A melhor selecção do Mundial 2018 já é conhecida, a França, “eleita” em campo na sequência da vitória na final, por 4-2, sobre a Croácia. O pano caiu sobre o grande evento futebolístico, é hora de anunciar os heróis.

Entre eles sobressai a discussão de quem foram os melhores jogadores em prova, nomeadamente o que se destacou acima de todos os outros. Essa hora chegou e o jogador que destacamos como o melhor intérprete presente na Rússia é o belga Eden Hazard, com base no seu desempenho objectivo em campo, reflectido nos GoalPoint Ratings. Nesta eleição cabem apenas jogadores com um mínimo de 480 minutos jogados, por razões metodológicas e para premiar quem chegou às fases mais avançadas da prova, após termos dado conta, ronda a ronda, dos melhores após cada jornada do Rússia 2018. Curiosidade adicional: Hazard já tinha sido o melhor da fase de qualificação europeia para o Mundial.

Os motivos são muitos, desde a quantidade de MVP’s recolhidos pelo extremo do Chelsea, à influência decisiva que tem nas acções atacantes (e não só) da Bélgica, à inteligência táctica e maturidade colectiva que patenteou neste certame, muito acima do que havia feito em outras ocasiões, em fases finais. Os números de Hazard falam por si. Confira.

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A nossa distinção não se prende apenas pelos golos que marca, pois nem são assim tantos, em comparação com outros jogadores, como Harry Kane, que se sagrou melhor marcador da competição. Hazard vale por um todo ofensivo e pelo peso que teve numa das melhores equipas em prova. Para além de ter sido o sexto jogador mais utilizado pelos “diabos vermelhos”, foi o atleta que terminou com mais dribles eficazes no Mundial (40, ou seja, 6,98 por 90m), mais oito que o segundo melhor nesta variável, o francês Kylian Mbappé. E foi o quinto jogador que mais passes fez para finalização na competição, nada menos que 15 – Kieran Trippier foi o que registou mais.

Encostado mais ao lado esquerdo, Hazard esteve, contudo, um pouco por todo o lado, como se pode comprovar pelo “heat map” na infografia acima. Um jogador que esteve sempre comprometido com os interesses da equipa, estando envolvido directamente – marcando ou assistindo – em 31,3% dos 16 golos belgas na Rússia.

Após a final, perguntámos aos nossos leitores qual foi, na sua opinião, o melhor jogador do torneio que agora findou. E também aqui o seu olho clínico de quem nos segue apontou para Hazard como a figura deste Mundial, cientes do peso que o jogador teve na sua selecção e pela qualidade do seu futebol.

Para além dos números que apresentámos acima, Hazard foi também, de entre os jogadores dentro do critério dos 480 minutos, o terceiro com mais remates por 90 minutos na competição, nada menos que 2,97, apenas atrás de Antoine Griezmann (3,56) e Ivan Perisic (3,17), e as suas duas assistências garantem-lhe o primeiro posto entre os homens que mais golos ofereceram a cada 90 minutos, com 0,35.

Três vezes o melhor em campo

Eden Hazard foi três vezes o MVP, nos seis jogos que completou pelos belgas, o primeiro logo na estreia da sua equipa na competição, com o Panamá, voltando a repetir o feito ante a Tunísia e, mais à frente, com a Inglaterra, no jogo de atribuição do quarto lugar.

O ponto alto desta sua participação, em termos de desempenho puro, foi contra a Tunísia, jogo no qual registou um GoalPoint Rating de 8.5, fruto de dois golos, três passes para finalização e uma grande penalidade ganha. Mas Hazard foi mais do que apenas o desempenho puro, reflectivo pelo frio dos números. Não nos esquecemos do trabalho extraordinário na segunda parte frente ao Brasil, no qual teve a tarefa tacticamente perfeita de realizar transições, arrastar os jogadores “canarinhos” e “esconder” a bola longe da baliza de Thibaut Courtois.

O extremo foi, assim, um jogador não só virtuoso e decisivo, com um peso fundamental na equipa belga, como um elemento maduro, tacticamente evoluído. Caso a Bélgica tivesse levado para casa o troféu, era caso para dizermos que estivemos perante o jogador que carregou a sua selecção rumo à glória. Faltou pouco.

Modric e Mbappé

O segundo melhor para os seguidores GoalPoint foi Luka Modric. Aliás, o médio croata foi eleito pela FIFA como o melhor jogador do torneio, algo que se aceita se olharmos para o global da prestação do jogador do Real Madrid, e não apenas pelos números concretos do que fez em campo. Modric foi o cérebro por detrás da caminhada croata rumo à final, mas também o coração de toda a equipa, a pautar jogo, a organizar e a defender, um autêntico treinador sobre o relvado.

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Mesmo tendo outros jogadores com melhor rating final, Modric deixou a sua marca de forma profunda nesta competição, recolhendo elogios quase unânimes sobre o nível elevado apresentado na Rússia. O médio terminou com 78% de eficácia de passe no meio-campo adversário, algo relevante para a zona do terreno, para além de 2,4 passes para finalização por 90 minutos, e ainda mostrou uma capacidade de ultrapassar adversários assinalável, com 2,0 dribles eficazes. Um autêntico “maestro”.

E depois houve Kylian Mbappé. O jogador de 19 anos “explodiu” pela selecção neste Mundial, sendo decisivo na caminhada dos “les bleus” rumo ao título. E até marcou um golo na final, tornando-se apenas no segundo jogador com menos de 20 anos a fazê-lo, após o feito de Pelé, com 17 anos, no longínquo ano de 1958.

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Mbappé marcou quatro golos em sete jogos, mesmo tendo realizado apenas 1,4 remates a cada 90 minutos. Mas durante a prova mostrou uma capacidade física incrível, à qual os adversários raramente souberam dar resposta, como aconteceu com Ivan Strinic na final. A sua velocidade e capacidade de drible (10,3 tentativas por 90 minutos, com 53% de eficácia) mostram bem o impacto que esta autêntica “locomotiva” teve no Rússia 2018.

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