Mundial 2014: O peso da posse de bola

    Analisámos os dados referentes à posse de bola nos jogos da primeira jornada da fase de grupos e notámos uma tendência clara e talvez expectável.

    “A posse de bola não significa nada quando o adversário cria tantas oportunidades”

    – Franz Beckenbauer

    “Fui educado assim como jogador e treinador. O jogo tem tudo que ver com ter a bola. Se tenho a bola posso atacar mais que o adversário e sofro menos contra-ataques. Esta é a única forma que conheço”

    – Pep Guardiola

    Esta “guerra” de palavras entre o presidente honorário do Bayern de Munique e o treinador catalão do emblema bávaro ilustra bem um dos debates mais acesos actualmente sobre a melhor abordagem a um jogo de futebol: a importância da posse de bola. Há opiniões para todos os gostos nesta matéria e é interessante ver, tendo em conta a primeira jornada da fase de grupos do Mundial 2014, qual a tendência na relação entre posse de bola e resultados.

    JogoPosse (%)Destaque
    Brasil 3 - Croácia 161%-39%Eficácia de passe 85% - 77%
    México 1 - Camarões 062%-38%Eficácia de passe 85% - 81%
    Espanha 1 - Holanda 564%-36%Holanda registou 77% de remates enquadrados, o valor mais elevado da ronda
    Chile 3 - Austrália 165%-35%Chile registou 71,4% dos seus remates enquadrados
    Colômbia 3 - Grécia 048%-52%-
    Uruguai 1 - Costa Rica 356%-44%Remates 9 - 13
    Inglaterra 1 - Itália 244%-56%Eficácia de passe 90% - 93%
    Duelos aéreos 37% - 63%
    C. Marfim 2 - Japão 158%-42%Eficácia de passe 89% - 78%
    Suiça 2 - Equador 162%-38%Eficácia de passe 88% - 78%
    Duelos aéreos 74% - 26%
    Remates 17 - 10
    França 3 - Honduras 071%-28%Eficácia de passe 91% - 78%
    Remates 20 - 4
    Argentina 2 - Bósnia 159%-31%Eficácia de passe 90% - 84%
    Alemanha 4 - Portugal 057%-43%Duelos aéreos 65% - 35%
    Irão 0 - Nigéria 031%-69%-
    Gana 1 - EUA 262%-38%Remates 21 - 8
    13 remates ganeses para fora contra 3 dos EUA
    Bélgica 2 - Argélia 167%-33%Eficácia de passe 88% - 71%
    Duelos aéreos 69% - 31%
    Remates 17 - 3
    Coreia do Sul 1 - Rússia 149%-51%-

    Olhando para os desfechos e os números, a diferença é clara. Dos 16 jogos disputados na primeira ronda, apenas quatro (25%) tiveram como vencedoras selecções com menos bola: a Holanda (36%) frente à Espanha; a Colômbia (48%) ante a Grécia; a Costa Rica (44%) contra o Uruguai; e os Estados Unidos (38%) com o Gana. Houve dois empates, sendo que em dez jogos venceram as formações com mais bola (62,5%).

    Haverá certamente muitos motivos para todas estas excepções. Olhando para estes exemplos, destaca-se, no caso da Holanda, uma enorme capacidade no jogo aéreo (65% contra 35% da Espanha) e uma precisão de remate de 76,9%, a mais alta de todas as equipas na primeira jornada. A Costa Rica chutou mais que o Uruguai (13-9) e no caso dos EUA, o segredo esteve na pontaria, pois o Gana rematou 21 vezes contra oito, mas atirou 13 bolas para fora, contra três dos norte-americanos.

    A título de curiosidade, as equipas que venceram tiveram uma média de cerca de 56% de posse de bola, contra os 43,2% dos derrotados.

    Quem tem razão nesta discussão? O “Kaiser” ou o homem do “tiki-taka”? Deixe-nos a sua opinião, obrigado.