novas e partiram oito, o mesmo número de saídas no Dragão, com 13 entradas, algumas delas de vulto –, não é difícil perceber que os três grandes estão a renovar-se. Será, portanto, curioso descobrir quais são os resistentes a tanta mudança, os jogadores que assentaram arraiais nos seus clubes e registam números de jogos e épocas que os tornam numa espécie de “prata da casa”. Com a razia que tomou conta do Benfica, surpreende que ainda seja na Luz que os cinco mais “velhos” tenham mais jogos oficiais no seu somatório, até final de 2013/14. Mas vamos aos dados.

Olhámos para os atletas ainda em actividade e que se mantém fiéis aos actuais clubes e reparámos em algumas curiosidades. Luisão é, destacado, o jogador dos três emblemas o que mais partidas disputou, com 419 nas 11 anteriores temporadas (está a começar a 12ª), conquistando 11 títulos. Segue-se Helton, com 311 de dragão ao peito e 18 títulos em nove épocas, e a saída de Óscar Cardozo (295 jogos em sete épocas) permitiu a Maxi Pereira saltar para o terceiro posto, com 291 encontros disputados. Surge, no quarto lugar, o primeiro “leão”, Rui Patrício, já com 282 jogos, e Silvestre Varela é quinto, com 195 (embora se fale insistentemente na sua saída).

    Olhando para os clubes a título individual, nota-se que o Benfica é aquele que tem um “top 5” de utilizados com mais jogos entre si, um total de 1159 partidas, contra as 992 do FC Porto e as 702 do Sporting. Na Luz, estes cinco futebolistas somam 30 épocas no somatório total, com 36 títulos ganhos, enquanto os portistas têm menos épocas (28), mas ganham em toda a linha no que toca a troféus (60!) e golos (114, contra 87 do Benfica, que perdeu 172 de Cardozo…). Em Alvalade o total é de 23 épocas e oito títulos (e 41 tentos). É curioso olhar para estes dados, comparar com o passado e reparar, apenas com esta análise simples, como mudou o futebol ao longo destas décadas. O “amor à camisola” é um sentimento em vias de extinção e dos atletas actuais apenas Luisão se intromete, por exemplo, no “top 10” dos benfiquistas mais utilizados de sempre – é nono, à frente de Cavém, mas 156 atrás de Nené, o que mais jogos somou de águia ao peito. No FC Porto, o antigo lateral João Pinto domina, com 587 jogos, mais 21 que Vítor Baía, enquanto no Sporting o recordista absoluto é Hilário com 483 partidas. Hilário que, na contabilidade total dos três clubes, surge “apenas” no oitavo lugar. Essa tabela conjunta é liderada, novamente, por João Pinto, seguindo-se Nené e Vítor Baía.