O FC Porto não foi além de um empate 1-1 na visita ao CS Marítimo, perdendo assim os primeiros pontos na Liga NOS e logo à segunda jornada, imitando o que o Sporting CP havia feito pouco antes em Alvalade frente ao Paços de Ferreira.

Tal como na época passada, em que o Porto perdeu duas vezes com o Marítimo (Liga e Taça da Liga) e empatou outra com o Nacional da Madeira, não aproveitando escorregadelas adversárias, os “dragões” de Julen Lopetegui voltaram a não ganhar – não vencem, aliás, o Marítimo na Madeira desde 2012/13. Mais preocupante do que isso, mostraram os mesmos problemas do ano passado no ataque e um outro novo: a ausência de um cérebro com “ADN” ofensivo.

Liga NOS 2015/16: CS Marítimo vs FC Porto, Jornada 2 - Onzes
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

Se na época passada Julen Lopetegui era perito em surpreender pelas suas constantes mudanças no “onze” portista, desta feita nenhuma mexida de relevo. O esquema inicial do FC Porto neste início de temporada foi o escolhido, apenas com a aposta em Aly Cissokho, a substituir o transferido Alex Sandro, a mudar a folha oficial dos “dragões”.

O 4x3x3 portista foi o habitual, muita posse de bola – que chegou aos 80% aos 20 minutos -, circulação constante, muito físico, mas tal como na generalidade da pretérita temporada, o domínio avassalador nem sempre se traduzia em capacidade para contrariar a defesa contrária. Culpa do sistema de jogo? É caso para o treinador analisar, mas no primeiro tempo esse facto foi bem visível e definiu em grande parte o 1-1 com que se alcançou o intervalo.

SINTOMAS DO PASSADO

Nos primeiros 45 minutos, Maxi Pereira esteve muito interventivo (49 toques), mas avesso a duelos individuais, e o primeiro golo surgiu mesmo de um cruzamento do seu lado, de António Xavier, que Edgar Costa finalizou de cabeça ao segundo poste, ao aparecer nas costas de um Cissokho desconcentrado e mal posicionado. Pode dizer-se que aos cinco minutos do primeiro jogo sem Alex Sandro o Porto pagou a factura da ausência do brasileiro. Cissokho, aliás, apenas se destacou nos alívios (3) na primeira parte, e perdeu três dos quatro duelos individuais que disputou.

Liga NOS 2015/16: CS Marítimo vs FC Porto, Jornada 2 - 1º Tempo
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O problema portista a defender esteve muito nos seus laterais. No meio-campo, Danilo Pereira – regressado à casa que defendeu na época passada – recuperou quatro bolas e ganhou 66,7% dos duelos na etapa inicial, dando músculo ao “miolo”. Giannelli Imbula era o mais esclarecido da equipa, com 92% de passes certos e dois para ocasião, em contraponto a um Herrera apagado, mas que acabou por marcar o golo portista. Na frente, Yacine Brahimi foi igual a si próprio, rematador (3) e com 90% de passes certos. Mas colectivamente algo não funcionava. O Marítimo fechava bem as laterais e obrigava os extremos do Porto, Brahimi e Silvestre Varela, a caírem muito para o meio, onde esbarravam numa muralha de defensores insulares. Vincent Aboubakar bem lutou (66% de duelos ganhos) e até serviu Herrera para o empate.

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