Mundial 2014: O desempenho comparado de Ronaldo, Neymar e Messi

Fechada a primeira jornada da fase de grupos damos início à rubrica de análise de desempenho comparado entre os três jogadores que maiores expectativas geram neste Campeonato do Mundo.

Messi, Neymar e Ronaldo. Estes são os três craques de quem mais se espera neste Campeonato do Mundo. Messi e Ronaldo, rivais pelo título de melhor jogador do Mundo nos últimos anos, transportam naturalmente para o Brasil o seu duelo. De ambos se espera que façam deste o “seu” Mundial. Neymar, aspirante ao trono até agora ocupado pelas figuras máximas de Barcelona e Real Madrid, quer aproveitar um Mundial na sua pátria para se afirmar em definitivo na contenda. Apesar deste enquadramento, e pese a sorte diferente que as suas selecções tiveram na partida inaugural, pode dizer-se que os três jogadores iniciaram o Mundial de forma “morna”. Nenhum dos três lidera ou sequer integra o pódio dos rankings nos quais a sua presença era esperada: golos marcados e assistências. Analisemos então a performance dos três jogadores para percebermos melhor o que pudemos primeiro observar em directo.

Passe e Criação

No primeiro eixo de análise, passe e criação de oportunidades, sobressai a superioridade de Lionel Messi em quase todas as variáveis relevantes, embora Neymar também apresente um aproveitamento positivo, sobretudo quando recua para assumir o jogo no apoio aos seus companheiros, no terço médio do terreno de jogo, área onde regista a sua melhor eficácia de passe (90% em 20 efectuados). O brasileiro conseguiu ainda criar duas ocasiões de golo com os seus passes.

Clique para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

Apesar de percebida como “apagada”, a performance de Messi é superior em quase todos os domínios. Autor de 70 passes com uma percentagem de eficácia de 80%, fez quase o dobro dos passes de Neymar e praticamente o triplo dos efectuados por Ronaldo, com uma eficácia muito próxima de ambos. No entanto a sua eficácia no último terço (58%) penaliza-o, sendo esta provavelmente a principal razão que o afastou de uma exibição ao nível que nos habituou. Apesar de tudo, ao recuar no campo no apoio à construção, o argentino fez 37 passes, com uma eficácia de 97%, um registo a lembrar Andrea Pirlo, ainda que em “campeonatos” diferentes no que respeita a número total de passes.

Já Ronaldo, apesar de não se esperar dele o mesmo papel de construção que Neymar e Messi, acaba por registar 17 passes na zona intermédia contra apenas sete no terço adversário, uma diferença muito superior à apresentada pelos rivais. Parte da explicação para a fraca performance de Ronaldo poderá estar precisamente relacionada com o “mito” de que os seus colegas “jogam” em demasia para o número 7 de Portugal: se jogam, jogam mal pois Ronaldo é dos três jogadores o que menos passes recebeu dos seus colegas, com apenas 36 contra 46 recebidos por Neymar e 76 por Messi. Para fazer a diferença, Ronaldo precisa de bola, o que sucedeu pouco quando comparado com os rivais.

Remate e Concretização

No que concerne à finalização, Neymar brilha com maior intensidade no final da primeira jornada, com mais golos (dois) que o português e o argentino, embora convenha relembrar que foi o único a beneficiar da oportunidade de concretizar uma grande penalidade. Os três jogadores realizaram poucos remates enquadrados, dois de Ronaldo e Messi e apenas um de Neymar. Ronaldo foi o que mais oportunidades teve de alvejar a baliza de bola parada (três, contra um de Neymar e Messi), assim com o que mais remates efectuou, mas sem grande perigo. Neymar é ainda o único a somar aos golos que marcou um remate para clara ocasião de golo.

No capítulo do erro, Messi apresenta-se de novo o melhor executante com apenas três perdas de controlo de bola e nenhum desarme sofrido, enquanto Ronaldo é dos três o que mais desarmes sofreu (três) e Neymar o que pior controlo de bola exibiu, com cinco momentos de perda de bola para adversário por execução deficiente.

Aguardemos pelo balanço da segunda jornada da fase de grupos, momento em que regressaremos com novos dados e novas médias que permitirão outra análise. Até lá fica a espera de que os três visados comecem a fazer jus às justas expectativas que advêm do seu comprovado talento.

Como avalia a performance dos três jogadores analisados? Que outros jogadores gostaria de ver analisados desta forma em GoalPoint? Deixe-nos a sua opinião, obrigado.