Matthijs de Ligt, Frenkie de Jong, Donny van de Beek, David Neres, Kasper Dolberg, André Onana. A quantidade de jovens talentos nas fileiras da equipa principal do Ajax é impressionante e está em crescendo constante. Todos os anos aparece um novo craque, que salta da equipa B para impressionar nos gigantes de Amesterdão. Esta época, Noussair Mazraoui é esse jogador.

Ao marcar frente a Benfica e Bayern na Liga dos Campeões, o lateral-direito rapidamente se deu a conhecer à Europa do futebol, mas aos 20 anos está mesmo a impressionar de forma consistente no campeonato holandês e até já soma uma internacionalização por Marrocos, que assim “agarrou” um talento enorme, que poderia também jogar pela Holanda, país onde nasceu.

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A prestação de Noussair Mazraoui frente ao Benfica (clique para ampliar)

Mazraoui é um lateral-direito de características bastante ofensivas – tal como é “obrigatório” numa equipa com um modelo de jogo tão dominante quanto o Ajax –, mas não “convencional”. O seu passado como médio na equipa B oferece-lhe especificidades que outros laterais ofensivos não têm e torna-o algo atípico no que dá à equipa. Principalmente a nível do passe.

A maior parte dos laterais de características ofensivas são mais explosivos e menos adequados a ser parte essencial do momento de construção da equipa, tornando-se mesmo muitas vezes os alvos da pressão adversária para recuperar a posse de bola numa zona adiantada do terreno. Já Mazraoui prospera no momento do passe, seja em que zona do terreno ou situação de jogo se encontre: 93% de passes certos no seu próprio meio-campo, 84% no meio-campo adversário e apenas 10% de passes curtos com os pés falhados. Até no ultimo terço do terreno mantém 80% de eficácia.

Capacidade para desequilibrar

Inserido na equipa da Eredivisie que mais se destaca no que toca à posse de bola – o Ajax tem média de 60% de posse, a grande distância do AZ, que é segundo, com apenas 55% –, o marroquino é parte integrante deste “carrossel” que vai desposicionando as equipas adversárias. Mas a sua segurança neste momento do jogo, não o impede de oferecer também acções de penetração com bola: os seus 1,5 dribles completos por noventa minutos, 65% eficazes, são bons números num parâmetro cada vez mais valorizado num lateral. Até os seus golos europeus não são de estranhar demasiado, tendo em conta que faz 1,1 remates de bola corrida por noventa minutos – um envolvimento que poucos da sua posição atingem.

No momento com bola, acaba por pecar apenas no que toca aos cruzamentos: soma apenas 1,8 de bola corrida e com baixa eficácia (16%). Os seus 0,8 passes para finalização de bola corrida não saltam muito à vista, mas tornam-se um número mais respeitável quando notamos que o Ajax é a equipa do campeonato que mais ataca pela esquerda (42%) e menos ataca pela direita (32%).

Defensivamente destaca-se principalmente pela quantidade elevada de intercepções (1,9), somadas aos seus 2,6 desarmes, nos quais tem 76% de eficácia, e ainda 54% de duelos aéreos defensivos ganhos. São números bastante sólidos, ainda para mais se tivermos em conta que nestas médias estão incluídas não só as suas exibições “caseiras”, como também os seus jogos na Liga dos Campeões e respectivas pré-eliminatórias – onde, nesta sua época de estreia, já apanhou pela frente jogadores como Ribéry, Gnabry, Rafa e Verbic.

Com contrato até 2021 e o mesmo agente que tem mantido Ziyech nas fileiras do Ajax apesar das incríveis exibições, é provável que Mazraoui se vá ficando por Amesterdão durante mais algum tempo, enquanto luta também para se afirmar como dono da sua posição na selecção. O facto de alinhar por um conjunto com um sistema tão ofensivo como o do Ajax traz a vantagem de mais facilmente poder dar um salto para outro grande europeu sem grande necessidade de adaptação. Aos 20 anos já conseguiu a proeza de desviar um pouco a atenção dos scouts dos outros craques da equipa para ele – pelo menos na Liga dos Campeões – e tem tudo para se afirmar como um dos grandes da sua posição no futuro.