Com a primeira paragem da temporada para compromissos internacionais a surgir após a quarta jornada da Liga NOS, é hora de lançar o primeiro Barómetro GoalPoint da época, num novo formato e com novidades.

Para lá de uma selecção de variáveis que dão conta das particularidades e características (preliminares) que marcam o futebol até agora jogado pelas 18 equipas da Liga, introduzimos uma novidade (muito) solicitada pelos nossos leitores, os “Expected Goals” (xG), tema sobre o qual já havíamos escrito algumas linhas.

As conclusões são ainda “à condição”, dado o reduzido número de jogos disputados (4), mas permitem já identificar algumas curiosidades que o avançar da competição se encarregará de confirmar ou anular. Sem mais demoras eis o primeiro barómetro 2018/19, seguido da nossa análise.

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Impressão digital dos “três grandes”… mais o Braga

Benfica, Sporting e Sporting de Braga seguem na liderança partilhada do campeonato, com o FC Porto apenas um ponto atrás. Comecemos pelas “águias”, que demonstram um enorme domínio através do controlo que tem dos seus jogos. A olhar para os números, fica patente que a equipa de Rui Vitória faz muitos passes (473 por jogo), cria muitas situações de remate e, ao ter tanto tempo a bola, faz com que os seus adversários tenham poucas situações de golo. Já o Braga tem aproveitado a “hot streak” do avançado Dyego Sousano “top 3” GoalPoint do mês de Agosto – e as bolas paradas ofensivas para ser a segunda equipa com mais golos marcados no campeonato. Porém, os “arsenalistas” poderão ver esse número a cair lentamente se não diversifica rapidamente fontes criação – a diferença para os Expected Goals é notável (2,80 marcados para 1,15 esperados).

Ainda a Norte, os homens de Sérgio Conceição mantém duas características bem vincadas da última temporada: a capacidade de recuperação em zonas altas e o domínio impressionante no jogo aéreo defensivo (69,2% ganhos) – Marcano pode ter saído, mas Felipe ficou e nem Militão nem Diogo Leite têm pecado neste aspecto. Ainda de um ponto de vista defensivo, os “dragões” continuam a permitir poucos remates (7,8) e poucos disparos perigosos, pelo que os números apontam a um futuro mais risonho que o presente para a defensiva “azul-e-branca”.

No Sporting assistimos à mudança estilística já por aqui falada e bem notada em campo. Os comandados de José Peseiro são a terceira equipa que mais passes longos para o último terço faz (7,9), baseando muito da sua estratégia ofensiva neste tipo de jogo mais directo – até agora com frutos interessantes. Os “leões” têm ainda algo na base do seu sucesso em comum com o Feirense: os “verde-e-brancos” e os “fogaçeiros” são as duas melhores defesas do campeonato, mas a diferença para o seu xG sofrido é elevada e seria espectável que ambos tivessem sofrido mais (der tabela do Barómetro). Este factor está intrinsecamente ligado à excelente forma dos guarda-redes Salin e Caio Secco neste início de temporada, pois são ainda as duas equipas com maior percentagem de remates enquadrados defendidos. Conseguirão os guardiões aguentar este nível?

Estilos que definem filosofias

No Rio Ave ainda se nota a herança deixada por Miguel Cardoso – sendo a equipa com maior percentagem de passes certos no campeonato (82,5%) –, mas defendendo agora mais baixo no terreno, com um número reduzido de faltas cometidas. Já em Guimarães, a transformação para o jogo de posse e controlo de Castro já vai ocorrendo, mas não sem as suas debilidades naturais de início de época: tanto no que toca à criação de situações de remate, como de um ponto de vista defensivo. Mas importa relembrar que este último é afectado por metade dos seus jogos terem sido fora frente a “grandes”.

Já que falamos de futebol de posse e construção, é importante mencionar a transformação no perfil de Daniel Ramos, que decidiu manter o Chaves na direcção prévia em vez de lhe mudar o rumo. A recusa a jogar longo é quase total (apenas 3,6% das entregas), mas ainda falta muito trabalho na chegada ao último terço.

No reverso da medalha encontramos o Santa Clara, que lidera em passes longos para o último terço (8,2%) e está “de pé quente” neste retorno, em que já leva cinco pontos e é de longe o melhor ataque do campeonato, tirando os “grandes” (até acima de um deles). São a equipa com maior percentagem de remates convertidos (18,2%) e que maior diferença tem entre os golos que marcou e os seu xG (2,30 marcados, 0,90 esperados). Tendo em conta a qualidade individual da equipa açoriana, não é só natural como quase garantido que estes números vão recuar gradualmente.

Ainda nas ilhas, o Marítimo vai dando cartas, com a mesma pontuação que o FC Porto e números sólidos em quase todos os parâmetros, deixando só algum destaque para a quantidade elevada de cruzamentos que realiza no momento ofensivo – tirando partido do lateral Bebeto, que até agora fez 7,3 a cada noventa minutos. O Tondela de Pepa também merece destaque neste capítulo, com a diferença de que faz a maior porção de cruzamentos através dos seus extremos e médios ofensivos.

O destaque negativo vai, para já, para o Boavista, que continua a mostrar fragilidades com bola mas, mesmo sem posse, vai se mostrando uma equipa muito faltosa e com dificuldades para travar os seus adversários.

Ainda estamos junto à casa de partida nesta maratona que é a Liga NOS, mas já vamos vendo destaques em muitos estilos diferentes e com níveis distintos de sucesso. O GoalPoint estará aqui para acompanhar todas as diferentes ideias que forem surgindo nos relvados nacionais durante a temporada.