Nacional 1 – Benfica 2: Reviravolta abre caminho à liderança

O Nacional entrou forte e marcou logo no primeiro minuto, Salvio e Jonas operaram reviravolta no marcador.

Jonas foi decisivo na definição do marcador (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Jonas foi decisivo na definição do marcador (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

As deslocações à Madeira, traduzem-se em jogos de elevada exigência. Em cinco partidas em casa, o Nacional apontou outros tantos golos e apenas sofreu dois. O Benfica procurava recuperar o primeiro lugar depois de o Vitória de Guimarães ter derrotado o Arouca e ascendido, à condição, ao topo da tabela classificativa.

A equipa orientada por Manuel Machado entrou com uma grande intensidade na partida e, logo no primeiro minuto do jogo, Edgar Abreu inaugurou o marcador. O 4x2x3x1 dos madeirenses prevaleceu sobre o habitual 4x1x3x2 do Benfica. O Nacional aproveitou a falta de estabilidade defensiva dos “encarnados” e chegou primeiro ao golo.

Sem Samaris no “onze” titular, Jorge Jesus decidiu apostar em Enzo na posição “6”, ou “4” como lhe chama Jorge Jesus, e em Talisca para apoiar a dupla composta por Lima e Jonas. O Benfica entrou assim, sem a sua grande referência de estabilidade dos processos defensivos, embora ainda numa fase de crescimento e assimilação de ideias.

A formação madeirense soube explorar a falta de entrosamento entre o quarteto defensivo e o meio-campo dos “encarnados” e sem oposição à entrada da área, Edgar Abreu fez o 1-0. O Benfica reagiu e, passados seis minutos, igualou o resultado por intermédio de Salvio. Na sequência de um cruzamento da esquerda de Gaitán, o extremo argentino de cabeça fez o 1-1.

O golo levou a que o Benfica entrasse novamente na disputa do resultado, crescendo animicamente, apresentando o seu melhor futebol durante toda a partida. Aos 19 minutos, após a marcação de um canto, Jonas virou o resultado.

Durante os primeiros 45 minutos, o Nacional tentou explorar as faixas laterais e o espaço entre o sector defensivo e intermédio do Benfica face à ausência de rotinas de Enzo e Talisca em momentos de organização defensiva. Marco Matias criou dificuldades a Maxi. Suk e Rondón trocavam muitas vezes de posição o que complicou a marcação dos centrais e André Almeida.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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O Benfica, através do seu ataque posicional, desequilibrava com a descida de Jonas no terreno para organizar o jogo. Enzo foi obrigado a pegar na batuta muito atrás e quando conduzia a bola para terrenos mais adiantados descompensava defensivamente a equipa. Talisca sentiu dificuldades para se impor na luta a meio-campo, com os jogadores do Nacional a ganharem vantagem. Salvio foi a unidade mais irreverente do ataque “encarnado”. O extremo argentino e Maxi foram responsáveis por 46,1% dos ataques do Benfica no primeiro tempo.

A primeira parte ditou uma superioridade do Nacional em termos de agressividade com 53,3% dos duelos ganhos contra 46,7% do Benfica. O conjunto lisboeta apresentou 60,9% de posse de bola e 82,4% de eficácia de passes. A partir do golo de Jonas, o Benfica limitou-se a gerir o resultado, não criando mais oportunidades de golo até ao apito para os balneários.

A qualidade individual de Salvio e Jonas fez a diferença ao intervalo, permitindo aos “encarnados” descansarem sobre a vantagem.

Segurança

Na segunda parte, o Benfica entrou a controlar a partida, não concedendo mais espaços na sua zona defensiva e afastando os madeirenses da zona de decisão.

Manuel Machado e Jorge Jesus decidiram mexer ao mesmo tempo, 56 minutos, trazendo a jogo João Camacho e Samaris. Edgar Abreu e Lima foram os sacrificados. Duas alterações com objectivos bem distintos. Do lado do Nacional, a entrada do extremo português, teve como intuito mexer com o jogo e apostar mais em iniciativas individuais, pelo corredor direito, com André Almeida a enfrentar muitas vezes situações de inferioridade numérica, com João Aurélio e João Camacho.

O Nacional desdobrou-se em 4x4x2 e isso foi notório a partir dos 61 e 71 minutos com as entradas de Lucas João e Willyan para os lugares de Suk e Miguel Rodrigues.

Talisca subiu no terreno para ocupar a posição onde tem rendido mais mas acabou por sair aos 75 minutos sem grande notoriedade. Samaris entrou para acalmar o ritmo de jogo e soltar Enzo para as missões ofensivas. O médio grego ficou logo condicionado pelo cartão amarelo que viu aos 59 minutos.

O Benfica tentou resistir ao assalto final do Nacional com grandes dificuldades. Gaitán teve nos pés uma oportunidade para fazer o 3-1 mas permitiu a defesa de Rui Silva. Nos últimos 20 minutos da partida, o Nacional cresceu e inverteu a tendência do jogo, chegando a estar mais próximo do golo do empate do que o Benfica de dilatar a vantagem. Aos 85 minutos, Jorge Jesus tirou Jonas e colocou Pizzi para travar as investidas no corredor central. Jonas voltou a protagonizar uma exibição de bom nível.

Mario Rondón esteve em destaque com dois passes para ocasião. O avançado do Nacional fez com que Luisão e Jardel tivessem uma tarefa espinhosa para susterem as suas acções. Marco Matias, com três cruzamentos com sucesso, e Edgar Abreu com 100% de eficácia nos passes, foram outras das melhores figuras do Nacional. Em termos defensivos, Fofana ganhou 80% dos duelos disputados.

Do lado do Benfica, nota para a exibição de Enzo Pérez, contrapondo com a falta de acerto dos restantes jogadores. O médio argentino completou 45 passes com 88,9% de eficácia. Jonas criou três oportunidades de golo e Gaitán foi o elemento mais rematador da equipa “encarnada”, com quatro disparos. Defensivamente, Luisão foi a figura de maior relevo, vencendo 62,5% dos duelos disputados.

O Benfica sentiu muitas dificuldades na Choupana, frente a um Nacional agressivo e com vontade de amealhar pontos na recepção aos campeões nacionais. A equipa de Jorge Jesus terminou o jogo com 54,3% de posse de bola, 72,2% de eficácia de passes e apenas 45% duelos ganhos, contra 55% do Nacional e 67,7% de eficácia de passes da equipa madeirense.