Já poucos se lembram e nenhuns alimentam o clamor pela saída de Julen Lopetegui após a primeira época falhada. O mérito vai todo para um FC Porto que, fruto do aumento de ambição consubstanciado na política de contratações para o ataque a 2015/16, fez esquecer, quase por completo, o depressivo término da temporada anterior. Mas o mérito é também do treinador espanhol.

A acção de Lopetegui, em particular no caso Casillas, acaba por dar razão a Pinto da Costa no mérito que já se tinha percebido no treinador “azul-e-branco” no defeso anterior: a sua capacidade para influenciar ou colaborar de forma relevante nas aquisições dos “dragões”, não só na sua selecção mas também na sua sedução. A qualidade não é de somenos, falta agora mostrar, em campo, o resultado das lições aprendidas e da maior compreensão acerca de como funciona o futebol “luso” (cujo grau de exigência talvez Lopetegui tenha menosprezado).

Ainda faltam cerca de seis semanas para o fecho do mercado mas, por esta altura, o FC Porto parece assumir, no “papel”, uma ligeira vantagem face a um tiro de partida a três (com Benfica e Sporting) que parecia merecer uma avaliação mais equilibrada, sobretudo após o Sporting “capturar” Jorge Jesus.

Falta perceber se o treinador espanhol estará à altura da ambição e exigência que os “dragões” colocam sobre si. Um Lopetegui vencedor poderá pulverizar qualquer memória da época anterior e assumir-se como um dos “obreiros” do regresso do Porto a um lugar cimeiro perdido há duas épocas. No reverso da medalha, um novo falhanço poderá ser fatal para as ambições de carreira de Julen, até porque se o falhanço anterior já saiu “caro”, o investimento em nova oportunidade atinge níveis ímpares na História portista. O matchpoint está lançado, resta saber para que lado cairá a bola.