Decorridas que estão 27 jornadas da Liga NOS, e aproveitando a paragem para os compromissos da selecção nacional, altura ideal para realizar um “check-up” às 18 equipas que compõem o nosso campeonato. Algo que o ajudará a saber o que esperar de cada uma delas, mas também uma maneira de mostrar o potencial que os dados estatísticos têm para perceber a sua maneira de jogar.

Através de cinco importantes variáveis do jogo (mais haveria) fomos tentar perceber não só a frequência com que as equipas utilizam certos recursos, mas também a eficácia com o que fazem. A leitura dos gráficos é simples, quanto mais acima estiver o ponto, mais frequente é a acção, e quanto mais à direita estiver, maior a eficácia da mesma. Na maioria dos casos (e estranho seria se fosse ao contrário), as equipas fazem mais vezes aquilo que fazem melhor, mas nem sempre é assim… vamos ao detalhe.

O passe

Liga NOS | "Raio-x" às 18 equipas - Passe

Pode-se dizer que são sete as equipas da nossa Liga que tentam ter um futebol positivo, fazendo da posse e do controlo do jogo uma das suas filosofias. Com os quatro primeiros da Liga à cabeça de todos os outros – o que mostra que normalmente estamos mais perto de ganhar quanto mais temos a bola -, sobram três equipas (Estoril, Rio Ave e Belenenses), que também fazem uma média de passes por jogo acima da média. Duas delas têm forte influência espanhola, visto que o treinador do Estoril, Fabiano Soares, fez grande parte da sua carreira em Espanha e terá absorvido algumas tendências, e o Belenenses teve uma mudança radical no estilo de jogo a partir da 14ª Jornada, quando o desconhecido técnico espanhol Júlio Velázquez pegou na equipa. Sobra Pedro Martins, homem que já no Marítimo mostrava esta característica, e que tem feito sempre épocas positivas também ao nível das Taças.

Entre os “grandes” quem se destaca neste aspecto é o FC Porto, influenciado também pela herança deixada pelo espanhol Julen Lopetegui, que levava ao extremo a cultura da posse, ao ponto de às vezes se esquecer que existiam balizas…

O jogo aéreo

Liga NOS | "Raio-x" às 18 equipas - Duelos aéreos

Inversamente proporcional à aposta no passe está a procura pelo jogo aéreo, algo que fica claro no gráfico, mas com algumas excepções. Porto, Benfica e Braga são de longe as três equipas que menos utilizam esse recurso, mas curiosamente, principalmente no caso do Benfica, o gráfico deixa a indicação que até devia usar mais.

Apesar de os grandes responsáveis pela eficácia do Benfica no jogo aéreo serem Jardel (76%) e Lisandro (73%), também na frente o Benfica tem dois avançados com eficácias bem acima da média quando obrigados a disputar bolas pelo ar. Mitroglou (47%) e Jonas (45%) ganham quase metade dos duelos que disputam pelo ar, e não ficam atrás da habitual dupla do Sporting, que tenta (e bem) explorar a capacidade de Slimani (47%), mas tem um Teo Gutiérrez que ganha apenas 11% dos lances aéreos que disputa.

Curioso ainda o caso do Nacional, a equipa menos eficaz pelo ar, e muito por culpa de um… defesa-central. Rui Correia, habitual titular, ganha apenas 30% dos duelos aéreos apesar do seu 1,88m. Algo que desmistifica a teoria de que os centímetros equivalem a eficácia.

O cruzamento

Liga NOS | "Raio-x" às 18 equipas - Cruzamento

Mais um indício de quão formatado está o jogo do Sporting para explorar as capacidades de Slimani é a quantidade de cruzamentos que os “leões” fazem por jogo em comparação com as outras equipas. O Benfica, que é a segunda equipa com mais cruzamentos por partida, faz menos quatro que o Sporting, mas apresenta uma eficácia ligeiramente maior. Isto deve-se em grande parte ao acerto de Nico Gaitán (33%) e de Gonçalo Guedes (40%) quando jogava, e à falta de eficácia de Gelson (13%) e João Pereira (18%) nos “verdes-e-brancos”.

As duas equipas mais “deslocadas” são os dois Vitórias. O de Guimarães tem uma eficácia muito boa, graças a Otávio (33%) e Ricardo Valente (30%), mas explora pouco esse recurso, enquanto o de Setúbal aposta muito no jogo pelos flancos para tirar partido dos seus dois homens na área, mas depois apresenta uma eficácia de cruzamento muito baixa, pois os dois maiores “cruzadores” (Ruca e William Alves) têm uma eficácia de apenas 15%.

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