Após uma época em que Salvio foi o segundo melhor marcador da equipa, o Benfica direccionou o seu grande investimento para dois homens que pudessem contribuir na frente de ataque: Nicolás Castillo e Facundo Ferreyra. Com o empréstimo de Raúl Jiménez ao Wolves e a saída iminente do desapontante Seferovic, serão estas duas caras novas a competir com Jonas pelo lugar da frente no “onze” benfiquista, caso se confirme durante a época a aposta principal no 4-3-3.

Os percursos goleadores

“Nico” Castillo, internacional chileno em 14 ocasiões, destacou-se ao serviço do Universidad Católica e das selecções jovens do seu país, antes de ter a sua primeira experiência europeia no Club Brugge. Seguiram-se dois empréstimos menos bem-sucedidos ao Mainz e Frosinone, antes de voltar a mostrar o melhor de si na “sua” Universidad Católica. As exibições na terra-natal foram suficientes para convencer o Pumas do México, onde acabaria por marcar 25 golos em época e meia – acabando o clube por encaixar €6,85M com a transferência do chileno para a Luz.

GoalPoint-Benfica-Castillo-PumasJá Facundo Ferreyra cresceu nas camadas jovens do Banfield, antes de se mudar para o Vélez Sarsfield, onde se tornaria no melhor marcador do Campeonato Argentino em 2012. Os seus registos levaram o Shakhtar a gastar €7M no atacante, no ano seguinte. A passagem pela Ucrânia não começou da melhor maneira, visto que na primeira época lidou com lesões e acabou por ter poucos minutos em campo, seguindo-se um empréstimo ao Newcastle, onde acabou por jogar apenas pela equipa de reservas.

Os minutos voltaram a ser limitados na temporada seguinte, mas a chegada de Paulo Fonseca ao comando dos “mineiros” revolucionou a carreira do avançado: tornou-se titular da equipa durante as duas épocas sob a liderança do português e foi o melhor marcador do campeonato na época passada, com 17 golos em 22 jogos. Chega agora ao Benfica a custo-zero.

GoalPoint-Benfica-Ferreyra-ShaktarComo joga Ferreyra

O 4-3-3 com o qual o Benfica tanto melhorou na última temporada parece manter-se para 2018/19, logo, Rui Vitória irá à partida ter que optar por um dos jogadores, que oferecem valências diferentes ao jogo da equipa.

Ferreyra é um homem de área mais clássico, verdadeiro “número 9”. O argentino tem menos acções com bola (27 por jogo, contra 33 de Castillo e 55 de Jonas) e remata menos vezes que as outras opções, mas é raríssimo fazê-lo de fora de área (0,1 por 90 minutos). Quando tenta a sua sorte, fá-lo mais próximo da baliza adversária, o que o leva a acumular mais ocasiões flagrantes (cerca de uma por jogo), tendo excelente eficácia na conversão das mesmas (55%) e dos remates que faz no seu todo (24%).

Devido à falta de estatísticas da Liga ucraniana, usámos para esta comparação os seus números das últimas duas épocas de provas europeias, um nível de competição bem mais elevado, que nos permite até valorizar mais os seus números.

Apesar de ser um homem de área, Ferreyra não se destaca particularmente no jogo aéreo. Até enquadra uma boa porção dos remates que faz com esta parte do corpo (67%, quase o dobro de Castillo), mas o seu rácio de remates de cabeça é 24%, exactamente igual ao do chileno. Se usarmos Bas Dost como a referência de homens de área na Liga NOS, o ex-ex-“leão” faz 45% dos seus remates com esta parte do corpo.

As tentativas de drible do argentino são mínimas (0,3 / 90m). Não estamos a falar de um avançado que queira resolver tudo sozinho e Ferreyra mostra alguns números interessantes relativos à forma como liga o jogo, talvez também por consequência do sistema e trabalho de Paulo Fonseca. Tem mais sucesso no passe no meio-campo contrário do que todas as outras opções e destaca-se ainda mais dentro do último terço adversário, com 72% de passes eficazes, um número que supera até o de Jonas (68%). Outra prova de que não é nada egoísta é o facto de 34% das situações de finalização em que está envolvido serem assistências para remate dos seus companheiros, um número bem diferente dos 22% de Nico Castillo.

Como joga Castillo

Os pontos fortes do chileno são bastante diferentes. Remata com muita frequência (4,4 por jogo, 0,9 dos mesmos de livre directo) e tem tendência para disparar de longe, mesmo de bola corrida. 31% de suas tentativas de disparo são de meia distância, número parecido com o de Jonas (29%) e muito distante do de Ferreyra (4%). Mas mais do que quantidade, Castillo tem também qualidade no remate. Com tantos remates difíceis, impressiona que apenas 9% saiam muito desenquadrados – Seferovic, por exemplo, tem 13% -, e dos remates que coloca entre os postes, 68% são direccionados aos cantos da baliza, número no qual supera todos os jogadores em comparação.

A contratação mais cara do defeso “encarnado” deixa, no entanto, a desejar no capítulo do passe, tanto em quantidade como em qualidade. Opta menos vezes pelo passe curto (apenas seis por jogo) e falha uma maior percentagem (35%) dos mesmos quando os tenta.

Mas há um aspecto em Castillo que o distingue ainda mais de qualquer um dos outros: o “sangue quente”. O chileno faz quase três faltas a cada jogo, mas pior que isso é o número de vezes que é admoestado: 0,5 por partida, ou seja, um cartão a cada dois jogos, sendo que 65% dessas admoestações resultam de comportamentos anti-desportivos.

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Com a possível saída de Jonas até ao final da janela de transferências, Rui Vitória não vai ter a tarefa fácil para escolher o seu homem da frente. Castillo oferece uma opção mais física e individualista, com maior produção de remates. Já Ferreyra ajudará melhor a ligar o jogo com o resto da equipa, mas terá mais problemas a desequilibrar por si mesmo, algo que o Benfica tem tido com Jonas ao longo das últimas temporadas. A escolha não será fácil, mas seja ela qual for uma coisa é certa: teremos uma dinâmica ofensiva diferente no ataque das “águias” esta temporada.