Lopetegui, a chave do campeonato

Julen Lopetegui tem ao mesmo tempo uma grande oportunidade e um difícil desafio (foto: CC)
Julen Lopetegui tem ao mesmo tempo uma grande oportunidade e um difícil desafio (foto: CC)

É cedo para se traçarem cenários e quem gosta de os fazer deve lembrar-se do que aconteceu, precisamente, há um ano quando o FC Porto teve cinco pontos de avanço e acabou a comemorar uma vitória moral frente às reservas do Benfica campeão nacional.

Mas com o que já se viu de pré-temporada há uma ideia a reter. A chave do próximo campeonato tem 14 letras e dá pelo nome de Julen Lopetegui. O técnico espanhol de ar firme e de quem dá pouca confiança tem em mãos um plantel de qualidade, porventura o melhor em matéria-prima em Portugal. Tem mérito Lopetegui. Exigiu futebolistas que dessem corpo aos anseios dos responsáveis portistas e estes, traumatizados com o passado recente (e também com um plantel fraco, não há outra forma de o dizer), fizeram-lhe a maior parte das vontades. A começar pela baliza, na qual tiveram de ignorar quatro guarda-redes com contrato, a terminar na frente com a renovação de Jackson, passando pela aquisição de jogadores espanhóis como Tello, Oliver, Adrián e José Ángel. Lopetegui começa bem porque não se deixou iludir com a oportunidade de trabalho e teve a coragem de exigir. E neste ponto, se calhar, Paulo Fonseca e Vítor Pereira percebem agora, sobretudo o primeiro, que não se pode aceitar tudo sem pestanejar.

Temos é que perceber se Lopetegui é tão bom a treinar como a exigir. É que isto de montar uma torre e usar um megafone nos treinos é muito engraçado mas não dá pontos. E como treinar uma selecção jovem não é propriamente o mesmo que estar exposto duas vezes por semana à pressão continuada de ganhar, teremos de avaliar se Lopetegui é homem para a empreitada. Já todos entendemos que a sua maneira de ser ganhou pontos, possivelmente até naqueles que se sentiram, ao longo deste defeso, aqui e ali encostados à parede pelo espanhol que não tem currículo para mostrar apesar de ter quase 48 anos.

Com o Benfica em desconstrução acelerada e o Sporting a ter de entrosar mais de dez novos elementos, sem a qualidade dos reforços que chegaram ao Dragão, não me parece descabido verificar que o FC Porto parte na pole position. E esta é uma afirmação que Marco Silva, ao contrário de Augusto Inácio, subscreverá.

Ainda assim, o actual treinador do Sporting tem uma oportunidade enorme de mostrar o que vale num grande. E, vendo bem, nem tem defraudado as expectativas, tirando aquela mania (será só mania?) de se expor em demasiado quando está a ganhar. Percebo o respeito que Marco Silva tem pelos adeptos que pagam bilhete mas deve lembrar-se que o espectáculo só agrada à vista enquanto se ganha. Neste ponto, dificilmente vejo piores adeptos que os dos clubes portugueses. Em primeiro lugar querem vencer – nem que seja com um golo em fora-de-jogo, obtido com a mão e precedido de falta. Só depois vem o espectáculo.

Ainda assim, considero que Marco Silva está mais dependente da qualidade de Lopetegui – um fracasso como treinador de clube, até ao momento – do que da sua própria competência. E até podia ser ao contrário, mas pelo “onze” que o treinador “verde-e-branco” escolheu para o troféu cinco violinos dá para entender que nenhum dos reforços tem qualidade, no imediato, para entrar de caras. Por outras palavras, e porque para bom entendedor um “onze” inicial basta, Marco Silva não deve estar deliciado com as aquisições que lhe facultaram…

Por isto tudo, e como é difícil acreditar nos milagres de Jesus, tem a palavra Lopetegui.