Mercado 14/15: “Grandes” contrataram 32 estrangeiros

Após analisarmos as opções do mercado de transferências de 2014/15 dos “três grandes”, as conclusões deverão preocupar Fernando Gomes e Paulo Bento, mas não só.

Talisca, um dos 10 brasileiros contratados por Benfica e Porto (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Talisca, um dos 10 brasileiros contratados por Benfica e Porto (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O fecho do mercado europeu selou as opções dos três grandes para o ataque à época 2014/15, permitindo-nos analisar números, nacionalidades, posições e outros elementos que definem a estratégia de Benfica, Porto e Sporting para a presente temporada. Neste artigo olhamos para os números gerais das contratações dos candidatos, prestando especial atenção à nacionalidade e posição no terreno. E as conclusões são curiosas.

Quarenta e uma contratações… quatro já partiram

Os “três grandes” contrataram neste defeso 41 jogadores. O FC Porto foi o mais activo (16 aquisições) seguido pelo Benfica (14) e Sporting (11). Mas os números não são assim tão fáceis de fechar: Benfica e FC Porto voltaram a incorrer numa prática no mínimo peculiar e muito própria do futebol português: contratar para imediatamente emprestar, dispensar ou mesmo alienar em definitivo. Os “dragões” fizeram-no com Sami, que seguiu para o Braga, enquanto o Benfica não só emprestou dois jogadores acabados de contratar (Candeias e Luis Felipe) como transferiu Djavan em definitivo para Braga. Com estes números os “encarnados” terminam com um conjunto “líquido” de contratações idêntico ao Sporting (11), enquanto o FC Porto demonstra a aposta na reconquista da hegemonia perdida nos 15 novos elementos que incorporou num plantel visivelmente revolto. Ficamos assim com 37 aquisições efectivas, descontadas as curiosas inflexões de “águias” e “dragões”.

Clique na infografia para ler em detalhe (foto: Bertrand/Shutterstock infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (foto: Bertrand/Shutterstock infografia: GoalPoint)

Muitos espanhóis… tal como brasileiros

Muito se falou ao longo dos últimos dois meses da aposta (para alguns excessiva) dos “azuis-e-brancos” no mercado espanhol, trazendo sete jogadores oriundos do país vizinho e correspondendo assim a uma provável orientação estratégica de Julen Lopetegui. Pois a verdade dos números diz que os campeões nacionais contrataram igual número de brasileiros. E somando os totais dos “três grandes” neste duelo hispano-brasileiro terminamos com oito espanhóis (os sete que jogarão a norte mais Rosell, do Sporting) contra dez brasileiros, estes últimos exclusivamente divididos entre Benfica e Porto.

E quanto portugueses? Os portugueses contratados foram apenas nove, oito se tivermos em conta que Candeias (SLB) transita para o segmento já referido dos proscritos ainda antes do pontapé de saída. Os portugueses representaram assim apenas 28% das escolhas dos “três grandes” na hora de reforçar a equipa e este é talvez o único ponto de comunhão estratégica entre os rivais: cada um deles contratou precisamente três portugueses. Um “pormaior” à atenção do presidente da FPF.

Defesas e médios

Ao distribuirmos as aquisições por posição no terreno num critério simples (guarda-redes, defesas, médios e avançados/extremos) percebemos de imediato que a maior preocupação dos três candidatos se centrou sobretudo no sector defensivo e intermédio: contrataram 14 médios, 14 defesas e dez avançados ou extremos. Benfica e Porto foram também os únicos a contratarem guarda-redes (dois no caso do FC Porto). O Sporting apostou claramente no reforço do sector defensivo (cinco) enquanto o Benfica apostou de igual forma na defesa e meio campo (cinco reforços para cada sector). Por fim o Porto definiu o meio-campo como clara prioridade (reiterada aliás por Lopetegui na conferência de imprensa após o jogo frente ao Moreirense) ao contratar seis centrocampistas em 16 aquisições efectuadas.

No próximo artigo analisaremos quanto custou a cada um dos clubes este esforço de renovação bem como identificaremos que proveitos tiveram do mercado de transferências, terminando com uma curiosa análise que dirá algo acerca do aproveitamento, sobretudo de curto prazo, de cada uma das estratégias escolhidas pelos “três grandes”.