O Grupo G corre o risco de ser um dos mais desequilibrados de toda a competição. Pelo menos a ter em conta o potencial das equipas. Tunísia e Panamá não aparentam estar à altura do poderio de Inglaterra e Bélgica, duas formações com argumentos de topo e candidatas a chegar às fases mais adiantadas da prova. Mas, como pode conferir no calendário abaixo, teremos de esperar pela derradeira jornada da fase de grupos para vermos as duas selecções em confronto. Estará já tudo decidido no dia 28?

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Este será o quarto embate entre as duas selecções em fases finais de grande competições. No Euro verificou-se um empate 1-1 em 1980, na fase de grupos, e no Mundial a História mostra-nos um longínquo 4-4 na fase de grupos em 1954 e um triunfo por 1-0 dos britânicos, também na prorrogação, nos oitavos-de-final do Itália 90. Apesar desta ligeira vantagem inglesa, toda a história de embates entre estas formações em fases finais aponta para um equilíbrio grande. E essa tendência poderá confirmar-se agora na Rússia.

Tunísia e Panamá são os “outsiders” do grupo. A não ser que se repita uma “gracinha” do tipo Costa Rica no Mundial de 2014, as hipóteses destas duas formações são ténues. Mas nada como esperar que a bola role.

Confira, em baixo, o calendário do Grupo G.

DataJogoHoraEstádio
Seg. 18 JunBélgica vs Panamá16h00Olimpiyskiy Stadion Fisht
Seg. 18 JunTunísia vs Inglaterra19h00Volgograd Arena
Sáb. 23 JunBélgica vs Tunísia13h00Otkrytie Arena
Dom. 24 JunInglaterra vs Panamá13h00Stadion Nizhny Novgorod
Qui. 28 JunInglaterra vs Bélgica19h00 Kaliningrad Stadium
Qui. 28 JunPanamá vs Tunísia19h00Mordovia Arena
Identificados os jogos que marcam o calendário deste grupo, passamos aos destaques GoalPoint, equipa a equipa.

Bélgica 🇧🇪

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A Bélgica é uma tradicional força do futebol europeu e mundial. Um princípio de século XXI pouco rico em termos de talentos individuais deixou os belgas fora da competição em 2006 e 2010. Entre 2002 e 2014 passaram 12 anos de travessia no deserto, mas uma geração de grandes jogadores voltou a colocar a selecção no mapa futebolístico. É certo que, em termos de resultados, este grupo de atletas ainda não deu uma alegria aos seus adeptos, mas garantiu a 13ª presença em fases finais de Mundiais, arrasando no Grupo H de Qualificação Europeia com mais nove pontos que a Grécia, segunda classificada.

Poucas selecções terão tanto talento ainda em “idade fértil” como a da Bélgica. Nada menos que 13 dos 23 jogadores que compõem o plantel nasceram já nos anos 90, e pelo menos seis são titulares indiscutíveis. Entre eles estão Kevin De Bruyne, a Figura, e Eden Hazard, a Aposta – mas até podia ter sido ao contrário, porque é muito mais o que os une do que o que os separa. Da idade ao campeonato em que jogam, passando pelo facto de ambos serem referências mundiais na posição em que actuam. Kevin De Bruyne merece o estatuto de figura por nós atribuído apenas pelo maior sucesso desportivo que alcançou na época passada. O “rei” mundial dos passes para golo – 21 em 17/18 e 23 em 16/17 – está um centro-campista cada vez mais completo e é cada vez mais frequente vê-lo recuperar bolas que depois transforma em “ouro”.

Quanto a Eden Hazard é, provavelmente, o melhor driblador do mundo da actualidade e o Chelsea começa a ser pequeno para a sua qualidade. O “mágico” concretizou 75% dos 6,6 dribles por jogo que tentou nos últimos dois anos, uma eficácia sem paralelo até noutros “fantasistas” de renome como Neymar (55%) e Messi (61%). Agora que até já está bem mais goleador, esta poderá ser a competição em que prova ao Mundo que está ao nível dos melhores do planeta, e até o sistema táctico beneficia as suas características.

Quem tem um grupo e selecção à sua medida é Romelu Lukaku. Afinal de contas, que outro ponta-de-lança não gostaria de ter De Bruyne e Hazard à sua volta? Enfrentando Tunísia, Panamá e até centrais ingleses que bem conhece, o jogador do Manchester United é um dos grandes candidatos a melhor marcador da prova. Dries Mertens é um homem que, pelos seus números, seria destaque em muitas selecções, mas acaba aqui um pouco ofuscado em termos de atenção mediática, enquanto Jan Vertonghen tem na selecção a complexa função de disfarçar a falta de laterais-esquerdos, sendo o central do 3-4-3 que mais aparece nessa zona, e quase sempre bem.

Inglaterra 🇬🇧

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O país que é pátria do futebol é um eterno candidato. Contudo, tem ficado aquém das vibrantes expectativas dos seus adeptos, apesar das gerações de grandes talentos, em especial na primeira década deste século. Desta feita são menos os nomes que fazem sonhar os ingleses, mas há jogadores que garantem qualidade para tornarem esta selecção bastante competitiva. O suficiente para assegurarem a 14ª fase final de um Mundial para Inglaterra após dominarem tranquilamente o Grupo F de apuramento.

Entre todos os presentes no Mundial, só dois jogadores, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, rematam mais do que Harry Kane a cada 90 minutos. De perto, de longe, de cabeça, com os pés, o ponta-de-lança inglês não pede licença na hora de disparar e fá-lo quase sempre com grande acerto, não sendo por isso de espantar que muitos o considerem actualmente o melhor ponta-de-lança do Mundo. Não é uma afirmação fácil, mas tendo em conta os seus tenros 24 anos, se ainda não o é… lá chegará. Com apenas 23 internacionalizações foi nomeado capitão da selecção, e isso diz muito do que se espera dele em Inglaterra.

Sem grande expectativas chega ao torneio Marcus Rashford. José Mourinho não confia muito no adolescente e não se coíbe de o afirmar, daí que a sua época tenha estado longe do esperado. Ainda assim, anotou 13 golos nas várias provas em que participou, com a particularidade de o ter feito no seu primeiro jogo de Champions League, confirmando assim a tendência para marcar em todas as estreias nas mais diversas provas. A Tunísia que se cuide, portanto. Ninguém mais do que Rashford quererá continuar a sequência e provar que José Mourinho está errado. Não seria o primeiro.

Ao contrário do que aconteceu no Euro 2016, a baliza da Inglaterra parece estar muito bem entregue e isso poderá vir a ser decisivo. Jordan Pickford parece levar vantagem sobre Jack Butland e Nick Pope, mas qualquer um deles tem a qualidade que faltou à baliza inglesa durante alguns anos. O “patinho feio”, Jordan Henderson, é o pêndulo do meio-campo. Não lhe peçam grandes malabarismos, a sua maior qualidade é fazer sempre a coisa certa no sítio certo, e qualquer equipa agradece isso, como se tem visto no Liverpool. A cargo de Raheem Sterling estarão os desequilíbrios com a bola nos pés. Ele é, de longe, o inglês mais forte no um-para-um, e está cada vez melhor na tomada de decisão, algo que lhe faltava demasiadas vezes.

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