Com o consumar da transferência de Alex Sandro para a Juventus por 26 milhões de euros o FC Porto ultrapassou os 110 milhões de “facturação” no defeso em curso, ultrapassando o recorde anterior da Liga NOS (também na posse dos “dragões”) de cerca de 102 milhões, estabelecido em 2004/05.

São aproximadamente 800 milhões em vendas* em 12 épocas, mais (e não seria pouco) se contabilizássemos neste somatório os valores que os “azuis-e-brancos” facturaram em empréstimos temporários de alguns atletas no mesmo período, bem como proveitos especiais (Casemiro, 7,5 milhões). Em média o “dragão” vendeu cerca de 67 milhões de euros por época, sendo o pior ano o de 2006/07, onde o Porto facturou “apenas” dez milhões de euros. Sendo certo que apenas uma parte destas vendas representa receita real (o valor líquido apenas pode ser apurado após comissões, parcerias, partilhas de direitos económicos, etc.), não deixam de ser números que impressionam.

FACTURAR COMO NUNCA, MESMO SEM GANHAR

O valor agregado de vendas “azuis-e-brancas” dos últimos dois anos (cerca de 200 milhões de euros) ainda se torna mais admirável se tivermos em conta que os “dragões” não ganharam qualquer troféu nesse período.

Que conclusões retirar? Podemos concluir (ainda que subjectivamente) que, por um lado, boas participações regulares na Liga dos Campeões acabam por ter mais peso na valorização dos jogadores do que propriamente a conquista de títulos nacionais, aos quais o mundo do futebol dá (talvez injustificada) pouca relevância. Se a isso somarmos o fenómeno de marketing habitual nas grandes marcas é caso para acreditar que o Porto se transformou numa “marca de jogadores” capaz de resistir aos dissabores (desde que não prolongados) do insucesso desportivo, algo que apenas uma sequência sustentada de bons jogadores entregues às melhores Ligas é capaz de motivar.

VENDER MAIS DO QUE “ÁGUIAS” E “LEÕES”… SOMADOS

Outro pormenor impressionante numa Liga eminentemente exportadora como a nossa é o facto de, somando os valores comparáveis de facturação dos “três grandes” no período em análise concluirmos que o Porto não só se destaca e muito da concorrência, como consegue ficar claramente acima do valor combinado de vendas* de Benfica e Sporting: os rivais lisboetas realizaram cerca de 670 milhões em vendas desde 2004, contra os já referidos 799 registados pelo Porto.

Não restam grandes dúvidas sobre a eficácia dos “dragões” na valorização do seu “produto”, sendo que a novidade parece ser o facto de que esta se manifesta… com ou sem títulos.

No entanto, nem tudo são “rosas”. Ainda no plano comercial não deixa de ser paradoxal que um clube com tamanha projecção negocial apresente as aparentes dificuldades em fechar o patrocinador que falta para preencher a vaga aberta com a saída da Meo. Já no plano desportivo Lopetegui debate-se novamente com um desafio de reconstrução (cuja dimensão estimada pelo GoalPoint já peca por largo defeito) e a pressão para regressar às vitórias será maior do que nunca: os adeptos apreciam “facturas gordas” mas o que exigem mesmo são títulos.

 

* Todos os valores contabilizados dizem respeito a vendas brutas realizadas pelos clubes em causa, não sendo contemplados custos com partilha de direitos económicos, parcerias, comissões e outros factores que impactam o resultado líquido das operações. Os valores apresentados também não contemplam receitas decorrentes de empréstimos temporários ou outros proveitos associados a situações especiais que não se configuram no conceito de “venda” de um activo desportivo do clube (ex. compensação supostamente recebida pelo FC Porto pelo regresso de Casemiro ao Real Madrid).