A Liga NOS está na sua fase decisiva, mas entra agora numa pausa para compromissos das selecções. Portugal defronta Ucrânia e Sérvia no Grupo B de apuramento para o Euro 2020 pelo que chegou a hora de olharmos para os jogadores portugueses com melhor desempenho no campeonato até ao momento, com base nos GoalPoint Ratings – um exercício que fazemos habitualmente nestes momentos da época.

Em comparação com o que realizámos aquando da jornada 7, desta feita com jogadores que registam um mínimo de 1170 minutos, o cenário mudou um pouco, pelo que temos um “onze” luso com muitas alterações, passadas 19 jornadas, fruto da consolidação de números de desempenho objectivos que mostram um retrato cada vez mais fiel do que se tem passado esta temporada. Apenas três jogadores repetem a presença, com a curiosidade de, desta feita, cinco deles fazerem parte da convocatória de Fernando Santos.

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Marco (Santa Clara) 5.99 – Só seis guarda-redes portugueses cumpriram o limite mínimo de minutos exigível e Marco consegue o melhor rating entre todos. De regresso à Primeira Liga, dez anos após a primeira passagem ao serviço do Trofense, o guardião formado no Boavista tem-se mostrado muito sólido. Defendeu 74% dos remates dirigidos à sua baliza e ainda não sofreu nenhum golo de fora da área. Apresenta ainda alta eficácia nas saídas pelo ar (90%) apesar de sair poucas vezes a soco (38%).

André Almeida (Benfica) 5.83 – Continua a ser sub-apreciado por muitos, mas vai mostrando rendimento que cala os críticos. Impressiona o seu volume de assistências (oito, todas de bola corrida), ou seja, uma a cada três jogos, mas também tem números defensivos muito positivos. Nos duelos, vence 81% pelo chão e 67% pelo ar, o que faz dele, respectivamente, o quarto e segundo melhor lateral-direito do campeonato em cada um dos itens.

Gonçalo Silva (Belenenses) 5.59 – É um dos três jogadores que mantiveram a posição desde a sétima Jornada. Destaca-se pela enorme quantidade de passes longos que faz a cada jogo (12,4), muitos deles dirigidos ao último terço do terreno (5,3), na procura da profundidade, algo fundamental no modelo de Silas. Defensivamente a sua astúcia revela-se sobretudo nos muitos remates que trava (um por jogo) e pelas poucas faltas que comete (0,6), apesar do elevado número de desarmes (1,6).

Vasco Fernandes (Vitória FC) 5.72 – O melhor central português do campeonato notabiliza-se também pelo que faz com bola. A verticalidade do Vitória de Setúbal tem em Vasco Fernandes o seu expoente máximo desde trás. Nenhum central da Liga NOS tem mais elevada percentagem de passes verticais (47%), com a particularidade de ter sucesso em 63% dos mesmos, número também acima da média. Defensivamente é o terceiro que mais desarma (2,0 / jogo) e o sexto que mais passes intercepta (2,3 / jogo).

Nuno Sequeira (Braga) 5.76 – As prestações nos últimos jogos fizeram com que ultrapasse Rafa Soares e Rúben Lima em cima da “meta”. Numa posição com muitos portugueses, Sequeira destaca-se por ser o que mais cruza (4,2 / jogo). Nas suas incursões ofensivas tem ainda a capacidade para conquistar muitas faltas (2,0 / jogo, com 0,6 no último terço), enquanto a defender se notabiliza pelos muitos desarmes (2,7 / jogo) e pela elevada eficácia nos duelos aéreos (66%).

Danilo Pereira (Porto) 6.01 – Já é um “titular” habitual desta posição, mesmo não estando numa das suas melhores temporadas. Com 1,6 remates por jogo, 1,0 deles dentro da área, tem números ofensivos de fazer inveja a alguns pontas-de-lança, com a particularidade de, esta época, ainda não ter falhado nenhum dos nove dribles que tentou. Defensivamente é o que se sabe. Nenhum médio do campeonato tem melhor eficácia no desarme (91%) e ainda anota 7,6 recuperações de posse a cada jogo.

Pizzi (Benfica) 6.65 – Juntando a Liga NOS às principais Ligas europeias, Pizzi é o jogador com mais assistências esta época (14). Talvez isso fosse justificação por si só, mas o craque do Benfica junta a isso uma excelente capacidade de passe longo (67% de eficácia) e passe vertical (66%). Se a isto somarmos os oito golos e o único 10.0 da Liga NOS até ao momento, está justificada a “titularidade”.

Bruno Fernandes (Sporting) 6.74 – Falar em golos é falar de Bruno Fernandes. Já são 13 na Liga NOS 18/19, aos quais junta dez assistências. A sua influência é tão grande que já participou directamente em 46% dos golos da sua equipa. É o jogador que mais remata de fora da área em todo campeonato (2,3 / jogo), com a particularidade de quase um terço (32%) irem na direcção da baliza.

Rafa (Benfica) 6.89 O melhor português da Liga NOS até ao momento. Rafa está um “homem novo”, batendo esta época todos os seus registos passados no que toca a desempenho estatístico. Os dez golos que já marcou mostram um acerto na finalização nunca visto, que fica comprovado com o facto de ter concretizado 53% das 15 ocasiões flagrantes de que dispôs. É ainda um desequilibrador nato, com 2,6 dribles eficazes a cada 90 minutos (melhor média entre portugueses), e o primeiro a defender, com 5,7 acções defensivas por jogo, 28% delas logo no último terço.

Ricardo Horta (Braga) 6.22 – Outro dos jogadores que mantém a posição, apesar de ter baixado a sua média. Ricardo Horta começou muito bem a época e à sétima Jornada já somava quatro golos. Neste momento tem sete, aos quais junta três assistências, e é o quinto extremo da Liga NOS que mais remata dentro da área (1,5 / jogo). Denota ainda uma excelente eficácia nos cruzamentos (28%) e nenhum extremo da Liga NOS tem melhor eficácia no passe (81%).

Dyego Sousa (Braga) 6.28 – Talvez a grande surpresa de Fernando Santos, e também tem lugar por aqui. Melhor marcador português do campeonato, é também o “rei” da Liga NOS nos remates de cabeça (1,6 / jogo) e vence metade dos duelos aéreos ofensivos que disputa. Como se não bastasse, é ainda o ponta-de-lança com mais passes para finalização por jogo (1,4) e o segundo que mais dribles eficazes consegue (1,2), com eficácia de 53%.

Menções honrosas

Entre os melhores portugueses da Liga, mas que, por uma ou outra razão não couberam neste “onze”, estão ainda estes jogadores:

  • João Félix (Benfica) 6.69 – Por cerca de 80 minutos não cumpriu o limite exigível. Mau timing, porque, com este rating, o teenager seria titular neste “onze”.
  • Pepe (Porto) 6.28 – Teria lugar no onze, como melhor central, mas jogou apenas 636 minutos e não cumpre os requisitos
  • Chiquinho (Moreirense) 6.19 – Uma das grandes revelações do campeonato. Só as grandes épocas de Pizzi e Bruno Fernandes lhe “tapam” o lugar.
  • João Palhinha (Braga) 6.04 – Ganhou recentemente a titularidade no Braga e tem estado em bom nível. A continuar assim, poderá “conquistar” o lugar a Danilo.
  • Ricardo Ferreira (Portimonense) 5.93 – Ficou a apenas seis centésimas de Marco, sofrendo com a falta de estabilidade defensiva da sua equipa.
  • Mauro Cerqueira (Nacional) 5.91 – Mais um jogador com pouco tempo de jogo (apenas nove jogos), mas com excelente desempenho nas oportunidades que teve.
  • Nuno Campos (Nacional) 5.74 – Um lateral polivalente que vai “ameaçando” o lugar de André Almeida, graças aos excelentes desempenhos defensivos.
  • Rafa Soares (Vitória SC) 5.74 – Ficou a escassas três centésimas de Sequeira, titular no rival do Minho.
  • Fábio Cardoso (Santa Clara) 5.56 – Tinha feito parte do “onze” luso da sétima jornada, mas desta vez foi relegado para o banco, por três centésimas.
  • Rúben Dias (Benfica) 5.54 – Entre todos os convocados por Fernando Santos que actuam na Liga NOS é o que ostenta o rating mais baixo. Uma época abaixo das expectativas.