“Não é normal”: analytics dão razão a Conceição 📊

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A derrota do FC Porto por 3-2 em casa do Paços de Ferreira foi a segunda esta época na Liga NOS, em apenas seis jornadas. Em simultâneo, foi também a segunda vez em somente 14 dias que os “dragões” bateram o seu próprio recorde negativo de expected goals (xG) permitidos aos adversários, desde que o GoalPoint tem esta variável para o campeonato português (época 18/19).

Este é um sintoma que dá razão às palavras de Sérgio Conceição no final da partida. “Isto não é normal nas minhas equipas”, afirmou o técnico. Certamente não se estava a referir especificamente aos xG, mas para isso é que cá estamos nós. Fomos ver os nossos “arquivos” e, desde que temos acesso a este dado, esta foi a pior prestação do Porto no que toca a permitir situações claras de golo aos adversários.

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Na Capital do Móvel, o Paços conseguiu uns apreciáveis 2,41 de expected goals. O que torna este número preocupante para os portistas é precisamente o facto de não ter sido um caso isolado. Decorreram apenas 14 dias desde que os “azuis-e-brancos” tinham fixado este máximo indesejável, no “clássico” em Alvalade ante o Sporting (2,13 xG). Pode conferir as estatísticas destas duas últimas partidas em baixo.

Em ambos os encontros, o Porto permitiu mais remates aos seus oponentes, chegando aos sete na partida ante os “castores”. Em Alvalade, os portistas tiveram outro problema, nomeadamente as perdas de bola em zonas defensivas, algo que escalpelizámos no rescaldo do grande jogo, e a verdade é que, novamente, grande parte dos ataques de perigo do Paços surgiram pelo lado canhoto dos campeões nacionais, concretamente no golo de Stephen Eustáquio e no tento anulado a Luther Singh.

Contudo, há outros sintomas a ter em consideração esta época. Neste momento o Porto soma nove golos sofridos, ou seja, 1,5 por jogo, sendo, por isso, a sexta pior defesa da Liga. Se as perdas de bola são um problema já identificado, há outro que deverá merecer a atenção de Sérgio Conceição: o Porto é a sexta equipa que mais dribles permite aos seus adversários por jogo no primeiro terço, nada menos que 5,0.

Outros exemplos de xG contra permitidos

Nunca antes destas duas partidas fora de casa do Porto, os “dragões” haviam permitido mais de 2,0 xG, desde a tal épocas de 2018/19. Os três anteriores jogos com expected goals mais desfavoráveis acontecerem dois na época passada e um na anterior, de cujos jogos pode consultar as estatísticas essenciais em baixo.

Na difícil vitória por 3-2 em casa do Belenenses SAD, na segunda jornada de 18/19, os portistas permitiram 1,82, algo que acabou por não influenciar sobremaneira o resultado final. O mesmo aconteceu no 3-2 ao Benfica no Dragão, na época passada, para muitos o jogo do título. Os homens da Invicta ganharam, mas não se livraram de um xG contra de 1,72. Mas as coisas não correram tão bem na jornada inaugural de 19/20, pois os expected goals de 1,67 permitiram ao Gil Vicente vencer por 2-1.

Há um padrão nestes jogos. Com excepção para o Porto-Benfica, que se disputou em Fevereiro, todos os outros embates em que o Porto esteve defensivamente permeável aconteceram no arranque das épocas, o que aponta para problemas precisamente quando estas estão ainda em fase de arranque e os “motores” ainda não aqueceram.

Desta feita o cenário parece mais negro. O Porto já perdeu oito pontos, em 18 possíveis. É o pior arranque do Porto em termos de resultados desde a longínqua época de 1993/94 (ainda com dois pontos por vitória), que começou com Tomislav Ivic, terminou com Bobby Robson e viu o Benfica sagrar-se campeão, e desde 1972/73 que os “dragões” não somavam dois desaires nas seis primeiras jornadas.

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