Táctica: Como jogam os Estados Unidos da América

Portugal enfrenta na segunda jornada da fase de grupos uma selecção que não lhe traz boas recordações. Apresentamos a nossa análise sobre a ideia de jogo norte-americana.

PONTOS FRACOS

 

Transição defesa – ataque

Após recuperar a bola os EUA evidenciam muitas vezes lentidão e fragilidade na transição ofensiva.

Sendo que no meio-campo o jogador mais rápido e criativo é A. Bedoya (que participa mais na construção alta e fase de criação), os EUA carecem de um construtor de jogo recuado que lhes oriente e paute o jogo consoante o momento do mesmo. Apenas M. Bradley consegue por vezes pegar na bola e ser um pouco mais rápido e vertical, mas no geral esta parte do momento ofensivo é bastante débil.

Momento defensivo

Na hora de executar o pressing (usa normalmente um 1-4-4-2 clássico bloco médio) os americanos são muito pouco agressivos. Dão sempre a iniciativa de jogo ao adversário, ficando à espera do mesmo no seu meio-campo defensivo. A nível de shifting esta equipa não demonstra ter qualquer problema, porém quando D. Beasley sobe no terreno para ajudar no momento ofensivo, ninguém compensa nesse corredor lateral, ficando portanto um enorme espaço passível de ser explorado.

As subidas de Beasley criam frequentemente desequilíbrios defensivos (figura 3)
As subidas de Beasley no terreno criam frequentemente desequilíbrios defensivos (figura 3)

 

Outro aspecto importante da dinâmica de jogo dos norte-americanos é a enorme passividade que existe em certos momentos do jogo por parte de M. Bradley, que ao actuar num duplo pivôt com K. Beckerman, não raras vezes demonstra estar à parte e desinteressado da recuperação da bola ou da compensação posicional a algum colega. Por vezes os próprios centrais, ao desposicionarem-se (devido à marcação ao ponta-de-lança adversário) criam espaços  que nenhum elemento do miolo compensa devidamente.

O desposicionamento ocasional dos centrais contribui para outra das fragilidades norte-americanas (figura 4)
O desposicionamento ocasional dos centrais contribui para outra das fragilidades norte-americanas (figura 4)

ANÁLISE FINAL

 

A equipa dos Estados Unidos recomenda o que se exige numa fase final de um Campeonato do Mundo: respeito e preparação para os seus pontos fortes (no caso do “onze” de Klinsmann a disponibilidade física e tudo o que dela decorre) e determinação na exploração das fraquezas que a afastam do teórico grupo dos favoritos. Concluímos com um resumo das forças e fraquezas norte-americanas e como as contrariar e aproveitar:

Os pontos fortes dos "Yanks":Os pontos fracos:
- Capacidade física acima da média
- Centrais de elevada estatura
- Qualidade ofensiva de M. Bradley e C. Dempsey
- Mobilidade e diagonais de A. Jóhannsson
- Guarda-redes T. Howard de elevada categoria
- Sistema alternativo de 1-4-4-2 losango bastante mais competente a nível ofensivo
- Lateral-direito F. Johnson de qualidade
- Fecham bem corredor central do terreno
- Pouco agressivos no pressing
- Poucas opções no banco de suplentes
- Fracos nas compensações
- Construção baixa pouco rápida e sem um "maestro" que pegue na bola
Como contrariar os seus pontos fortes:Como explorar as suas fraquezas:
- Usar um pressing agressivo bloco alto
- Explorar espaços vazios entre laterais e centrais adversários
- Criar movimentos de rotura entre os médio-defensivos norte-americanos
- Marcar individualmente o lateral-direito adversário.
- Aplicar maior agressividade na recuperação da bola
- Usar com frequência os corredores laterais e situações de superioridade numérica nos mesmos.
- Recorrer ao ataque rápido com, por exemplo, C. Ronaldo na direita (de modo a explorar o fraco defesa-esquerdo adversário)
- Evitar jogo directo na direcção dos centrais adversários e “trinco”
- Incutir rapidez na transição defesa-ataque

Que opinião tem sobre a ideia de jogo norte-americana? Que forças e fraquezas adicionais identifica no conjunto de Jurgen Klinsmann e como sugere contrariá-los? Deixe-nos a sua opinião.