Aqui está, o Grupo E, o do Brasil. Grande é a expectativa em torno da “canarinha” e se será capaz de sustentar o seu rótulo de um dos favoritos ao triunfo na competição. O “escrete” é uma equipa totalmente diferente da que caiu vergada por 7-1 ante a Alemanha no Mundial de 2014, em casa própria, e apresenta-se na Rússia numa grande forma.

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A chegada de Tite ao comando técnico virou por completo a filosofia da equipa, mais centrada no colectivo, no equilíbrio entre defesa e ataque. Contudo, trata-se de uma formação que não vira costas ao talento dos seus jogadores, potenciando-o. E com isso todos ganham, inclusive Neymar, recuperado de lesão e, pelo que mostrou recentemente, pronto a apresentar a sua melhor face. Será que teremos de volta o grande Brasil?

Para começar, e em termos teóricos, a “canarinha” está num grupo acessível. Costa Rica, Suíça e Sérvia não parecem adversários à altura da capacidade demonstrada pelo Brasil nos últimos tempos. Assim, no Grupo E, a luta pelo segundo lugar parece ser aquela que mais equilíbrio trará, com qualquer uma das outras equipas a poder sonhar com a passagem aos oitavos-de-final. A não ser que se verifique alguma surpresa das grandes. E os Mundiais são pródigos nisso mesmo.

Já planeou o seu mês para acompanhar o Brasil e o Grupo E? Confira o calendário abaixo.

DataJogoHoraEstádio
Dom. 17 JunCosta Rica vs Sérvia13h00Samara Arena
Dom. 17 JunBrasil vs Suíça19h00Rostov Arena
Sex. 22 JunBrasil vs Costa Rica13h00Stadion Krestovskyi
Sex. 22 JunSérvia vs Suíça19h00Kaliningrad Stadium
Qua. 27 JunSérvia vs Brasil19h00Otkrytie Arena
Qua. 27 JunSuíça vs Costa Rica19h00Stadion Nizhny Novgorod
Identificados os jogos que marcam o calendário deste grupo, passamos aos destaques GoalPoint, equipa a equipa.

Brasil 🇧🇷

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Por falar em favoritos, este é um dos crónicos. O Brasil é uma eterna potência do futebol de selecções, sendo o país com mais títulos mundiais, nada menos que cinco, o último conquistado em 2002, e é a única nação totalista da competição, com 21 presenças (incluindo já esta de 2018). A forma como se apurou, com 41 pontos na zona de qualificação sul-americana, mais dez que o segundo classificado, o Uruguai, mostra bem a força da “canarinha” sob o comando de Tite.

A terra tremeu no Brasil quando, em Março, Neymar lesionou-se com aparente gravidade. Esta é uma das mais fortes selecções brasileiras dos últimos anos, com um seleccionador que devolveu a esperança aos adeptos brasileiros, mas jogar sem a sua maior estrela faria a diferença entre ser favorito ou apenas candidato. Neymar recuperou e, com ele, recuperou também a esperança de todo um país no hexacampeonato. O avançado sabe também que esta é a melhor oportunidade que tem de se intrometer na hegemonia Ronaldo/Messi para o título de melhor do mundo. O palco é seu.

Se Neymar saiu de Barcelona, à Catalunha chegou Philippe Coutinho. Ambos são da mesma geração e cresceram a jogar juntos nos vários escalões, sendo agora as duas grandes figuras da “canarinha”. Se de Neymar se espera fantasia, de Coutinho esperam-se as suas famosas “bombas” ao ângulo. O ex-Liverpool tem uma média de dois remates de fora da área a cada jogo, dos quais 34% vão à baliza e 65% dessas ao ângulo. Se lhe calham livres directos, também converte 23% dos mesmos. Prevêem-se “estragos”, tendo em conta as 1,6 faltas sofridas por Neymar em zonas perigosas, a cada 90 minutos.

É improvável que estes dois falhem no mesmo jogo, mas se essa improbabilidade acontecer ainda lá estará Willian, seja para servir, seja para desequilibrar no um-para-um. De Marcelo espera-se que dê a profundidade pelo flanco esquerdo que Neymar não dá, sem que se escuse de aparecer em zonas interiores como tanto gosta. E para deixar toda esta gente “à vontadinha” está lá Casemiro para fazer o trabalho de “sapa”. Já o escrevemos, nenhum jogador que vai estar Rússia desarma tantas vezes adversários como o ex-“dragão”.

Suíça 🇨🇭

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Uma ameaça ao Brasil? Pouco provável, embora no futebol tudo possa acontecer. Os suíços vão na 11ª presença em fases finais e deram muito trabalho aos campeões da Europa no Grupo B da qualificação europeia – impondo mesmo a primeira derrota oficial a Fernando Santos ao leme de Portugal. Contudo, terminaram em segundo lugar e precisaram de bater a Irlanda do Norte no “play-off” para seguirem para a Rússia.

Esta é mais uma oportunidade para a “geração de ouro” Suíça fazer um brilharete. Liderados pelo muitas vezes incompreendido Granit Xhaka, homem que regista uma média de 86 passes a cada jogo – só Thiago Alcântara (95) tem mais entre os presentes no Mundial -, os adversários de Portugal na qualificação tentarão aproveitar um grupo teoricamente acessível, mas ao mesmo tempo equilibrado, se excluirmos o Brasil. O segundo jogo, contra a Sérvia será fundamental.

Um dos melhores jogadores suíços da actualidade, mas que vai estar pela primeira vez numa fase final, é o médio da Atalanta, Remo Freuler. A qualidade de passe também é uma característica que faz parte do seu portefólio, mas o “Iceman” é mais forte que Xhaka na recuperação e aposta com mais frequência no um-para-um. Muito do que a Suíça pode vir a fazer passa pelo que conseguir extrair destes dois.

Xherdan Shaqiri chega, aos 26 anos, à quarta fase final da sua carreira, mas cada vez mais temos aquela sensação de que o melhor já passou. No entanto, nunca poderíamos descartar aquele que já foi uma das grandes esperanças do futebol mundial. O mesmo se passa com Ricardo Rodríguez, que desde cedo mostrou potencial para ser dos melhores laterais-esquerdos do mundo, mas tarda em confirmar isso ao mais alto nível. No entanto, tem sido sempre ao serviço da selecção que aparece o melhor Rodríguez, tal como se viu no “play-off” contra a Irlanda do Norte. Manuel Akanji é um representante da nova geração, que terá que lutar pela titularidade com o veterano Johan Djourou. Se a aposta for nele, pode estar aqui a rampa de lançamento de um grande defesa-central.

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