Análise: que tendências marcaram o Brasil 2014?

Analisámos os dados de desempenho do Mundial 2014 em busca dos factores críticos de sucesso que ditaram os percursos das equipas em disputa.

2. Ganhou quem melhor defendeu?

 

Kuyt e Robben agradecem o aplauso após receberem as medalhas de terceiro classificado (foto: AGIF/Shutterstock)
Kuyt e Robben agradecem o aplauso após receberem as medalhas de terceiro classificado (foto: AGIF/Shutterstock)

Alguns analistas e comentadores, confrontados com o número de golos por jogo, referiram nos últimos dias que tal se deveu, em boa parte, a um maior desacerto defensivo das equipas participantes. Efectivamente 31 dos golos marcados no Brasil resultaram de erros defensivos, 18% do total. E podiam ter sido mais pois foram cometidos ao todo 65 erros defensivos claros, o que representa uma conversão em golo de apenas 47,7% dessas situações.

Se por um lado é pacífico assumir que quem mais erros cometeu pagou a devida factura por isso (Camarões, Honduras, Gana e Espanha lideram o ranking de número de erros por partida), isso não equivale a dizer que os que menos falharam foram necessariamente recompensados: entre as equipas que não cometeram qualquer erro defensivo surgem Uruguai, Chile, Argélia, Bélgica e Colômbia (nenhuma foi mais longe que os quartos-de-final), acompanhadas pelo Japão e Bósnia.

Se atentarmos no desempenho das quatro melhores equipas do torneio neste capítulo, percebemos que com excepção da Holanda (0,4 erros defensivos por jogo, nenhum resultante em golo), descobrimos à cabeça o Brasil (0,9 erros por jogo), Alemanha (0,7) e Argentina (0,6), todas elas com pelo menos um golo sofrido como consequência das falhas cometidas (no caso do Brasil o registo sobe a quatro), desempenhos médios que andam a par de equipas como a Grécia, Portugal, Rússia e Inglaterra e que sugerem duas conclusões: em primeiro lugar que não foi pela ausência de erros que as melhores equipas atingiram a fase decisiva e, por outro, mais simplista, que quem não arrisca… não petisca.