Quando o FC Porto decidiu abordar a época de 2015/16 sem um “10” de raiz no plantel, muitos estranharam a opção. Na época passada havia Óliver Torres, e até Quintero podia assumir a posição em caso de ausência do espanhol, mas a construção do plantel para esta época não concebeu no plano um jogador que, pelo centro, fosse capaz dos desequilíbrios e rasgos de criatividade que um candidato ao título preconiza.

No início da época, André André foi várias vezes utilizado nessa função, mas a sua chama foi-se apagando e, com José Peseiro, é Herrera quem tem aparecido mais próximo do ponta-de-lança. No entanto, e apesar de terem características diferentes entre eles, as suas carreiras foram sendo feitas sempre na posição “8”, ou mesmo “6”.

Mas enquanto o FC Porto penava por encontrar criatividade que não viesse apenas das alas, no mesmo posto de André André começava a brilhar um menino brasileiro que tinha chegado ao Dragão como promessa, mas que até aí tinha passado quase despercebido. No “berço” desde a última metade da época passada, Otávio até começou esta temporada como suplente de outro ex-jogador do FC Porto, Tozé, mas a partir do final do Dezembro agarrou a titularidade e começou a deliciar quem acompanha os jogos do Vitória de Guimarães.

Seis golos e sete assistências depois, mas não só, já ninguém tinha dúvidas, e o próprio presidente Pinto da Costa confirmou na semana passada, em entrevista, que Otávio vai integrar o plantel do Porto em 2016/17. E, dizemos nós, talvez seja o primeiro grande reforço para a próxima época. Vamos perceber porquê.

Como joga Otávio

Quem está à espera de um jogador certinho no passe, a jogar pelo seguro, com poucas perdas de bola, pode esquecer. Otávio é dos que assume o jogo e pega na bola para arriscar.

MoneyBall Players | Otávio, o prometido

Como se pode ver pelo quadro, enquanto André André e Herrera são jogadores que, tendo a bola, optam pelo passe quatro em cinco vezes. Otávio tem uma tendência muito maior para apostar no desequilíbrio individual, e como veremos mais à frente, com algum sucesso. Quanto ao remate, os três revelam a mesma tendência para apostar nesse recurso, mas Otávio tem menos aptidão para o fazer de dentro da área. Ainda assim, revela taxas de eficácia maiores no enquadramento dos remates com a baliza, característica que já lhe valeu dois golos de fora da área esta época.

MoneyBall Players | Otávio, o prometido

Se no remate as diferenças não são extremas, na qualidade técnica individual Otávio supera por larga margem tanto André André como Herrera.

MoneyBall Players | Otávio, o prometido

Além de apostar muito mais nas acções individuais, e apesar de jogar tipicamente em zonas ligeiramente mais avançadas no terreno, Otávio consegue ter ainda uma maior taxa de sucesso nessas iniciativas. Essa boa qualidade técnica individual permite-lhe também ganhar uma quantidade assinalável de faltas, as quais, se lhe for dada esse responsabilidade, consegue transformar em perigo, como se pode ver pelas ocasiões de golo que cria em lances de bola parada, sendo igualado apenas em todo o campeonato por… Miguel Layún.

Mas será que como criativo que é, Otávio é o típico número “10” que pouco ou nada defende? Também não.

MoneyBall Players | Otávio, o prometido

Otávio faz mais faltas e consegue mais desarmes que as actuais opções, e também não é pior em nenhum dos outros parâmetros defensivos.

Moneyball Players | Otávio, o prometido
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

Conclusão

O GoalPoint Ratings já o dava a entender, visto que Otávio é neste momento o jogador com a segunda melhor média da Liga NOS, apenas superado por Jonas, mas o descascar dos números confirma que estamos na presença de um jogador quase completo. Um “10” moderno e criativo mas que não se limita a atacar, e que garante golos e assistências com uma cadência que, sendo titular num clube grande, podem ambos chegar aos dois dígitos.

Otávio está assim, oficialmente, confirmado como um “MoneyBall player”.