Itália 2 – Inglaterra 1: Um duelo digno de uma final

Os dois “gigantes” foram à Amazónia dar um espectáculo acima da média, daqueles dignos de finais de Mundiais, e com estilos de jogo contrastantes.

Ao terceiro dia de um Mundial não é habitual dizer-se que se assistiu a um jogo digno de uma final, pela sua qualidade. Porém o cliché da “final antecipada” ganhou nova dimensão com o Inglaterra-Itália. Ambas mostraram os estilos que as caracterizam, mas com um nível qualitativo acima da média.

Este facto ganha relevo se atentarmos ao capítulo do passe. Ao todo as duas equipas somaram 1070 (468 a Inglaterra, 602 a Itália), sendo que ambas as equipas tiveram acima de 90% de passes completos (Inglaterra 90,8%, Itália 93,2%). Impressionante! Por outro lado, registaram-se apenas 19 faltas ao longo de toda a partida (um cartão amarelo), o que ajudou sobremaneira ao espectáculo. Os três golos foram apontados de bola corrida e registaram-se 26 oportunidades de golo, com ligeiro ascendente inglês (15-11).

Clique na imagem para ler em detalhe (foto: CC / Infografia: GoalPoint)
Clique na imagem para ler em detalhe (foto: CC / Infografia: GoalPoint)

Mas onde esteve, então a superioridade italiana? Resumidamente, e olhando para os números, esteve na força do seu “miolo” e na eficácia. Eficácia a começar de trás. Itália teve 18 cortes completos contra seis de Inglaterra, sendo que a grande diferença esteve nos lances de cabeça (9-1 para a “azzurra”). No ataque, os comandados de Prandelli basearam a eficácia na zona de remate, pois os disparos aconteceram regularmente na grande e na pequena área (46%), ao contrário dos britânicos (26%, contra 78% de fora da área). Inglaterra teve muito jogo pelas alas e inúmeros cruzamentos (25), mas com aproveitamento quase nulo, perante a força italiana pelo ar, como referido atrás. Por fim, eficácia nos remates, com os italianos a terem 30,77% enquadrados contra 27,78%, e um aproveitamento em golo de 15,38% contra 5,56%.

No meio-campo a Itália dominou, jogou bem entre as linhas inglesas, teve superioridade numérica e esteve certa no passe: 131 contra 58 dos ingleses no terço defensivo e 358 contra 263 na zona intermédia diz bem da capacidade de Pirlo e companhia no que toca ao passe, posse de bola e controlo do jogo.

 

Apontamento Táctico

Os transalpinos ganharam no resultado final mas também no jogo táctico. Os italianos, ao usarem três “trincos” puros no meio-campo (De Rossi, Pirlo e Verratti), asseguraram uma grande solidez defensiva neste sector, ao invés de tentarem fazer logo um pressing de bloco alto agressivo na primeira fase de construção inglesa ou mesmo logo após a perda de bola. Estes três jogadores, devido à sua enorme qualidade de passe e técnica na condução e recepção da bola, para além da constante movimentação, garantiram à “squadra azzurra” o domínio do meio-campo e do último terço do terreno, graças aos constantes passes de rotura.
A nível defensivo demonstraram também estar muito mais precisos no timing de entrada à bola em comparação com os britânicos, e mesmo a linha defensiva esteve perfeitamente coordenada e preparada para este jogo, ao contrário do seu adversário, cujos jogadores rapidamente se desposicionavam no pressing quando estavam com um bloco baixo.

O “Apontamento Táctico” é assinado por Miguel Pontes.

 

Qual a sua opinião sobre o “duelo amazona” entre Itália e Inglaterra? Que figuras se destacaram, na sua opinião, pela positiva e/ou negativa? Deixe-nos a sua opinião.