Novo flanco esquerdo como chave do “clássico”

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O “clássico” de sábado entre Sporting e Porto terminou empatado 2-2. Um jogo muito disputado e competitivo, de luta, nem sempre bem jogado, mas que teve emoção do princípio ao fim, com golos, uma reviravolta e um empate perto do apito final. Muito ficou para debater e analisar no rescaldo desta partida, mas houve alguns detalhes que saltaram à vista e que merecem um olhar mais atento.

Sérgio Conceição lamentou, na conferência de imprensa final, as “perdas de bola a sair para o ataque que não são normais”, nos “primeiros 20 minutos após o intervalo”. E o treinador dos “azuis-e-brancos” tocou mesmo num dos pontos fulcrais da partida deste sábado, algo comprovável com um olhar mais profundo aos números do jogo.

[ Todas as perdas de bola do FC Porto no jogo de Alvalade ]

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O facto de este ter sido o quinto jogo com mais passes falhados nesta Liga, nada menos que 173, e de os “azuis-e-brancos” terem atingido somente 66% de eficácia de passe no segundo tempo, ajuda a compreender um pouco este detalhe referido pelo treinador campeão nacional, mas há outros números relevantes.

A reter: o Porto atingiu o quarto registo mais alto nesta ainda precoce Liga no que toca às perdas de posse em zona defensiva, nada menos que 21. Aliás, o golo do empate leonino aconteceu precisamente num lance de potencial contragolpe, que acabou com uma recuperação rápida de João Palhinha e terminou com Vietto a colocar a bola na baliza. Os “leões” foram exímios a realizar este tipo de pressão em zonas adiantadas do terreno, em especial na etapa complementar, quando tentavam anular a desvantagem no marcador. Não espantam, por isso, as 17 acções defensivas do Sporting no meio-campo adversário, também o quarto valor mais alto da Liga até ao momento.

As perdas de posse do Porto representadas na imagem, os passes falhados (círculos), más recepções (quadrados), dribles falhados (triângulos) e desarmes sofridos (símbolo +), foram mesmo um problema em todo o terreno, mas Sérgio Conceição tem razão ao queixar-se das que aconteceram ainda em zona defensiva. Em especial do lado esquerdo, onde Zaidu esteve bem em zonas adiantadas (já lá vamos), mas nem tanto quando a bola passou por si em zonas “baixas”. Aliás, foi pelo lado canhoto que, no primeiro terço do terreno, o Porto perdeu 16 vezes a bola, em 21 (sete passes falhados, duas más recepções, três dribles falhados e quatro desarmes sofridos, tudo pelo flanco esquerdo). Um dado que não dá para ignorar no pós-“clássico”.

Figuras do Sporting

Quanto ao Sporting, destacamos dois jogadores. Começamos por João Palhinha que, no final, não teve um GoalPoint Rating relevante, mas foi fundamental naqueles momentos que falámos acima, de pressão e recuperação de bola, originando a perda contrária. Foi o “trinco” que recuperou a bola para o lance do 2-2, terminando o jogo com cinco desarmes, seis recuperações de posse e, muito importante, três acções defensivas no meio-campo contrário.

Pedro Porro, por seu turno, alternou o bom com o menos bom. Dois passes para finalização, três dribles eficazes em quatro, cinco desarmes e quatro acções defensivas no meio-campo contrário são números que ajudaram a compreender tais 16 perdas de posse do Porto no primeiro terço por esse lado (o esquerdo dos “dragões”). Contudo, o espanhol foi driblado cinco vezes. Só Marcelo Hermes, do Marítimo, o foi mais vezes (6), também ante os portistas, na jornada passada.

Figuras do Porto

A riqueza das exibições individuais do Porto salta à vista com os dois destaques que escolhemos para este encontro. Luis Díaz teve o melhor GoalPoint Rating da partida. Não sabemos se foi a chegada de Felipe Anderson que espicaçou o colombiano, mas a verdade é que o extremo esteve endiabrado, como dizem a assistência e os sete dribles eficazes que conseguiu (100% de eficácia). O Porto passou a ser a segunda equipa com mais dribles completos num jogo esta época na Liga (19) – primeiro o Benfica, 20, ante o Famalicão -, e os tais sete de Díaz colocaram-no no topo da lista individual – com tantos quanto Everton “Cebolinha”, frente ao Famalicão, mas em apenas 58 minutos, contra os 90 do benfiquista. E ainda somou 11 acções com bola na área sportinguista, terceiro valor mais alto (Galeno impera, com 19 ante o Nacional).

Terminamos com Zaidu. O nigeriano teve a complicada tarefa de substituir Alex Telles no lado esquerdo da defesa e não esteve nada mal em termos ofensivos. O brasileiro era fonte de assistências em catadupa e Zaidu “homenageou” Telles com o passe para o 1-1. Os colegas do ex-Santa Clara também se estarão a adaptar ao novo lateral-esquerdo e solicitaram bastante Zaidu no passe. Pepe fez 11 entregas para o nigeriano, estabelecendo o passe mais frequente entre os “azuis-e-brancos”, como se o “abre-latas” Telles ainda lá estivesse.

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Defensivamente, o jogador de 23 anos registou oito recuperações de posse e seis alívios, mas as tais 16 perdas em 21 no primeiro terço, verificadas pelo seu lado, acabam por colocar algumas interrogações que já deixava no Santa Clara. Recorde-se o que referimos na análise à sua contratação: “As dificuldades técnicas que ainda possui notam-se também na frequência com que regista maus domínios de bola (1,9 / jogo) – o que equivale a dizer que uma a cada 23 acções em posse de Zaidu se perdem por más recepções e na baixa eficácia de passe (62%), sobretudo curto (59%). Ambas as percentagens foram as piores registadas por jogadores da sua posição no último campeonato.

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