O GoalPoint estreia nesta ocasião mais uma iniciativa inovadora. Football MythBusters pareceu-nos ser o nome mais apropriado – porque em inglês parece mais fino e já agora homenageia uma emblemática série de TV -, mas também podia ser a GoalPoint Faísca ou GoalPoint Sal&Pimenta, porque o objectivo é mesmo ajudá-lo a acender e temperar ainda mais as discussões de café que todos nós gostamos.

O nosso tempero preferido é aquele que dominamos melhor, os números, e tem a vantagem ainda de ser aquele que retrata melhor a realidade dos factos. Nós, pelo menos, é nisso que acreditamos.

Para começar a iniciativa, optámos por analisar uma ideia que atemorizou muitos benfiquistas no início da época e que ainda hoje divide as hostes “encarnadas”, a de que a chegada de Rui Vitória, tendo feito currículo sobretudo em equipas de menor dimensão, significava o fim do futebol espectáculo e da vertigem ofensiva a que Jesus habituou os benfiquistas. Mas será mesmo assim? Pelo sim pelo não é este o primeiro “mito” que lançamos a teste:

“O Benfica de Rui Vitória cria menos perigo que o comandado por Jorge Jesus”

Para tirar teimas fomos comparar a produção ofensiva do Benfica 2015/16 com a do Benfica 2014/15, e juntámos-lhe ainda os números da última equipa treinada por Rui Vitória, o V. Guimarães. A ideia foi tentar perceber o tempo que cada uma delas demora até chegar à baliza contrária nos períodos em que tem a bola.

Football Mythbusters 1: O Benfica de Vitória cria menos perigo que o de Jesus?
Os minutos de posse até remate dos “Benficas” em análise e do último Guimarães de Vitória

Numa primeira análise o temor que se foi mitificando perde logo força. O Benfica de Rui Vitória tem uma média de 66% de posse de bola a comparar com os 64% do Benfica de Jorge Jesus, mas mais importante que isso, nos períodos em que tem a bola demora significativamente menos tempo a rematar à baliza do que fazia o Benfica de Jesus, tendência que já se verificava nos tempos de Guimarães.

Football Mythbusters 1: O Benfica de Vitória cria menos perigo que o de Jesus?
Quantos passes até realizar um passe para ocasião faz o Benfica actual comparado com o de Jesus (e o Guimarães de Vitória)

Mas é quando detalhamos o processo de construção propriamente dito que o mito se confirma… como mito. Na verdade, o Benfica de Jorge Jesus, em 2014/15, precisava de mais 15 passes até criar uma ocasião de golo do que o actual, e mais uma vez Rui Vitória já mostrava essa tendência de chegar com um jogo mais directo e menos mastigado à baliza contrária nos tempos de Guimarães.

Embora apenas uma época completa permita validação conclusiva, fica assim arrumado este assunto para já. Rui Vitória ainda não ganhou nada e até perdeu um jogo para o seu antecessor, mas se o Benfica ficou pior em alguma coisa não foi na qualidade de jogo ofensivo, e isso os números o provam. Adicionalmente, convém recordar que Rui Vitória não conta ainda na “asa direita” com um elemento fundamental na produtividade da “águia jesuíta”: Sálvio.

Para saber mais sobre a produção comparada do Benfica, Porto e Sporting confira também o Barómetro GoalPoint, actualizado semanalmente.

 

Se quiser provar a sua teimosia ou calar aquele seu amigo mais “chatinho” já sabe, deixe sugestões de mitos que gostava de ver analisados, prometemos considerar todas as sugestões. Envie a sua sugestão de análise Football Mythbusters para [email protected]