Antes e após cada jogo “grande” surge ciclicamente a verbalização de um mito que qualquer adepto do futebol português já ouviu:

“É nos jogos grandes que se ganham os campeonatos”

Mas há também quem afirme que é nos duelos com as equipas de segundo plano que se decidem os campeões. “O melhor é testar o mito” pensámos nós, nesta segunda incursão pela nova rúbrica GoalPoint, Football Mythbusters.

QUATRO EM DEZANOVE *

Os últimos 20 anos de história do campeonato nacional são um bom ponto de partida para analisar e perceber se o mito tem razão de ser. Para tal dividimos o campeonato em duas tabelas: uma com os pontos conseguidos nos seis “clássicos”, e outra com os pontos arrecadados nos restantes jogos. Qual delas “acertará” mais vezes no campeão real? Eis o histórico dos últimos 20 anos (*reduzidos a dezanove no âmbito da análise em causa devido à intromissão do Boavista em 2000/01).

Mythbusters 2: Tabela 1

Apesar de na maioria das vezes o campeão nacional ser o mesmo que fez mais pontos nos “clássicos”, já houve quatro ocasiões nas últimas 20 épocas em que isso não aconteceu. Mais, nessas quatro ocasiões curiosamente a equipa que levou o troféu foi mesmo aquela que menos pontos obteve nos jogos disputados entre eles. Mas será que a percentagem de acerto é maior quando olhamos aos restantes jogos do campeonato?

Mythbusters 2: Tabela 2

“Não adianta vencer derbies e “clássicos” se depois não conseguirmos vencer os outros jogos”, disse João Mário ao jornal do Sporting esta semana. E com razão. Fazer mais pontos nos restantes jogos resulta sempre em título, e apesar de tipicamente não serem contra adversários directos, manter uma consistência maior nos jogos contra os restantes opositores acaba por ser mais importante do que ser o melhor nos confrontos directos.

A frase do mito é, portanto, falsa, e a sua descontrução fica por aqui, mas sobram ainda duas perguntas.

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