Com Outubro a chegar ao fim, começamos a perceber quais serão as equipas-sensação dos campeonatos europeus, seja pelos resultados impressionantes, pela ideia de jogo que salta à vista ou por terem uma série de craques nas suas fileiras. Dentro deste Hall of Fame de equipas que vão batendo pé aos grandes esta temporada encontra-se, por certo, o Espanyol, do técnico Rubi, que se encontra em segundo da Liga espanhola – apenas a um ponto do líder (e rival) Barcelona. Acontece que, hoje em dia, falar de Espanyol é – obrigatoriamente – falar de Marc Roca.

Roca é internacional sub-21 espanhol e “canterano” do clube de Barcelona, onde passou toda a sua carreira. Assumiu-se esta temporada como pedra basilar no 4-3-3 de Rubi, onde assume o controlo dos jogos a partir da posição mais recuada do trio de meio-campo, com dois médios interiores ligeiramente à sua frente.

Nascido em 1996 na Catalunha, tem em si o “sangue” de passe e controlo de tantos outros médios locais que marcaram uma geração do futebol espanhol, e a qualidade não se resume à quantidade elevada de passes que faz com segurança. De acordo com os seus números desta época, mesmo para o meio-campo adversário mantém uma eficácia de passe impressionante (88%), que confirma nos passes para o último terço (86%). Procura, mais do que ser parte do controlo (100% passes certos para trás) e construção inicial (94% passes certos para os lados) do jogo da sua equipa, ser peça importante na sua progressão em campo: soma 14 passes verticais a cada noventa minutos, com 74% de eficácia – um número que até pode parecer baixo tendo em conta as outras eficácias de passe aqui expostas, mas que na verdade é bastante elevado para a sua posição.

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Roca não é de grandes acelerações dentro do campo, mas procura-as fora dele

Seguro a lidar com pressão

Aproveitando para estrear duas novas métricas GoalPoint, Marc Roca afirma-se também tanto no que toca a distância média de cada passe certo (18,3 metros), como em metros de terreno ganhos com cada um deles (5,4m). São números que caracterizam centro-campistas que procuram a tal progressão vertical e não apenas passes sem risco, e nos quais Marc Roca é dos melhores da Europa esta época.

Não se deixando afectar pelo congestionamento da zona central do terreno, falha apenas 14% dos seus passes curtos com os pés e, se necessário, também demonstra elevadíssima qualidade no passe longo, com 5,9 passes deste tipo por 90 minutos e uma fantástica eficácia de 77%, algo que pode ser apreciado no vídeo seguinte.

Os seus dados apontam ainda para uma capacidade fantástica de lidar e ultrapassar a pressão adversária, característica cada vez mais valorizada no futebol actual – que para tantas equipas inclui uma pressão forte no terço médio. Não só falha muito poucos passes, como completa 1,3 dos 1,5 dribles (85% de sucesso) que tenta – números excelentes para demonstrar a quantidade de vezes que sucede a ultrapassar a pressão adversária.

Sem bola não se consegue destacar com a mesma proeminência, mas regista dados respeitáveis: 7,8 recuperações de posse, 2,7 desarmes, 1,3 intercepções e 2,4 alívios, vindo de um jogo recente (ver infografia) em que também se destacou bastante nesse aspeto. No entanto, faz 79% das suas acções defensivas no primeiro terço, algo que obrigará necessariamente a adaptação caso acabe por dar o salto para um clube grande. Mostra ainda problemas no jogo aéreo, com apenas 46% de duelos defensivos aéreos ganhos – uma eficácia muito abaixo daquilo que um médio-defensivo com 1,84m de altura podia oferecer.

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O melhor jogo de Roca esta temporada (clique para ampliar)

Marc Roca já tinha tido bastantes minutos em 2016/17, mas acabou por ter muito pouco tempo de jogo na última temporada – esta é, então, a sua época de afirmação. A qualidade é clara e o seu perfil – principalmente nos momentos em posse – é de equipa grande, mas será preciso tempo e o treinador certo para que um possível salto para um nível superior acabe em sucesso para todas as partes. Quanto ao “seu” Espanyol, independentemente de uma possível quebra de rendimento, já garantiram o prémio de ter todo o mundo de olhos nos seus jogos e nesta pérola do seu meio-campo.