Liga NOS | O Barómetro do arranque do campeonato 📊

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A pausa na Liga NOS já vai longa e ainda vamos ter que esperar uma semana até ao recomeço. No entanto, o próximo fim-de-semana já traz de volta à acção todas as equipas, com a Taça de Portugal a servir de “aperitivo” para uma oitava jornada que coloca em confronto directo os actuais seis primeiros classificados do campeonato. Um “domingo gordo” que inclui uma deslocação do Benfica a Tondela e as recepções de Porto e Sporting, a Famalicão e Vitória de Guimarães, respectivamente.

O que também está de regresso, um pouco mais cedo do que o campeonato, é o já habitual barómetro GoalPoint. Nesta rubrica, tentamos perceber através dos dados estatísticos como se comportam em campo as 18 equipas da Liga NOS. O que estará por trás do sucesso ou insucesso de cada uma delas e o que as diferencia entre si.

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No topo, um bem mais consistente que os outros

Surpreendentemente, o campeonato não é liderado neste momento por um dos crónicos candidatos ao título. O Famalicão é a equipa-sensação em Portugal e até já captou as atenções do resto do mundo, mas importa perceber se o resto dos números acompanham os 19 pontos correspondentes a seis vitórias e um empate. A resposta, muito resumidamente, é não. Com números de golos marcados e sofridos bem piores do que os registos correspondentes de expected goals (xG), pode dizer-se que os minhotos têm beneficiado sobretudo de uma grande eficácia ofensiva e alguma inoperância dos adversários, ambas difíceis de manter a médio-longo prazo. Ofensivamente são a equipa com a maior percentagem de ocasiões flagrantes convertidas (67%) e remates convertidos (16%), assim como de disparos enquadrados dentro da área (48%) e de remates enquadrados colocados (84%). Tudo indicadores de extrema eficácia. Já no que diz respeito à capacidade defensiva, são a terceira pior equipa em xG contra, apenas atrás de Marítimo e Aves. Nenhuma equipa permite mais ocasiões flagrantes (2,4) ou remates dentro da área (9,8) a cada jogo, e dificilmente essas dificuldades não virão ao de cima no futuro.

Entre os crónicos candidatos, o FC Porto, é de longe, o que tem os melhores registos. No que aos expected goals (xG) diz respeito, nenhuma equipa cria melhores oportunidades e permite tão poucas. Os “dragões” são ainda a equipa que consegue manter mais tempo a posse de bola (média de 11,4 segundos por posse) e aquela que menos vezes a perde em zonas de perigo.

Com os mesmos pontos aparece o Benfica, mas há dados preocupantes, sobretudo na dificuldade em acertar com a baliza adversária. O terceiro melhor registo de xG a favor destoa do nono no que toca a remates enquadrados por jogo (3,7), quase metade dos do FC Porto. As “águias” têm ainda a curiosidade de ser a equipa que maior eficácia de passe permite aos adversários (81,4%), o que também destoa bastante do grande rival Porto (74,8%), que aparece no extremo oposto desse ranking.

Quanto o Sporting, os números estão longe de ser de “candidato”. A posse de bola elevada (quarta equipa com mais passes e terceira com melhor eficácia) não é acompanhada por um alto volume de criação de ocasiões (apenas oitava em xG a favor), e defensivamente é preocupante o volume de xG que permite (1,4 / jogo), maior do que o que cria (1,3 / jogo). A transição defensiva é dos pontos mais fracos do jogo do Sporting, e isso fica bem exposto no facto de os “leões” serem o emblema que permite as transições mais rápidas (2,1 metros / segundo) em toda a Liga.

Com tendência a melhorar

Entre as equipas nas quais a classificação não corresponde à qualidade de jogo, destaca-se sobretudo o Braga de Ricardo Sá Pinto. O 11º lugar é “mentiroso” e não pode esconder alguns números dignos de registo. Os golos marcados (1,1 / jogo) não têm acompanhamento nos xG a favor (1,4 / jogo) e até no volume de remates enquadrados (5,4 / jogo, segundo melhor registo da prova), mas tal terá tendência a melhorar, pois quase todas as ocasiões (89%) são criadas em lances de bola corrida. Os “arsenalistas” são ainda a equipa que mais cruza no campeonato (20,9 / jogo), com eficácia (25%) acima da média e uma das que menos perde a bola em zonas de perigo.

Também o Rio Ave de Carlos Carvalhal (9º classificado) parece estar um pouco deslocado em relação à qualidade apresentada. Só o FC Porto cria mais xG por jogo do que os vila-condenses, que são também a segunda melhor equipa na percentagem de posses de bola transformadas em ocasiões de perigo (2,0%).

No fundo da tabela, mas com tendência para melhorar, está o Paços de Ferreira. Os pacenses são a equipa com maior desfasamento entre golos e xG, tanto marcados como sofridos, e mantendo estes registos a tendência será para subirem na tabela. A falta de pontaria (apenas 22% de remates enquadrados dentro da área) não durará sempre e há outros sinais encorajadores. São a equipa com melhor eficácia nos passes longos (60%), passes longos para o último terço (53%), assim como a segunda com melhores registos nos duelos aéreos defensivos. O elevado números de faltas cometidas em zonas perigosas (5,2 / jogo) – que já resultaram em três grandes penalidades – e os três cartões vermelhos podem explicar parte do insucesso pontual.

Outros casos interessantes

Um dos exemplos mais interessantes de uma equipa com estilo bem vincado é o Boavista de Lito Vidigal. As dificuldades de criação são imensas, como bem se notam nos escassos 0,6 xG a favor por jogo, mas não só. Os “axadrezados” criaram apenas três ocasiões flagrantes em sete jogos e um volume de remates dentro da área (3,8 / jogo) extremamente pobre. A distância média de cada remate de bola corrida é de 24,3 metros – o pior registo a nível europeu – e a capacidade de construção também está longe de ser boa, com a pior eficácia de passe vertical da prova (46%). No entanto, tudo isto é contrabalançado por uma capacidade defensiva bastante acima da média. Sendo a formação que menos ocasiões flagrantes cria, também é aquela que menos permite. A equipa está confortável em oferecer a posse de bola ao adversário (apenas 43% de posse), porque são precisas em média 209 posses do adversário até conseguir criar uma ocasião de perigo. Um número que contrasta, por exemplo, com as 56 do líder do Famalicão.

O Belenenses SAD, que fez quatro jogos com Silas e três com Pedro Ribeiro, é outra das que tem um estilo de jogo bem vincado, apesar da tendência mostrar que não vai ser tanto assim com o novo treinador. Até à saída do actual técnico do Sporting, nenhuma equipa mantinha cada posse de bola durante espaços de tempo tão longos (12,4 segundos), apesar de o jogo ser muito pouco vertical (apenas um metro de progressão por segundo) e objectivo (só 4,9% das posses resultavam em remates), ambos os piores registos do campeonato. Com Pedro Ribeiro, todos os registos começam a esbater-se, mas à sétima jornada a equipa ainda mantém a segunda maior média de tempo por posse (11,3 segundos) e um alarmante nível de perdas de posse no primeiro terço (13,9 / jogo).

Pelo contrário, o Marítimo é talvez a equipa que mais “despreza” a posse de bola. Acerta apenas 176 passes por jogo – um registo difícil de encontrar em toda a Europa – sendo que num dos jogos (vitória em Paços de Ferreira) terminou com somente 59 passes certos. É ainda a equipa que mantém menos tempo cada posse de bola (7,2 segundos) e a única que faz menos do que dois passes em cada uma delas.

O barómetro voltará daqui a algumas jornadas, para continuar a monitorizar a evolução de cada um dos conjuntos da nossa Liga.

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