Mundial 2014: Brasil ganha batalha de Fortaleza

Após a crise e choro no final da partida com o Chile, a “canarinha” surgiu agressiva e de “barba rija” até ao limite com a Colômbia. Terá sido da psicóloga? Fomos tentar perceber.

Nunca antes se viu um Brasil tão musculado num Mundial. Após quatro jogos em que os comandados de Luiz Felipe Scolari mostraram-se macios, em que choraram no final das grandes penalidades ante o Chile, o “escrete” surgiu com uma atitude guerreira e determinada que apanhou todos de surpresa, em especial a Colômbia.

Sem Luiz Gustavo, castigado, Paulinho jogou a “trinco” e Fernandinho a médio-centro e, ao invés das outras partidas, a dupla do “miolo” funcionou. Dois factores terão contribuído para isso: o principal, olhando para os números, foi a agressividade na disputa da bola. Desde 1966, quando se começaram a registar estes números, que nenhuma equipa do Brasil somou tantas faltas, 31, numa fase final de um Mundial; a Colômbia, surpreendida, não conseguiu lidar com este facto na primeira parte. O meio-campo não funcionou, James Rodríguez foi anulado pela agressividade de Paulinho e Fernandinho e o sector intermédio nunca conseguiu pressionar estes dois elementos, recuando no terreno.

Ao contrário dos outros jogos, Paulinho e Fernandinho tiveram bola (o segundo somou 55 toques, e apenas Marcelo, com 56, superou este número) e as transições e transporte de bola funcionaram. A defender estiveram implacáveis, terminando o jogo com seis e quatro entradas, respectivamente, e com o segundo a efectuar quatro cortes. Esteve aqui o segredo do Brasil na primeira parte.

Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Agência Brasil/Marcello CJ / Infografia: GoalPoint)
Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Agência Brasil/Marcello CJ / Infografia: GoalPoint)

Colômbia adapta-se

Na segunda a “canarinha” recuou, fruto da adaptação da Colômbia à agressividade nos duelos. James cresceu (apesar de inexistente em termos defensivos) e efectuou dois remates (um à baliza) e três passes para ocasião de golo, para além de cinco dribles, o máximo absoluto da partida. Marcou de penalty (o seu sexto tento na prova), mas já foi tarde. O Brasil vencia por 2-1 sem deslumbrar, suportado por uma maior eficácia no futebol aéreo – 61,5% contra 38,5% – , no desarme  – 71,1%-54,8% – e pelo excelente registo de cortes – 42 contra 13 da Colômbia.

As estrelas foram os médios, os defesas-centrais – com Thiago Silva e David Luiz a marcar -, e a agressividade defensiva. O futebol bonito do “escrete” esteve ausente. Efectuou apenas 293 passes (274 da Colômbia), sendo 79,2% (232) certos, contra 74,5% dos colombianos. Estes são valores baixos para uma equipa com a qualidade individual do Brasil, que não surge sequer nos dez primeiros das selecções com mais passes na prova até ao momento – ranking liderado pela Alemanha, com uma média de 602,40 passes por jogo, 523 (87%) deles certos.

Após a vitória brasileira nos penaltis frente ao Chile os seus jogadores choraram no relvado. Luiz Felipe Scolari não perdeu tempo e chamou uma psicóloga para resolver a crise de choro. No final do Brasil 2 – Colômbia 1, fica a pergunta: que métodos usou Regina Brandão para esta transformação?

Enorme Thiago Silva, Neymar de fora

Neymar foi um quebra-cabeças, com três remates à baliza e quatro passes para ocasião de golo. Saiu lesionado e já não joga mais neste Mundial, devido a uma fractura numa vértebra lombar. David Luiz esteve imperial a defender e a atacar, mas o destaque vai para Thiago Silva. O defesa do PSG marcou o primeiro da partida e foi intratável na retaguarda. Somou duas intercepções e nada menos que 14 alívios (100% de eficácia), para além de três bloqueios a remates adversários, vencendo cinco duelos aéreos.

Considera justa a vitória do Brasil? Quem foi o melhor em campo? Deixe-nos a sua opinião. Obrigado.