O treinador do Benfica, Bruno Lage, revelou esta segunda-feira que o “jogador mistério” pretendido pelo Benfica não era Bruno Guimarães, mas sim o experiente guardião Lukasz Fabianski, que alinha na Premier League pelo West Ham. E se o nome poderá surpreender alguns, já a necessidade “encarnada” de encontrar uma solução alternativa a Odysseas Vlachodimos espantará menos, sobretudo após as exibições titubeantes de Zlobin noutras competições que não a Liga NOS.

O facto de Bruno Lage ter convivido profissionalmente com Fabianski (cruzaram-se no Swansea entre Dezembro de 2017 e Junho de 2018, momento em que ambos abandonaram os “cisnes” rumo a outras paragens) será uma das razões para este interesse, mas dirão os dados algo mais que fundamente ou questione o interesse do “mister” benfiquista no guardião? Já lá iremos.

Quem é Fabianski?

O guardião polaco joga na Premier Legue há mais de dez anos. Chegou em 2007 a Inglaterra e entrou na prova pela “porta grande”, oriundo do Lech Poznan rumo ao Arsenal de Arséne Wenger. O extenso currículo em solo britânico resulta já em 231 jogos disputados, e isto só na principal prova inglesa. Sendo verdade que a passagem pelos “gunners” não foi para ele (como para tantos outros) a mais feliz, Lukasz mereceu em 14/15 a confiança do Swansea e, posteriormente, do West Ham, em 2018, clubes pelos quais se assumiu como a escolha central para a defesa da baliza.

Pelo caminho Fabianski conquistou também o direito a chamada permanente à selecção polaca (52 internacionalizações), embora em disputa com outro polaco que passou pelo Arsenal, Wojciech Szczesny, rival ao qual tinha conquistado aliás a titularidade nos dois últimos jogos de qualificação para o Euro que disputou, antes de se lesionar com gravidade, no final de Setembro de 2019.

Melhor Rating na Premier 18/19… não houve

Bruno Lage revelou Fabianski como o seu “reforço mistério”, definindo-o como um dos melhores da sua equipa (o West Ham), e a verdade é que a análise GoalPoint dá-lhe razão, no plano estatístico complementar, que é a nossa especialidade. Os nossos analytics vão, aliás, mais longe: mais do que ser um dos melhores da sua equipa, Lukas Fabianski foi o melhor GoalPoint Rating entre os guardiões da última edição completa da Premier League, em 2018/19, com os seguintes dados gerais:

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O polaco terminou assim à frente de homens como Hugo Lloris (segundo melhor rating, 5.94), Alison Becker (5.57), Ederson Moraes (5.55) ou Rui Patrício (5.38), referindo apenas alguns dos nome mais “populares”. Sendo certo que, num contexto estatístico, a quantidade de trabalho enfrentado acaba por beneficiar os guardiões mais acossados, a verdade é que sem qualidade não há rating, e Fabianski enfrentou dificuldades em quantidade e resolveu-as quase sempre com qualidade, terminando com uma média de cerca de quatro defesas a cada 90 minutos e 73% de remates enquadrados com a sua baliza travados. A título de comparação exemplificativa, podemos referir que o nosso conhecido Ederson Moraes (e campeão, na época em análise) travou apenas 71,6% dos remates à sua baliza, com uma média de apenas 1,5 defesas a cada jogo completo disputado.

Muitos são os outros méritos que definem Fabianski como um guarda-redes que demonstra qualidade ao mais alto nível, mas escolhemos um que acaba por resumir outra faceta fundamental num guardião confiável: o polaco tem apenas um erro grave resultante em golo desde a época 2017/18, o que lhe confere o melhor registo destacado entre todos os guardiões que, no mesmo período, disputaram pelo menos 50 jogos na Premier League*. Só Hugo Lloris soma, sozinho, nada menos do que nove erros que terminaram em golos do adversário.

Outro pormenor relevante que ressalta dos números acima apresentados é a eficácia com que Fabianski sai às bolas aéreas (90%), registo no qual deixou atrás de si 17 guardiões que disputaram a Premier 18/19. Mais uma vez em jeito de comparação, destacamos por exemplo Allisson Becker, que se fica pelos 75%.

Odysseas… de tranquilidade

Sendo certo que a lesão de Fabianski terá “congelado” a ambição de Bruno Lage para esta janela de mercado, a verdade é que o desempenho de Odysseas também terá tranquilizado o treinador “encarnado”. Esse rendimento resulta interessante quando colocado lado a lado com os números de Fabianski na época em curso, mostrando que, apesar de teoricamente enfrentar menos trabalho que o guardião do West Ham, Vlachodimos tem tido mais trabalho (e mérito) do que muitos possam pensar ao olhar o registo de golos sofridos do Benfica, o que lhe confere um rating pouco habitual (pela positiva) entre guardiões de “grandes” da Liga NOS.

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O Benfica pode sofrer poucos golos, mas a verdade é que Vlachodimos enfrenta bem mais remates (5,1 a cada 90 minutos) do que, por exemplo, Marchesín (3,4) e quase tantos como o guardião bracarense Matheus (5,6), disparando na percentagem de remates enquadrados que trava (84%, Marchesín fica-se pelos 73%, Matheus com 70% e Luís Maximiano 68%). O grego sofre poucos golos, mas “vê-se bem mais grego” do que o adepto comum imagina para sustentar as 13 “clean sheets” que já soma.

Conclusão? O desempenho fundamenta o interesse de Bruno Lage em Fabianski e, sendo certo que Vlachodimos tem vindo a relativizar cada vez mais o tema, a questão impõe-se: e se, subitamente, as “águias” deixam de poder contar com Odysseas?

*dado via whoscored