Moreirense 2 – Porto 2: Fingir de morto para morder “dragão”

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MOREIRENSE NA EXPECTATIVA

O pendor do segundo tempo pouco mudou, pois o Porto manteve a toada de passe curto e domínio – 76,6% de posse -, muitos remates – oito – e poucas veleidades ao Moreirense. Porém, a produtividade ofensiva era escassa e Osvaldo pouco acrescentava na zona de finalização. Até que aos 50 minutos, Iuri Medeiros, emprestado pelo Sporting CP, surgiu na grande área a rematar sem hipóteses para Iker Casillas.

Liga NOS 2015/16: Moreirense vs Porto, Jornada 6 - 2 Tempo
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O FC Porto via-se, de repente, numa situação incómoda, na qual não esperava encontrar-se perante tamanho domínio sobre um adversário tímido. Lopetegui reagiu de pronto, tirou um apagado Herrera e colocou em campo Cristian Tello. O ataque passou a ser mais incisivo e, nesta fase, Igor Stefanovic era gigante na baliza do Moreirense, com cinco defesas, duas delas de elevado grau de dificuldade, a segurar o empate, que acabaria por cair dois minutos depois de Lopetegui lançar Aboubakar para o lado de Osvaldo, saindo Marcano.

A presença de dois avançados baralhou as marcações e Corona aproveitou para fazer o 2-1, aos 79 minutos… mas essa mesma substituição acabaria por ser um pau de dois bicos. Aos 88 minutos, sem Marcano em campo, André Fontes conseguiu encontrar o espaço na defesa do Porto para cabecear para o 2-2.

Quase 80% de posse, mais do dobro dos remates, 661 passes, 20 cruzamentos de bola corrida. Todos os números avassaladores do FC Porto não foram suficientes para bater um Moreirense que se “fingiu de morto” para atacar na hora certa e conquistar um ponto.

UM JOGO DE FIGURAS

Um jogo com quatro golos, todos com protagonistas diferentes, justifica muitos destaques diferentes. Alguns deles encontram correspondência estatística outros não. O jovem Iuri Medeiros é um deles, autor de um belo golo, acaba por ter um GoalPoint Rating mediano fruto de (naturalmente) ter perdido muitos duelos individuais num jogo previsivelmente combativo e físico e por ter desperdiçado uma clara ocasião para fazer o seu segundo golo. Um bom exemplo de como a relevância numa partida pode não “casar” com a ponderação de tudo o que um jogador faz em campo ao longo dos 90 minutos.

No capítulo estatístico sobressai Maicon (que bate o guardião Stefanovic que com cinco defesas foi figura no empate), não só pelo golo apontado de livre mas também pelo contributo extra: o central foi o segundo “dragão” mais rematador (ultrapassado apenas por Osvaldo), fez um passe para ocasião e ainda venceu 86% dos duelos individuais que disputou, realizando seis alívios e interceptando três passes adversários. Claramente o “patrão” de uma defesa que vacilou mais do que pretendia nesta visita a Moreira de Cónegos.

Os GoalPoint Ratings quantificam o desempenho estatístico ponderado dos jogadores em campo e não qualquer opinião ou valorização subjectiva do GoalPoint. Saiba mais sobre os GoalPoint Ratings neste link.

Pedro Tudela
Pedro Tudela
Profissional freelancer com mais de duas décadas de carreira no jornalismo desportivo, colaborou, entre outros media nacionais, com A Bola e o UEFA.com.