O SL Benfica arrecadou a sua sexta Taça da Liga na última sexta-feira, em oito edições da prova. O feito “encarnado” deixou os seus adeptos mais do que satisfeitos, depois da conquista do 34º título de campeão. Contudo, há um outro feito, mais pessoal, a ter em conta e que está directamente ligado ao triunfo por 2-1 ante o Marítimo.

Jorge Jesus, o homem por detrás dos êxitos recentes dos benfiquistas, tornou-se no treinador que mais títulos conquistou de águia ao peito, dez, mais um que Otto Glória, com quem estava empatado desde há duas semanas. Mas Jesus conseguiu esse feito mais rapidamente que o brasileiro. Otto Glória arrecadou os nove troféus em oito temporadas (1,1 por época), Janos Biri seis também em oito anos, e Jesus conseguiu mesmo o dobro dos troféus de John Mortimore e Sven-Göran Eriksson, que estiveram cinco épocas na Luz. A cada dez jogos, o Benfica ganhou sete com o treinador português no banco.

GP---info---Jesus6anos---30Mai2015
Clique na infografia para ampliar (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

A marca de Jorge Jesus não se fica só por aqui. “Comigo o Benfica vai jogar o dobro, e se calhar o dobro é pouco”… “Tenho a certeza que vou ser campeão no Benfica”. Estas duas frases disse o treinador no dia da sua apresentação na Luz, e de facto a confiança não caiu em saco roto. Jesus deixou já uma marca forte no Benfica, e não só pelos troféus que arrecadou. Também pelo contexto em que o conseguiu. Se os outros técnicos mais laureados tiveram o sucesso que tiveram, esse aconteceu numa altura em que o Benfica era dominador a nível nacional e com grande força internacional. Jesus chegou a um Benfica que ganhara um campeonato apenas em 14 anos, perante um domínio avassalador do FC Porto, e transformou o destino “encarnado”.

“Mudei o paradigma do futebol do Benfica”, disse Jesus há poucos dias, e se olharmos para a história recente do clube não é difícil perceber que não andará longe da verdade. Mudou o paradigma e a mentalidade, com altos e baixos e opções que muitos criticaram. A começar pela opção clara pelo 4x4x2, um sistema pouco utilizado em Portugal, em contraponto com o 4x3x3 e o 4x2x3x1. A verdade é que a estrutura deu frutos, pelo menos a nível interno, enquanto na Europa rendeu duas finais consecutivas da Liga Europa.

Como fica patente na infografia, há um “buraco negro” a meio do percurso de Jesus no Benfica. Depois do sucesso inicial, surgiram dúvidas, dores de crescimento, aprendizagem do próprio técnico, atrevemo-nos a dizer, e a dolorosa temporada de 2012/13, na qual o clube perdeu tudo no espaço de duas semanas, prognosticou o fim da passagem do técnico pelo Estádio da Luz. Porém, Luís Filipe Vieira segurou o treinador, confiante no trabalho desenvolvido até ao momento (quem não se lembra do Benfica pré-JJ…), e a opção, criticada por muitos, ficou reflectida nas duas últimas temporadas: sucessos e mais sucessos.

Seis anos depois Jesus devolveu asas a uma águia que à sua chegada parecia ter dificuldades em voltar a voar. Continuará Jesus a liderar o Benfica ou colocará um fim naquele que já é um legado histórico? Esta é uma dúvida que os próximos dias ajudarão a esclarecer.