Com a última paragem para selecções até ao final da época e apenas oito jornadas até ao fim da Liga NOS, este é o momento perfeito para mais um Barómetro Goalpoint – com o qual vamos poder medir o pulso por uma última vez as equipas da Liga NOS 2018/19. Como é já habitual, de forma a podermos aferir melhor as características actuais das equipas, neste ranking vão constar apenas dados das últimas oito jornadas do campeonato.

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No topo, Benfica e Porto estão empatados com 63 pontos na luta pelo título, mas continuam a mostrar-se bem diferentes em campo. Influenciados também pela óptima sequência de resultados e exibições sob o comando de Bruno Lage, os “encarnados” estão numa categoria à parte no que toca ao seu volume ofensivo: não só são quem marca mais, como quem cria com maior qualidade. Até rematam menos que o FC Porto, mas somam melhor qualidade nas suas oportunidades, com mais expected goals (xG), 2,8, e ocasiões flagrantes, 4,7. Já os homens de Sérgio Conceição, apesar de terem perdido pontos nesta sequência de jogos, destacam-se de um ponto de vista defensivo: na liderança nos duelos aéreos defensivos e na pressão em zonas mais adiantadas do terreno (liderando em acções defensivas no último terço e percentagem de acções defensivas acima do primeiro terço), tornam-se um conjunto muito difícil de bater sem bola. Os “dragões” são notáveis pelos poucos golos e oportunidades que concedem.

Um pouco atrás na luta pelo título, mas na batalha pelo pódio, estão Sporting de Braga e Sporting, que são ainda as duas equipas que mais cruzam no campeonato – pois têm na frente os dois pontas-de-lança que melhor se dão com o jogo aéreo em Portugal, Dyego Sousa e Bas Dost. Mas as semelhanças acabam por aí: o Sporting marca tanto como o Porto e é a terceira equipa que mais remata no campeonato, sendo ainda das mais pacientes em posse. Com 192,5 é a terceira formação com mais passes no próprio meio-campo. Já o Braga caracterizar-se por uma posse mais objectiva, sendo apenas a nona com mais passes no próprio meio-campo (166,4) – mas a terceira com mais no meio-campo adversário (256,5) -, e por uma maior solidez defensiva: os “arsenalistas” são o terceiro conjunto em acções defensivas no ultimo terço (5,9) e terço intermédio (16), para além de serem a segunda equipa que menos remates na área consente (4,9).

[Gráfico da evolução da classificação até à 26ª Jornada da Liga NOS 18/19]

O desejo europeu

Um pouco mais abaixo temos uma luta a três pelo último lugar europeu da tabela: Vitória de Guimarães, Moreirense e Belenenses SAD irão lutar até ao fim por um lugar na Liga Europa 2019/20. Os vitorianos e os “azuis” são ambos conjuntos que dão prioridade à solidez defensiva através de um jogo de posse. Os homens de Luís Castro têm mesmo a segunda média mais baixa de golos sofridos (0,63), algo que podem ligar à excelente temporada de Douglas entre os postes – são a equipa com mais alta percentagem de remates enquadrados defendidos. O Belenenses SAD de Silas é, por sua vez, a formação que mais passes faz no seu próprio meio-campo (257), destacando-se claramente do Benfica, que é segundo, com 215,6. Os lisboetas registam um volume baixo de remates para uma equipa tão bem classificada, mas são a segunda equipa com maior taxa de conversão – algo parcialmente explicado pela forma como criam ocasiões, procurando movimentos e passes de ruptura (0,9 / jogo) a uma frequência só acompanhada pelos dois primeiros classificados.

O Moreirense de Ivo Vieira marca a diferença com o seu estilo de jogo. Tem muito menos posse, focando-se mais no momento de pressão – joga com uma linha bem subida. Os cónegos são uma das equipas com mais acções defensivas acima do primeiro terço do terreno, abaixo dos quatro primeiros, e mantém-se como um dos conjuntos que mais foras-de-jogo provoca (4,0). Assim, limitando mais activamente a construção adversária, é a terceira formação que menos remates permite (apenas nove por jogo).

A meio da tabela, os recém-promovidos Santa Clara, Rio Ave e Portimonense somam todos 32 pontos – longe da descida, mas muito distantes dos lugares europeus. Os açorianos vão mostrando elevada competência no jogo aéreo defensivo e ainda no trabalho do seu guarda-redes (Marco integra mesmo o “onze” português do campeonato, com base nos GoalPoint Ratings), pois apesar dos 1,32 expected goals consentidos, sofreram apenas 0,63, nestas oito partidas em análise. São neste período a terceira equipa da Liga com maior percentagem de remates enquadrados defendidos.

As saídas de João Schmidt e Carlos Vinícius em Janeiro não ajudaram, e o Rio Ave vai mesmo rematando cada vez menos. Devido às características de jogo interior dos seus extremos, é de longe a formação que menos procura acções de cruzamento no campeonato. Já os algarvios, de António Folha, mantêm a dualidade de misturar debilidades defensivas e qualidade com bola: atrás dos “três grandes” são a equipa com maior percentagem de posses a terminar em remate (9,4%).

A luta pela sobrevivência

Por fim, a luta pela permanência, que esta época se estende ao 11º lugar, onde neste momento se encontra o Marítimo – que com 27 pontos está apenas a dois do 16º lugar, que dá descida ao segundo escalão. O Chaves até foi, destas equipas, aquela que mais pontos acumulou ao longo dos últimos oito jogos, mas a recente mudança de treinador irá certamente levar a alterações na sua abordagem. A nível de pontos segue-se o Desportivo das Aves, que se tem vindo a dinamizar no 3-4-3 de Augusto Inácio. Os avenses permitem muito poucas oportunidades aos adversários – estando em segundo em remates e em xG consentidos, e terceiro em remates na área permitidos – e contra-atacam de forma muito directa, sendo agora a equipa que menos passes executa e que mais procura o passe longo para o último terço. Não têm marcado com muita frequência recentemente, mas o volume de oportunidades aponta para que isso se altere.

Ainda entre os que mais criam nesta segunda metade da tabela, temos o Boavista e o Nacional. Os “axadrezados” têm vindo a baixar as suas linhas e a jogar de forma mais directa com Lito Vidigal ao comando, sendo a sua percentagem de acções defensivas acima do primeiro terço e o número de passes cada vez menor. No entanto, tal não os tem impedido de ser perigosos na frente: abaixo dos quatro primeiros, só o Vitória de Guimarães cria ocasiões de melhor qualidade que os 1,53 expected goals por jogo das “panteras”.

Por outro lado, o Nacional procura a abordagem inversa. Com a percentagem mais elevada de acções defensivas acima do primeiro terço – mas abaixo dos quatro primeiros classificados (32%) -, os madeirenses procuram praticar um jogo de pressão que, no seu caso, se torna altamente arriscado. São agora o conjunto que mais golos e xG permitem, apesar de consentirem um número mediano de remates. Ser a equipa com menos faltas também não tende a ser uma boa curiosidade para uma formação que tenta pressionar em zonas avançadas do terreno.

Com números ofensivos muito pobres, o Vitória de Setúbal – caracterizado pelo seu jogo directo para os seus avançados Mendy e Cádiz – tem tido muitas dificuldades com bola nos pés, mas vai compensando sem bola. Não só permitem menos expected goals (xG) que quase todas as equipas da segunda metade da tabela, como têm os seus guarda-redes a realizar uma óptima temporada e a minimizar ainda mais os danos (82% dos remates enquadrados defendidos).

Por fim, as equipas que vão mostrando mais dificuldades no campeonato: o último classificado Feirense, o Tondela e ainda o Marítimo – que estará longe da segurança apesar do enganador 11º lugar. Mostrando grandes debilidades tanto com bola como sem, os três conjuntos têm números recentes desanimadores e poderão sentir dificuldades para manter-se no primeiro escalão, caso não alterem algo na sua abordagem.