O FC Porto somou o segundo jogo sem ganhar na Liga dos Campeões 2016/17. O “dragão” perdeu na visita ao campeão inglês Leicester City por 1-0, golo do bem conhecido Islam Slimani, que não se cansa de marcar aos “azuis-e-brancos”. Diga-se que o Porto deve grande parte do desaire a uma evidente ineficácia ofensiva. À segunda jornada os “azuis-e-brancos” somam apenas um ponto.

Pouca intensidade

O FC Porto até começou melhor. Ao quarto-de-hora a formação lusa levava dois remates (desenquadrados), contra nenhum do Leicester, apesar dos 53% de posse dos ingleses. Mas aos poucos as coisas foram mudando, com o 4-4-2 do Porto – André Silva e Adrián López jogaram na frente – a não encaixar bem no mesmo sistema de uma equipa inglesa habituada a este tipo de abordagem.

Assim, aos 25 minutos, Slimani voltou a marcar ao Porto, o sexto a Iker Casillas, sétimo aos “dragões” – um verdadeiro pesadelo do espanhol. O ex-“leão” antecipou-se a Felipe e facturou de cabeça, após cruzamento de Mahrez da direita. Surgiu ao terceiro remate inglês, segundo enquadrado.

Num primeiro tempo em que o Leicester teve o dobro das faltas do Porto (14-7), os comandados de Nuno Espírito Santo terminaram a primeira metade com ligeiro ascendente na posse (51%), fruto da tentativa de chegar ao empate. Nessa procura, o Porto chegou ao intervalo com quatro remates, mas nenhum enquadrado com a baliza de Kasper Schmeichel.

Ao invés, a eficácia contrária ditou leis. O destaque no primeiro tempo vai inteiro para Slimani. O argelino dá-se bem com o Porto e chegou ao descanso na liderança do GoalPoint Ratings, com 6.2 – dois remates, ambos à baliza, sem esquecer o inevitável fora-de-jogo que tanto o caracteriza. Em segundo o portista Danilo, com 5.9, pois foi competente a segurar as transições contrárias e no passe – fez 22 entregas, com 91% de eficácia, ganhou todos os sete duelos em que participou e registou sete alívios.

“Dragão” reage sem fogo

O segundo tempo pertenceu ao Porto em termos de iniciativa. Porém, tal como na primeira parte, as investidas atacantes “azuis-e-brancas” esbarravam na má pontaria.

O primeiro remate enquadrado do Porto surgiu apenas aos aos 64 minutos, num cabeceamento de Felipe, ao sétimo disparo. Aliás, os números finais no capítulo do remate explicam o desaire em Inglaterra. O “dragão” terminou a partida com o dobro dos remates do seu adversário (12-6), mas com exactamente o mesmo número de enquadrados (3).

Ao nível da Champions a média de eficácia de remate está em torno dos 36% e o Porto, nesta partida, não foi além dos 25%, contra os 50% do Leicester.

Nada é assim tão linear, mas desta feita ao Porto não chegou ter mais bola (61% no jogo, 68% na segunda parte), ter muito melhor qualidade de passe (81% para 69% dos ingleses) ou mesmo a qualidade de Danilo Pereira no equilíbrio defensivo. Faltou ao Porto ter um Slimani, e o Leicester teve-o.

Danilo, demasiado curto

O habitual pêndulo portista voltou a sê-lo. Após ficar atrás de Slimani ao intervalo no GoalPoint Rating, no final do jogo foi o internacional português a terminar com melhor pontuação, 6.7.

Faltou Danilo influente a atacar como o foi a defender. A construir fez pouco, “apenas” com 93% de 57 passes certos, mas no trabalho duro esteve imparável: 79% de 14 duelos ganhos, 88% deles nos oito em que participou pelo ar, oito alívios e 12 recuperações de bola. Impressionante, mas curto para as ambições portistas.

Do lado inglês, Slimani acabou por perder fulgor, ao mesmo tempo que Mahrez o foi ganhando, e foi o compatriota do ex-sportinguista quem liderou entre os homens da casa, com GoalPoint Rating de 6.5, fruto essencialmente da assistência, dos seis dribles eficazes que realizou em dez e dos três remates. Um autêntico quebra-cabeças.

Outros números:

  • Alex Telles 6.1 – Muito bem nos cruzamentos, completando três das suas cinco tentativas. Ainda foi o portista com mais desarmes (4)
  • Otávio 5.3 – Muito em jogo, disputou 23 duelos, ganhando 13, mas perdeu 24 vezes a posse de bola e ainda cometeu quatro faltas
  • Óliver 5.2 – Pareceu ainda sem ritmo para estas andanças. Tentou o desarme por seis vezes mas foi ultrapassado em quatro delas
  • André Silva 4.3 – O “miúdo” bem tentou e até ia marcando um grande golo logo a abrir, mas a partir daí foi sempre a descer. Os cinco domínios de bola deficientes são exemplo disso.
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