Jackson vs. Slimani: Duelo de “bombardeiros” no Brasil

Ambos iniciaram a campanha no banco e ambos já brilharam na fase-de-grupos deste Mundial. Analisamos o seu desempenho ao detalhe.

Jackson e Slimani são dois nomes que dizem muito ao futebol luso pelo que provaram já na Liga Portuguesa. No entanto ambos iniciaram surpreendentemente o Mundial do Brasil a partir do banco. Jackson parecia ter forte hipótese de ganhar um lugar no “onze” após a ausência confirmada de Radamel Falcao enquanto Slimani já era, por mérito próprio, o finalizador titular da selecção argelina, lugar que havia conquistado a outro mundialista oriundo da Liga Zon Sagres, Nabil Ghilas. Finalizada a fase de grupos ambos não só brilharam como fizeram o suficiente para justificar que, em nenhum dos casos, Pekerman e Halilhodzic tenham grandes dúvidas em atribuir-lhes a titularidade nos oitavos-de-final. Analisemos então em detalhe o desempenho dos dois goleadores.

Clique na imagem para ler em detalhe (foto: CC / Infografia: GoalPoint)
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Jackson, o eficaz

O colombiano não deixou os seus créditos por mãos alheias quando teve finalmente a sua oportunidade no último jogo da fase de grupos contra o Japão. Chamado nos últimos minutos do jogo inaugural com a Argélia e vendo todo o jogo com a Costa do Marfim a partir do banco, o número 21 colombiano explodiu na derradeira partida: dois golos, quatro remates sendo que dois deles enquadrados com a baliza serviram de claro sinal de presença neste Mundial. Dos pés de Martinez saíram ainda 30 passes nos 104 minutos em que esteve em campo neste torneio, com um acerto de 83%, registo mais usual num médio ou defesa do que num jogador maioritariamente incrustado no terço defensivo adversário. Além da qualidade de passe e da eficácia de remate, Jackson não perdeu uma única bola para os defesas contrários por deficiente controlo ou recepção. A oportunidade do avançado do FC Porto tardou mas Martínez correspondeu totalmente, conquistando o prémio de Melhor em Campo da FIFA precisamente no confronto com o Japão, que a Colômbia venceu por 4-1.

O segundo golo de Jackson, frente à selecção Japonesa

Slimani, o “MVP”

Dois golos, uma assistência, dois prémios de Melhor em Campo neste mundial. É este o registo prometedor de Islam Slimani nos 204 minutos em que esteve em campo no Brasil e que lhe rendeu já o olhar atento e elogio rápido de José Mourinho. Pese a sua eficácia na hora do remate não seja tão evidente como a de Jackson, já a sua preponderância é clara na (para os mais desatentos) relativa surpresa que a Argélia tem constituído neste Mundial. Para lá da influência directa nos resultados positivos da equipa, Islam tem sido determinante pelo ar, tal como sucedeu no Sporting CP desde que assumiu a titularidade, ganhando oito dos 19 duelos aéreos travados com defesas contrários, contra apenas um em seis por parte de Jackson. Islam rematou também mais do que o colombiano (2,3 remates por jogo contra 2), apesar de apresentar menor eficácia de remate. Um último pormenor que talvez surpreenda face à ideia pré-concebida que possa existir sobre a morfologia e movimentação de ambos os jogadores: o argelino foi, dos dois, aquele que atingiu uma maior velocidade em corrida, com 30km, contra 29km por parte de Martínez.

O primeiro golo de Slimani no Mundial, contra a Coreia do Norte.

Esperamos revisitar este comparativo, com ambos os analisados a deixarem uma marca ainda mais positiva neste Mundial para os seus países e respectivos clubes, continuando a demonstrar a qualidade que justificou as suas contratações por parte dos dois rivais portugueses.