Mónaco 0 – Benfica 0: Muito Subasic, pouca eficácia

André Almeida pegou no jogo, Benfica cresce no Mónaco, mas expulsão de Lisandro López impede conquista dos três pontos.

O Benfica não foi além de um empate no principado complicando ainda mais as contas do grupo (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
O Benfica não foi além de um empate no principado complicando ainda mais as contas do grupo (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O SL Benfica não foi além de um empate no Mónaco, tornando as aspirações de apuramento mais complicadas. A formação de Jorge Jesus esteve bem até à expulsão de Lisandro López, mas regressa a Lisboa com apenas um ponto no grupo.

Como já tem vindo a ser hábito nesta Liga dos Campeões, o Benfica entrou mal, valendo o facto de o Mónaco não ter representado o mesmo nível de dificuldade de Zenit e Leverkusen. Os comandados de Leonardo Jardim pressionaram muito no início, exercendo pressão sobre os médios nos momentos de transição, cortando desde logo a possibilidade de os “encarnados” saírem rápido para o contra-golpe.

O 4-4-2 teórico do Benfica só se começou a mostrar a meio da primeira parte, quando o meio-campo começou a controlar a posse de bola e a dominar o jogo. Até lá, os homens da Luz viram-se obrigados a recuar bastante, facto que tornou Talisca num autêntico “peso morto”, pois não pressionava defensivamente e, sem bola, pouco ou nada fazia no ataque. Por outro lado, o posicionamento de André Almeida como “trinco” causou alguma confusão ao meio-campo benfiquista no que toca ao posicionamento individual, e até a Maxi Pereira, pois ambos compensavam-se mutuamente e, numa dessas situações, Lucas Ocampos (5’) ficou sozinho na direita, sem Artur na baliza, mas conseguiu atirar por cima.

Aos poucos, Enzo Pérez e André Almeida começaram a entender-se, Nico Gaitán começou a monopolizar a bola e o Benfica passou a ser a melhor equipa em campo, embora sem movimentações ofensivas suficientes para contrariar a cautelosa e organizada defensiva montada por Leonardo Jardim e comandada por Ricardo carvalho, que chegou ao intervalo com cinco alívios, dois roubos de bola e duas entradas. Danijel Subasic esteve bem na baliza, negando a Lima, aos 39 minutos, um golo quase certo.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Eficácia de passe com peso

Nesta fase o Benfica passou a um claro 4-4-2 e Talisca esteve bem mais em acção, embora sem objectividade. A superioridade benfiquista no primeiro tempo materializou-se em seis remates contra quatro (ambos os conjuntos apenas com um enquadrado), sendo que as “águias” dispararam quatro vezes dentro da área contrária, contra uma. A precisão de passe foi a grande responsável pelo ascendente luso nesta altura, com 81,6% face aos muito modestos 69,2% dos monegascos (a posse de bola foi de 56,8%-43,2% para o Benfica).

Estes números explicam-se em grande medida pelo jogo muito apagado de João Moutinho e pelo acerto de André Almeida e Enzo Pérez no “miolo”. Moutinho teve muita intervenção no jogo (42 toques), mas foi para o descanso com pouco usuais 58,3% de precisão de passe (24) – 43,8% em 16 no meio-campo adversário. Ao invés, André Almeida acertou 88,9% dos seus 36 passes e Enzo 81,5% dos 27. Na frente, Lima fez três remates até ao intervalo, um enquadrado (o que Subasic defendeu).

O encontro mudou de figurino na etapa complementar. O Mónaco pegou mais no jogo, mas ao contrário do que acontecera antes, o Benfica conseguir efectuar transições com maior velocidade e colocando mais elementos na frente, chegando a ter situações de três para três e quatro para três, com Lima, Talisca, Gaitán e Salvio, este último a mostrar-se perdulário em situações em que poderia ter feito golo – muito por culpa da inspirada exibição de Subasic, que efectuou quatro defesas providenciais.

Lisandro estraga os planos

Mas quando se adivinhava isso mesmo, Lisandro López teve uma entrada imprudente sobre João Moutinho e foi expulso, obrigando à saída de Gaitán para a entrada de César. A partir daqui já não se viram mais as transições ofensivas e só deu Mónaco até final. Contudo, a estratégia de pressão dos da casa passou muito por despejar bolas para a área do Benfica, o que mostrou-se pouco eficaz – apesar de Andrea Raggi quase ter marcado de cabeça nos descontos.

O Mónaco acabou com 14 remates, contra 13 do Benfica, mas os portugueses tiveram mais pontaria (quatro enquadrados para dois dos da casa). As “águias” conseguiram chegar junto da baliza contrária com mais perigo, como demonstram os oito disparos já na grande área, face aos cinco contrários. Os comandados de Jardim melhoraram para 73% os passes certos (de 378), enquanto o Benfica piorou, registando 75,9% em 374 entregas (67,5% no segundo tempo), demonstrativo das dificuldades que a equipa passou a sentir nas saídas para o contra-ataque. A posse de bola terminou equilibrada, com 50,4%-49,6% favorável ao Mónaco.

André Almeida brilha

Na equipa benfiquista o destaque vai para André Almeida. O internacional português demorou a entrar no jogo, mas quando o fez assumiu as rédeas da equipa, terminando com 52 passes e 78,8% de acerto, um pouco abaixo dos números da primeira parte, as foi, ainda assim, o melhor médio neste capítulo, mesmo à frente de Enzo, que registou 39 passes com 76,9% de acerto. Almeida conseguiu ainda 12 recuperações de bola, o máximo da equipa, para além de dois desarmes, três alívios e quatro intercepções. E só perdeu a bola 13 vezes.

Destaque pela negativa para Gaitán, que apesar de se ter destacado nos cruzamentos (quatro em futebol corrido, três certos), esteve mal nos 22 passes que fez, com apenas 59,1% de eficácia.

Do lado do Mónaco, Moutinho apenas acertou 63,4% dos 41 passes que fez, embora tenha criado três ocasiões de golo. Jérémy Toulalan esteve bem melhor no “miolo”, com 59 passes e 78% de eficácia, mas também tentou o golo três vezes, com dois disparos enquadrados com a baliza. Esteve bem a defender, com nove recuperações de bola em seu nome. Mas o destaque grande vai mesmo para Subasic, que com quatro defesas de monta segurou o nulo para os monegascos.