Tenho sido muito crítico para com os adeptos do futebol português, porque s(na sua maioria) só pensam em ver os seus clubes ganhar sem olhar ao método, contexto e “clima social” do futebol luso.

Os dirigentes são o espelho, e vice-versa, dos adeptos. Querem ganhar a todo o custo. E, assim, esmiúçam os regulamentos à vírgula para ganharem vantagem sobre os seus opositores.

Isto vem a propósito da marcação dos jogos Benfica-Sporting e FC Porto-Sp. Braga para este domingo. O dérbi realiza-se às 17h00, 69 horas depois do apito final do encontro entre Sporting e Skenderbeu, no qual Jorge Jesus utilizou as chamadas “segundas linhas”.

No Dragão passa-se, precisamente, a mesma coisa. O jogo inicia-se também 69 horas após o término do encontro Sporting de Braga e Marselha, que foi de uma intensidade muito superior ao jogo entre FC Porto e Maccabi para a Champions.

A marcação dos jogos, sufragada por uma Liga de Clubes que enchia de esperança os adeptos do futebol português, é perfeitamente legal.

Diz o Regulamento de Competições da Liga no artigo 44, ponto 5, alínea E:

“Quando um clube, participante nas competições da UEFA, tenha de disputar um jogo dessa competição à quinta-feira em território nacional tem direito a que o jogo seguinte na competição nacional não se realize na sexta-feira e sábado seguintes à realização daquele jogo internacional.”

(Clique para consultar o regulamento)

Ou seja, partimos do princípio que Benfica e FC Porto até foram amigos de Sporting e Sporting de Braga, respetivamente, ao não agendarem os jogos para domingo de manhã…

O mais curioso é que a alínea A diz que entre dois jogos de competições nacionais deverá ser respeitado “um intervalo de 72 horas”, salvo acordo escrito entre os clubes contendores.

Para que se entenda; se Sp. Braga e Sporting tivessem jogado no mesmo dia e às mesmas horas um encontro da Taça da Liga ou da Taça de Portugal os duelos não se podiam realizar às horas que estão determinadas. O Benfica-Sporting teria de se iniciar, pelo menos, às 20.00. E o FC Porto-Sp. Braga às 22.00.

É preciso dizer que os regulamentos foram aprovados pelos clubes na sede da Liga. Por isso, nem Sporting nem Sp. Braga têm grandes razões de queixa, pois alinharam na aprovação dos regulamentos.

No entanto, falta cumprir aquela lei que não vem em nenhuma legislação ou regulamento; a lei do bom senso e da promoção do melhor futebol português possível, a bem de clubes, jogadores, adeptos e patrocinadores.

Não se percebe a razão por que os dois encontros, ou pelo menos um deles, não se disputam na segunda-feira, principalmente quando a próxima semana está totalmente limpa de compromissos.

Isto só acontece porque Benfica e FC Porto aproveitaram os regulamentos e o diálogo entre clubes é inexistente. Hoje os beneficiados podem ser os prejudicados de amanhã. E quem perde com isto tudo é o futebol português, que cada vez tem menos gente a defendê-lo.

PS – Haverá certamente especialistas capazes de explicar quantas horas necessita um futebolista de descansar entre jogos para estar na sua plenitude física. Os clubes, já percebemos, não consideram esse expediente. E a Liga? Julgo que a resposta será a mesma.