A pós o Barómetro GoalPoint de análise ao desempenho dos três candidatos ao título, FC Porto, Benfica e Sporting, a altura é de olharmos para baixo, onde a emoção pode não arrastar milhões de adeptos, mas é igualmente intensa, com drama e angústia à mistura e, certamente, incerteza até à última jornada. Falamos da luta pela manutenção na Liga NOS, que não conhece tréguas.

A classificação na parte inferior da tabela está bastante embrulhada. Aliás, olhando para o panorama geral, apenas nove pontos separam o último classificado, o Estoril Praia (21 pontos), do nono, o Portimonense. É relativamente seguro dizer que nenhuma destas dez equipas está a salvo de problemas. Porém, centramos a nossa atenção nos emblemas que ocupam neste momento os últimos quatro lugares da Liga  – ainda que o 14º tenha os mesmos 24 pontos do 15º, o que diz muito acerca do interesse que gera este “sprint” final. O que produziram até agora Estoril, Moreirense, Feirense e V. Setúbal? Que fraquezas colocam estes conjuntos em situação tão complicada? Onde podem melhorar e aumentar a esperança de salvação? O GoalPoint dissecou os números destas formações até ao momento. Primeiro os números depois as notas:

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  • O Estoril Praia está a viver uma época de sobressalto. Após bater o Tondela, Sporting e Moreirense entre as jornadas 20 e 22, algo aconteceu aos “canarinhos”, que perderam cinco partidas consecutivas. Olhando o desempenho até à 26ª jornada fica claro que um dos principais problemas da equipa está no ataque. Dos quatro clubes em análise, o Estoril até é o que remata mais por jogo (14,4), mas aproveita muito pouco dessa cadência de tiro (6%). Algo precisa de mudar no aproveitamento ofensivo, caso os estorilistas queiram garantir a permanência.
  • O Moreirense, penúltimo, também não faz muito melhor, com 7% de concretização, enquanto é, dos quatro, o que menos ocasiões flagrantes cria por jogo (1,0) – compensando isso com os 48% de aproveitamento. Por seu turno, Feirense e V. Setúbal estabilizaram nos 11% de concretização, mesmo realizando menos remates. Os homens de Santa Maria da Feira têm identificados dois dos seus grandes problemas, os poucos remates que consegue realizar por partida (8,6) e o fraco aproveitamento das ocasiões flagrantes (35%).
  • De novo olhando para o Estoril, agora numa perspectiva de qualidade de passe, nota-se que se trata de uma equipa menos objectiva que as outras três, algo que, pela posição que ocupa, urge alterar rapidamente. A formação da Linha até faz bastantes passes para finalização por jogo (10,0), mas precisa só marca um golo a cada 353 passes eficazes, contra, por exemplo, os 211 do Feirense e os 210 do V. Setúbal.
  • Quanto às questões defensivas, os problemas parecem transversais: mais do que o número de remates enquadrados que permitem, os quatro emblemas vêem uma percentagem elevada desses disparos terminar em golo, o que indicia a igual permissão de situações de remate mais perigosas. O destaque negativo vai, mais uma vez, para o Estoril (embora o Vitória não fique longe, pela negativa). Os “canarinhos” permitem, 4,8 disparos na direcção à sua baliza por partida, sendo que desses remates, 42% terminam em golo consentido. Um problema que nem alguns feitos do guarda-redes Renan Ribeiro vieram atenuar.
  • As restantes formações também não se podem gabar de serem competentes a evitar os remates enquadrados adversários, permitindo todos bem acima dos 4.0 – com os sadinos a consentirem que 41% desses disparos acabem em golo. Moreirense (33%) e Feirense (31%) têm aqui motivos para tímido sorriso, com percentagens de golos sofridos mais baixas – o que muito se deve também ao trabalho dos seus guarda-redes.

Até ao fim da actual Liga NOS faltam oito jornadas e o “raio-x” aos quatro últimos classificados está feito. Mas tudo pode ainda mudar, num contexto em que certamente as equipas tentarão colocar tudo em campo. E ainda há outras equipas por perto, também com as suas fragilidades, com Paços de Ferreira (24 pontos) e Desportivo das Aves (25) à cabeça logo… esta parece ser outra “luta” em aberto até final.