Se há coisa em que aqui no GoalPoint, orgulhosamente não alinhamos, é na culpabilização da arbitragem por todos os males do futebol português e dos insucessos de cada clube em particular. Ficámos agradavelmente surpreendidos com o que acolhimento que tiveram outros trabalhos que já fizemos, e nos quais relativizámos os erros no apito tendo em conta tudo o que (naturalmente) se falha dentro do campo, visto que é um jogo jogado (e julgado) por seres humanos, mas desta vez decidimos ir mais longe, sobretudo após contabilizarmos ontem as variações significativas que se verificam no topo da tabela no que toca à frequência de erros com impacto no resultado final. Chega a hora de perceber que impacto tiveram esses erros, até agora (Jornada 25) nos resultados (e consequentemente) na classificação das equipas.

Cada jogo de futebol está cheio de “ses”, e cada evento depende de todos os seus anteriores, mas se o que não faltam por aí são “ligas da verdade”, baseadas em subjectivas avaliações de decisões de arbitragem tomadas em condições bastantes diferentes daquelas em que são julgadas, resolvemos fazer também nós uma simulação, desta vez baseada nos (ligeiramente mais rigorosos) critérios da Opta para os falhanços individuais.

O método usado é simples. Se cada ocasião de golo flagrante falhada entrasse, e cada golo resultante de um erro individual do adversário não contasse, quais seriam os resultados de cada jogo e como estaria a classificação da Liga NOS? Vamos primeiro ao “boneco”, depois as explicações e classificação “certeira” de toda a Liga.

Liga NOS 15/16: Quem seria o líder sem falhanços?
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

Benfica: deve e haver centrado nos “jogos grandes”

Começando pelo líder, curiosamente aquele que entre os “três grandes” veria menos resultados afectados pelos seus próprios erros e dos seus oponentes. A diferença estaria em apenas três jogos. O primeiro, a vitória em Braga por 0-2, que teria sido uma derrota não fossem as três ocasiões falhadas pelos comandados de Paulo Fonseca, depois, e no sentido inverso, a derrota em casa com o FC Porto que teria sido uma vitória clara caso Mitroglou (2) e Gaitán (1) não tivessem falhado na “cara do golo”. Por fim a recente vitória em Alvalade que teria sido um empate se não fosse o clamoroso falhanço de Ruiz. O balanço são 2 pontos a mais.

Sporting: Muitas falhas perto da baliza, contra e… a favor

Na memória dos sportinguistas estão os recentes jogos com Vitória de Guimarães e Benfica, em que os leões ficaram a dever a si próprios mais quatro pontos, mas o campeonato teve mais 22 jornadas, e também já houve casos inversos, vários. O mais surpreendente de todos foi em Vila do Conde na 4ª Jornada. O Sporting venceu por 1-2, mas já poucos se lembrarão que marcou um dos seus golos graças a um erro de Cássio, e que Aníbal Capela e Pedro Moreira falharam dois golos na cara de Rui Patrício. A vitória na Madeira contra o Marítimo contou também com a preciosa ajuda de um falhanço de Marega, e feitas as contas finais o Sporting no deve e haver devia ter… 59 pontos. Os mesmo que tem hoje, mas estaria em igualdade pontual com o Benfica.

O balanço leonino poderá surpreender, tendo em conta que os “verde-e-brancos” são os que mais ocasiões de golo desperdiçaram até agora mas há o reverso da medalha: a equipa de Jesus obteve seis golos decorrentes de erros defensivos directos dos adversários, alguns deles com influência directa nos pontos em disputa.

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