Liga portuguesa é a menos “democrática” da Europa 🏆

O 37º título do Benfica, conquistado esta semana, veio reforçar uma tendência histórica tão pouco surpreendente como merecedora de reflexão: a Liga portuguesa é um “clube” muito restrito no que toca ao histórico dos seus vencedores, tão restrito que a actualmente conhecida como Liga NOS é, a par da Liga turca, a menos “democrática”, na hora de contabilizar quantas equipas diferentes já conquistaram os títulos de campeão em disputa por toda a Europa.

Eis o “mapa” actual, publicado no reddit pelo redditor u/areking:

Vencedores-Ligas-2019
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O registo nacional permanece nos cinco vencedores diferenciados. Benfica, Porto, Sporting, Boavista e Belenenses são os emblemas que já venceram o campeonato nacional, com as duas últimas equipas da lista a intrometerem-se apenas uma vez na galeria dos vencedores, com a particularidade de os “azuis” o terem feito na já muito longínqua época de 1945/46. Nas principais Ligas europeias apenas a Espanha se aproxima deste registo pouco brilhante, mas ainda assim com nove vencedores diferenciados, quase o dobro de Portugal. E mesmo entre as 23 Ligas historicamente mais recentes, apenas cinco não ultrapassaram ainda Portugal neste domínio.

No extremo oposto surge a Liga holandesa que, apesar de ter visto o histórico Ajax conquistar mais um título (34), contabiliza nada menos do que 33 campeões diferenciados. Mas apesar da diversidade, a Eredivisie vem caminhando para a “ditadura”, tal como outras Ligas: apenas cinco vencedores diferentes, desde 1964. A Alemanha apresenta um histórico com 29 vencedores, com Inglaterra e França a ocuparem também o “top 10” da “competitividade histórica”, embora também a prova germânica se vá habituando à hegemonia bávara (sete títulos consecutivos do Bayern, desde 2012/13).

Sendo o afunilamento competitivo um problema cada vez mais visível nas principais Ligas, o caso português não só não é uma novidade como caracteriza a Liga desde sempre. Resta saber se, por cá, alguém estará realmente interessado em inverter a tendência histórica, num futebol em que os próprios adeptos concentram o seu apoio de forma tudo menos… democrática.