A campeã do Mundo, Alemanha, é clara favorita para arrecadar o primeiro lugar no Grupo F – já para não falar do próprio Campeonato do Mundo. Ainda assim, este agrupamento promete alguns jogos interessantes, pelo que – quem avisa amigo é – estamos perante um caso em que os germânicos podem pagar caro uma eventual sobranceria – não lhes é habitual, é certo. Há “inimigos” à espreita.

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Suécia e México não são propriamente “pêra doce”. Os nórdicos não têm Zlatan Ibrahimovic, mas compensam esse facto com uma maior diversidade de referências, deixando de depender tanto de um jogador. E o espírito combativo da equipa garante regularmente resultados surpreendentes antes adversários de monta, embora, é certo, raramente em fases finais – ninguém esquece que, em 2012, no apuramento para o Mundial de 2014, os suecos estiveram a perder 4-0 na Alemanha e conseguiram o empate 4-4.

O talento dos mexicanos pode ser mais visível, porém, faltará aos “aztecas” a organização e disciplina dos suecos. Ainda assim, tal como os nórdicos, poderão tornar-se também num adversário incómodo para os alemães. Caso tal não suceda, a lógica aponta para que estes dois “outsiders” lutem pelo segundo lugar…

Isto se a Coreia do Sul deixar. Imaginámos os coreanos quietos no seu canto a ler-nos enquanto elogiávamos Suécia e México, à espera de surgirem, sem aviso prévio, a aproveitar o factor-surpresa. A verdade é que a Coreia do Sul não é virgem em surpresas e poderá intrometer-se na luta pelo segundo lugar. Concorda?

Confira o calendário do Grupo F.

DataJogoHoraEstádio
Dom. 17 JunAlemanha vs México16h00Olimpiyskiy stadion Luzhniki
Seg. 18 JunSuécia vs Coreia do Sul13h00Stadion Nizhny Novgorod
Sáb. 23 JunCoreia do Sul vs México16h00Rostov Arena
Sáb. 23 JunAlemanha vs Suécia19h00Olimpiyskiy Stadion Fisht
Qua. 27 JunCoreia do Sul vs Alemanha15h00 Kazan Arena
Qua. 27 JunMéxico vs Suécia15h00Stadion Central’nyj
Identificados os jogos que marcam o calendário deste grupo, passamos aos destaques GoalPoint, equipa a equipa.

Alemanha 🇩🇪

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Esta é a selecção campeã do Mundo. Só esta afirmação deveria chegar para sublinharmos o poderio da Alemanha. No entanto, a “mannschaft” é muito mais do que isso. Esta é, nada menos, que a 19ª presença dos germânicos na fase final do Mundial, falhando apenas em 1930, simplesmente por não ter participado, e 1950, desta feita no rescaldo da II Guerra Mundial. No palmarés estão quatro títulos de campeão, apenas atrás do Brasil. Na Qualificação Europeia, a Alemanha jogou o Grupo C e ganhou todos os seus jogos – dez, somando 30 pontos, e com 43 golos marcados e somente quatro sofridos. É obra.

Quando, no Verão passado, a Alemanha venceu “sem espinhas” a Taça das Confederações, mesmo deixando meio plantel “em casa”, a afirmação de candidatura à revalidação do título mundial estava feita. Lá não estava presente, entre outras, a sua grande figura da actualidade: Toni Kroos, o homem que não falha passes. Só Mousa Dembéle (Tottenham / Bélgica) tem melhor eficácia no último terço (89%) que o alemão (88%) nos últimos dois anos, mas Kroos faz quase o dobro de passes para finalização (2,6 / 90 minutos, contra 1,2). Números impressionantes de um dos melhores médios da actualidade.

No ex-clube de Kroos, o Bayern, ainda está Joshua Kimmich. Dizemos ainda porque cada vez mais o lateral-direito se tem afirmado como um dos melhores do mundo na sua posição, e este poderá ser o Mundial em que isso fica definitivamente comprovado. Os seus números ofensivos estão à altura dos melhores extremos do mundo, criando uma média de 1,3 situações de finalização a cada jogo, só de bola corrida. Ainda tem que melhorar a sua agressividade nos duelos ofensivos e defensivos, mas com apenas 23 anos e um mundial ao nível do que fez na qualificação e tem feito no clube, Kimmich tem tudo para dar um salto parecido ao que Toni Kroos deu há quatro anos.

Um nome que dispensa apresentações é o de Mesut Özil. O médio-ofensivo do Arsenal continua a ser dos maiores criativos do mundo, mesmo num clube que muitas vezes não está ao seu nível, e quererá mostrar na selecção que o problema está longe de estar nele, como vezes demais é sugerido. Outro que não esteve na Taça das Confederações foi Mats Hummels, indiscutivelmente um dos melhores defesas-centrais do mundo, que fez parte do “onze” ideal da qualificação, a par de Jonas Hector e Thomas Müller, prováveis titulares, tal como Julian Draxler, o melhor alemão no “warm-up” russo do Verão passado.

México 🇲🇽

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O México é uma das mais fortes selecções da CONCACAF (América-Central e do Norte e Caraíbas). Como prova disso o primeiro lugar na quinta ronda de qualificação desta zona, com mais cinco pontos que o segundo classificado, a Costa Rica. Este foi, portanto, um apuramento “fácil” para “el tricolor”, que lhe garantiu a impressionante 16ª presença em fases finais do Mundial (duas como anfitrião, nas quais atingiu os quartos-de-final, a melhor classificação de sempre).

De todas as grandes figuras, o México terá talvez aquela que chega ao Mundial mais envolto em incerteza quanto ao seu estado de forma. “Chicharito” Hernández teve, aos 30 anos, uma das épocas mais cinzentas da sua carreira, anotando apenas oito golos num West Ham que andou a lutar para não descer de divisão. No entanto, os 48 tentos que marcou num total de 100 internacionalizações não deixam que perca esse estatuto, sobretudo se tivermos em conta que facturou nas suas duas participações anteriores em fases finais, contra França, Argentina e Croácia.

Se Chicharito “falhar”, as grandes esperanças mexicanas estão centradas – e com razão – em Hirving Lozano. O extremo-esquerdo do PSV teve, aos 22 anos, a sua primeira experiência europeia, e não desiludiu, longe disso. Para além de se ter sagrado campeão, foi o melhor marcador da equipa com 19 golos. Nenhum dos extremos-esquerdos que vão estar no mundial rematou tanto como ele em situações de bola corrida nos últimos dois (3,5 vezes a cada 90 minutos), mas Lozano ainda vai à linha cruzar 2,8 vezes por jogo. Mais uma transferência milionária à espera de acontecer.

Entre os mexicanos destacamos ainda dois portistas. Héctor Herrera chega ao mundial em grande forma após a época que fez no FC Porto, e tem também para apresentar como cartão de visita o facto de ter sido o melhor médio-defensivo da Taça das Confederações. Com a exclusão de Diego Reyes por lesão, quem pode aproveitar é Edson Álvarez, central muito promissor que ainda joga na Liga Mexicana, mas não demorará a vir para a Europa. Algo que Carlos Vela fez, talvez precocemente demais, quando assinou pelo Arsenal aos 16 anos. A sua carreira talvez não tenha sido o que se pensava, mas perguntem aos adeptos da Real Sociedad, onde marcou 73 golos, se não têm saudades dele. Agora está na MLS, onde leva sete em apenas 12 jogos.

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