O argentino Marcelo Meli é o novo reforço do Sporting para o meio-campo, cumprindo o desejo de Jorge Jesus em fortalecer o sector intermédio leonino. Meli chega emprestado pelo Boca Juniors mas o Sporting poderá exercer opção sobre o jogador no final da época por um valor a rondar os 3 milhões de euros.

Alegadamente Meli tinha sido pretendido pelo rival Benfica na época passada mas o negócio não foi em frente, chegando-se agora o “leão” à frente pelo polivalente médio de 24 anos.

Pau para várias obras

O percurso profissional de Meli começou ao serviço do Colón de Santa Fé, clube pelo qual se estreou com 20 anos, em 2012/13. Na época seguinte foi aposta consistente como titular numa campanha que terminou com a despromoção da sua equipa ao segundo escalão argentino, mas as boas prestações valeram-lhe uma transferência para o Boca Juniors.

Pelo clube “azul e ouro” Meli teve uma estreia de sonho, marcando logo no primeiro jogo oficial e sendo considerado o melhor em campo, para delírio dos adeptos. A época seguinte (2015) mostrou o Meli mais goleador de sempre. Até aí visto como um box-to-box, ou mesmo um médio mais defensivo, Meli passou a jogar muitas vezes encostado ao flanco direito e tirou partido de uma função com menos responsabilidades defensivas para apontar três golos no campeonato, não registando no entanto qualquer assistência.

em 2016, Meli acabaria por perder a titularidade, facilitando assim a sua saída, mas é a época de 2015, na qual se sagrou campeão nacional, que analisamos aqui em comparação com Adrien e João Mário, os dois “leões” que actuaram nas funções que Meli já desempenhou na sua carreira.

Sporting - Marcelo Meli
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Entende-se pelos números que apesar de vir rotulado como número “8” e concorrente de Adrien Silva, as características de Marcelo Meli assemelham-se muito mais às de João Mário. Pondo de lado as significativas diferenças ao nível da influência directa nos golos da equipa (três para Meli, 13 de Adrien e 16 de João Mário), percebe-se que o argentino é um jogador com características muito mais ofensivas do que defensivas.

Isso nota-se sobretudo ao nível das tentativas de drible por jogo (4.4 de Meli, contra 1.7 de Adrien e 3.0 de João Mário), mas também pela negativa, no número de acções defensivas eficazes registadas por cada um deles (vide infografia).

Também ao nível do remate, Meli à semelhança de João Mário, não é de arriscar muito de fora da área, preferindo rematar pela certa, mas é no que toca à criação de oportunidades que Meli apresenta registos mais preocupantes. Para além da já referida falta de assistências para golo, o novo leão não chega sequer a criar em média uma oportunidade de remate por jogo. Um registo que constitui metade do que Adrien oferece e menos de metade de João Mário.

Talento para Jesus trabalhar

Apesar de apresentar alguns sinais positivos, Meli ainda mostra estar bem longe do nível dos campeões europeus Adrien e João Mário, ou mesmo do reforço leonino com mais “cartaz” até à data, Alan Ruiz.

Para um meio-campo de apenas dois elementos, Meli mostra ser curto defensivamente, sendo provável que Jorge Jesus pense nele para uma posição mais colada à linha, tentando tirar partido da sua capacidade de desiquilibrio individual. No entanto, para actuar nessa posição, salta à vista o baixo registo do argentino no que toca à criação de oportunidades.

Dilema posicional para Jorge Jesus resolver e… trabalhar. O que é certo é que Marcelo Meli, apesar de algumas boas indicações, não parece ainda capaz de substituir com a mesma qualidade qualquer dos centro-campistas campeões europeus formados em Alvalade.

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