Ninguém duvida do peso que a formação leonina teve para a selecção nas últimas décadas. O facto de ser o clube que mais jovens portugueses lança na equipa principal, e também de ter associados a si os dois nomes mais sonantes da selecção nos últimos anos (Figo e Ronaldo), quase valida por si só a ideia de que sem Sporting tudo seria bem diferente. Mas será que olhando ao panorama actual e a todos os jogadores (esquecendo a sua dimensão futebolistica e mediatica) que compõem a selecção a ideia é igualmente válida? E se sim, qual o peso relativo do Sporting face aos outros clubes portugueses? É mais um tema apropriado à rúbrica GoalPoint Football Mythbusters.

O método aplicado foi simples: “pegar” em todos os jogadores convocados por Fernando Santos no ano de 2015 e analisar o seu currículo em Portugal. Desde as camadas jovens aos seniores, ver por onde passaram e quanto tempo ficaram, e confirmar ou desmentir o mito.

QUE CLUBES DEFINEM A “NOVA” SELECÇÃO?

No total foram 46 os jogadores convocados por Fernando Santos ao longo do ano de 2015. Anthony Lopes e Raphael Guerreiro não têm histórico em Portugal, por isso foram excluídos da equação, e sobram-nos então assim 44 atletas para analisar. Quantos passaram em cada clube?

Football Mythbusters - 3 - O Sporting é o cube que dá mais jogadores à Selecção?
Clique para ampliar (infografia: GoalPoint)

A primeira surpresa aparece logo aqui. Sporting e FC Porto estão em pé de igualdade no número de escolhidos de Fernando Santos que passaram por cada uma das casas, com a curiosidade ainda de sete deles terem passado por ambas. O Benfica vem muito atrás com apenas 12, sendo alguns deles muito recentes.

Se neste aspecto o mito perde um pouco de força dada a igualdade, olhando aos nomes em questão salta à vista a tal tendência do Sporting em assumir-se como clube formador, e a do Porto como clube lançador. Importa então perceber não só as passagens por cada “casa”, mas também o tempo que lá ficaram a “morar”.

Football Mythbusters - 3 - O Sporting é o cube que dá mais jogadores à Selecção?
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Essa tendência sim, sai confirmada. Apesar de ter o mesmo número de jogadores associados ao seu emblema que o FC Porto, no Sporting a sua estadia é tipicamente mais longa, muito por culpa dessas mesmas passagens serem feita ao nível da formação. Jogadores com dez ou mais épocas de casa, o Sporting tem sete, enquanto o FC Porto tem apenas dois, Rúben Neves e Ventura, embora este último não tenha sido ainda internacional A.

Aqui destaque para o Varzim, emblema com preponderância muito importante na formação de três elementos seleccionáveis. André André e Neto passaram 13 anos no clube poveiro, aos quais se junta Bruno Alves com sete temporadas de “alvinegro”.

Por esta altura já podemos tirar conclusões acerca do mito. Não sendo o que “oferece” mais jogadores em número absoluto, o Sporting é de facto o clube que tem mais preponderância para a selecção nacional neste momento, visto ter um maior peso na formação dos atletas que habitualmente compõem o conjunto de seleccionáveis.

OS TREINADORES DE LANÇAMENTO

Já que estávamos com a mão na massa, decidimos identificar os treinadores responsáveis pelo lançamento a titular na Primeira Liga de cada um dos seleccionados do “engenheiro”. Será que a tão falada mudança de paradigma nos dois maiores emblemas de Lisboa tem real correspondência no histórico de lançamento de valores nacionais pelos seus treinadores actuais?

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Também aqui contra factos não há argumentos. Paulo Bento tinha colados a si nomes como Nani, Miguel Veloso, Rui Patrício, Adrien e Daniel Carriço, mas Rui Vitória já conseguiu apanhar o ex-seleccionador nacional com as recentes chamadas de Gonçalo Guedes e Ricardo Pereira. A esses junta André André, Paulo Oliveira e Nélson Semedo, nomes tidos como o futuro da selecção nacional e que mostram a propensão do actual técnico dos “encarnados” para lançar talento.

Jorge Jesus tem no seu currículo apenas um nome dos actuais seleccionáveis, André Gomes. Fica por perceber se esta associação Sporting/Jorge Jesus vai fazer mudar o paradigma do clube ou do próprio técnico, mas a recente contratação de Bruno César para um lugar onde Gelson, Carlos Mané e até Matheus Pereira (cuja eventual naturalização vai alimentando especulação) se procuravam afirmar, parece alimentar a ideia aqui retratada no gráfico, a de que Jorge Jesus olha mais à experiência do que à juventude na altura de eleger os homens com que vai à “guerra”.