O Sporting devolveu ao Lokomotiv a “cortesia” registada em Alvalade vencendo os russos em Moscovo por 4-2 e recuperando o controlo do seu destino na Liga Europa. Um jogo onde as “crias” do “leão” (Gelson e Matheus) brilharam mais alto, no apoio a um Montero que volta a dar razões a Jesus para questionar quem deverá acompanhar Slimani na frente de ataque na Liga NOS.

Como já é habitual, Jorge Jesus procedeu a diversas alterações no “onze”, umas forçadas, outras por opção. Esgaio e Jonathan foram exemplos, ocupando as laterais habitualmente entregues a João Pereira e Jefferson. Com William ausente o meio-campo voltou a ser composto pela dupla que iniciou a época (Adrien e João Mário) com Ruiz a repetir o papel de apoio ao avançado (Montero) que já havia protagonizado (com bons resultados) na Turquia. Nas alas Jesus lançou Gelson e Matheus que viriam a revelar-se instrumentais no resultado obtido pelos “leões”.

Entrar a frio, sair a rugir

O Sporting entrou praticamente a perder, quando aos cinco minutos um desentendimento entre Adrien e a defesa leonina permitiu a Maicon prosseguir isolado rumo à baliza de Boeck, encostando sem dificuldade para o primeiro no único remate enquadrado que os russos fariam durante quase toda a partida (o segundo chegaria apenas na segunda parte).

Apesar do golo sofrido, os “leões” iam mostrando desde o início significativa desenvoltura ofensiva e invulgar acerto com a baliza pelo que o golo do empate por Montero, 15 minutos, depois não constituiria surpresa quando, por essa altura, os “leões” já somavam três remates, todos eles enquadrados com a baliza de Guilherme. Montero viria a revelar-se novamente decisivo, quando aos 38 minutos assistiu Ruiz numa bela combinação que dava a vantagem aos “leões”. A primeira parte não terminaria sem que o irrequieto Gelson se estreasse a marcar na Liga Europa, levando o “leão” para um intervalo descansado, assente numa vantagem totalmente justa: os “verde-e-brancos” iam para o balneário com oito remates feitos, seis deles à baliza adversária contra apenas um (o do golo). Sem discussão.

Matar e pensar no Besiktas

Perante tão interessante resultado não seria de admirar que o Sporting regressasse mais “poupado” no segundo tempo. E se o Lokomotiv regressou mais afoito (mas nem por isso mais objectivo), seria o Sporting a aumentar a vantagem e a fechar a contagem aos 60 minutos, por intermédio de Matheus Pereira, num encosto de fora da área após desmarcação a passe de Gelson, num golo made in Alcochete.

Até final ainda se assistiram a bolas nos “ferros” de parte a parte e a um segundo golo russo, que não deixa de ser um feito tendo em conta que os anfitriões conseguiram marcar dois tentos nos únicos dois remates que souberam enquadrar com a baliza de Boeck. Um resultado saboroso que relança o Sporting no apuramento, após alguns cenários menos optimistas em jornadas anteriores.

Gelson, Matheus e Montero, um trio de “quebra-cabeças”

Quando avançámos para o cálculo dos GoalPoint Ratings deste encontro sabíamos que o Homem do Jogo GoalPoint sairia do trio que dinamitou o Lokomotiv, constituído por Gelson, Montero e Matheus, mas esperávamos que a decisão se centrasse nos primeiros dois.

Foi com surpresa relativa (ou talvez não, ao analisarmos os números em detalhe, o algoritmo não engana) que percebemos que o nosso “Man of the Match” seria Matheus Pereira, ainda que por apenas quatro décimas de vantagem sobre Montero, penalizado por uma ocasião clara falhada e por um fora-de-jogo que nos escapou no “achómetro” visual. Já Matheus, para lá de mais rematador, ofereceu ainda dois passes para golo e concretizou o seu de fora da área, factor valorizado pelo cálculo.

A verdade é que, com apenas sete décimas a distanciarem três jogadores todos eles com notas superiores a sete pontos, é caso para dizer… vá “o diabo e escolha”, naquela que foi uma das melhores (senão a melhor) exibições ofensivas do Sporting de Jesus até ao momento, em termos quantitativos.