Nacional 0 – Sporting 1: Mané dá corpo aos números

O Sporting foi mais equipa, criou mais perigo, soube aproveitar as lacunas madeirenses no meio-campo e conquistou três pontos preciosos antes da paragem do campeonato.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Em dia de homenagem a Cristiano Ronaldo na Madeira, nada mais apropriado que os dois clubes que o internacional luso representou em Portugal se defrontassem na terra-natal do melhor jogador do Mundo. Nacional e Sporting não corresponderam, contudo, à qualidade do atleta do Real Madrid, valendo o encontro – e a vitória leonina – pela grande luta e competitividade dos dois lados.

As duas formações entraram em campo com sistemas semelhantes, no caso do 4x3x3 do Nacional mais perto do 4x2x3x1, mediante a estratégia de maior contenção e procura das transições rápidas de ataque. Os insulares, aliás, foram bastante eficazes no aproveitamento dos muitos passes errados do “leões” no momento ofensivo, iniciando inúmeros contra-ataques, contudo sem grande perigo, pois o último passe raramente saiu. O Sporting, ao invés, atacou muito e teve o condão de conseguir que os seus extremos, André Carrillo e Carlos Mané, surgissem soltos nos espaços entre os centrais e os laterais do Nacional. Neste particular, curiosamente, Islam Slimani foi muito importante, pela forma como conseguiu combinar com os médios e os extremos, fazendo rodar completamente a equipa, enquanto de costas para a baliza.

Marco Silva deixou cair, para este jogo, o 4-4-2 que na última jornada não tinha dado mais do que um empate 1-1 ante o Moreirense, em casa. Naturalmente, o treinador leonino quis dotar a sua equipa das armas para lutar contra o habitual estilo de jogo adversário, com muita luta no “miolo” e transições em bloco. André Martins foi a novidade no “onze” sportinguista, para dar capacidade de explosão à equipa, mas a sua presença foi breve, saindo lesionado para dar o seu lugar a João Mário. O “leão” ganhou um pouco mais de critério no passe e nas decisões, mas não o suficiente para mudar o cariz da partida. Foi de luta que este jogo foi feito, mais do que inspiração, como mostram os números da primeira parte (e não só).

Ambos os conjuntos mostraram muita dificuldade no passe, errando bastante neste capítulo. O Nacional conseguiu apenas 60,5% de passes certos e o Sporting 68,5% – número que melhorou ligeiramente no segundo tempo -, dado mais preocupante ainda tendo em conta que estes valores surgiram com uma quantidade anormalmente baixa de entregas, 124 dos da casa, 178 dos visitantes (por norma, a eficácia de passe diminuir à proporção do aumento do número de entregas, e não o inverso).

Sem oposição no meio

Ainda assim, dava para ver que era o Sporting a equipa mais perto do golo e já no primeiro tempo Slimani e Carlos Mané mostravam ser os mais perigosos em campo. E tal transferiu-se para o segundo tempo, que começou praticamente com o golo leonino (51’), apontado precisamente por Mané, em recarga a uma defesa incompleta de Gottardi. Era o corolário do maior ascendente do Sporting, que continuava a colocar jogadores sem marcação nos corredores interiores do ataque, e a trocar a bola sem grande oposição na zona central. Apesar da boa exibição do médio Aly Ghazal, que conseguiu 14 recuperações de bola, em seis desarmes, quatro alívios e oito intercepções, a verdade é que os parceiros de sector – Saleh Gomaa e Boubacar Fofana – pouco fizeram no capítulo defensivo, somando os dois em conjunto apenas cinco recuperações, um alívio e duas intercepções (Gomaa esteve bem, porém, no passe, com 45 e 75,6% de precisão; Boubacar nem aqui se destacou, com 14 passes apenas).

No Nacional o destaque vai para o lateral-esquerdo Marçal, que somou 91 toques na bola (o segundo com mais toques na sua equipa foi Gomaa, com… 66), ganhou 82,4% dos duelos que disputou, fez nove desarmes, três alívios, duas intercepções e nove recuperações de bola – e perdeu-a 29 vezes.

Do lado lisboeta, Carlos Mané foi a figura, não só pelo golo que marcou, mas pela movimentação e inteligência na ocupação dos espaços, que lhe proporcionou quatro remates, três deles enquadrados, um aproveitamento em golo de 25% e três passes para ocasião (superado apenas pelos quatro de Cédric). Bem perto destes números esteve o influente Slimani, muito lutador, comprometido com a movimentação colectiva e autor de cinco remates, mas apenas um enquadrado. A entrada em campo de João Mário ajudou a dar critério ao jogo do Sporting, como referimos acima, e o médio somou 42, com excelentes 88,1% de eficácia. Adrien Silva (que acabou expulso por duplo amarelo perto do fim) fez 41, com 80,5% de acerto.

No final, os números foram consistentes com o que se passou em campo. Sporting com 18 remates (oito enquadrados) contra sete do Nacional (que apenas uma vez acertou na baliza), “leões” com 12 disparos dentro da área contrária (quatro dos insulares), 54,8% de posse de bola para os visitantes para 45,2% dos homens da casa, 70,3% de eficácia de passes (em 360) para os lisboetas e apenas 67,9% dos madeirenses (em 296), sendo que os comandados de Manuel Machado ganharam nos duelos: 57,2% vs 44,1%.