O “clássico” do Dragão em 6️⃣ pontos centrais 🔎

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O “clássico” entre FC Porto e Benfica, na noite de sábado, pendeu para o lado dos “dragões”, que venceram por 3-2 e relançaram as suas esperanças de conquista do título. A Liga NOS está de novo ao rubro devido a um jogo que deixou vários indicadores, uns mais óbvios, outros nem tanto assim, e que fomos deixando no twitter à medida que o jogo ia decorrendo. A começar pelo facto de o Benfica ter perdido os seus únicos jogos e pontos esta temporada com o mesmo adversário. Aliás, com os portistas, as “águias” sofreram quase tantos golos (5) como contra todos os outros adversários (6).

1. Odysseas já não pode ver “dragões”

2. Drible a drible, até à vitória final

O desfecho do “clássico” acabou por ser o resultado de diversos sintomas que se foram verificando ao longo da partida, com destaque para a superior capacidade “azul-e-branca” para a criação de desequilíbrios com recurso ao drible. Antes desta partida já o tínhamos referido: o Porto era a equipa da Liga que mais tentava e concluía dribles, e o Benfica era a formação que mais veleidades permitia, nesse capítulo. Esse pormenor acabou por ter peso.

O Benfica, como já referimos, tinha uma média de 11 dribles permitidos aos seus oponentes em média por jogo na Liga esta temporada, um número já de si alto e que chegou quase ao dobro no “dragão”. É isso mesmo. Ao todo foram 20 os dribles eficazes dos portistas perante jogadores do Benfica e esse facto é mais do que suficiente para fazer Bruno Lage pensar nas causas e soluções para tal fragilidade.

E houve um jogador que foi um dos principais responsáveis por esta estatística positiva para os da casa e negativa para os visitantes. O mexicano Jesús Corona foi o jogador que mais dribles concluiu na partida, nada menos que oito, sete deles no último terço do terreno (num total de nove tentativas). Desta feira, Tecatito começou a lateral-direito e tirou pleno partido (ele Otávio e Marega) do facto de Álex Grimaldo estar sozinho no seu flanco a lidar com as suas investidas, sem a ajuda da “muleta” Franco Cervi. Mas Corona não foi o único a dar “água pela barba” aos benfiquistas.

Do lado oposto, Luis Díaz foi um autêntico “quebra-cabeças”. O colombiano foi fonte de velocidade e “fintas” desconcertantes, contribuindo com seis dribles certos (em nove tentativas, cinco no último terço) para os tais 20 finais do Porto nesta partida.

3. Defender bem tem muito que se lhe diga

No final da partida, o treinador do Benfica, Bruno Lage, elogiou o trabalho ofensivo da sua equipa, lamentando-se, porém, das falhas defensivas e da forma como a sua equipa sofreu os três golos. E de facto, foi nos momentos defensivos (em alguns casos na ausência deles) e nos duelos que esteve o “calcanhar de Aquiles” da formação lisboeta.

Por exemplo, Julian Weigl, o “trinco” benfiquista neste jogo, esteve razoavelmente bem no passe (como é costume embora num gesto onde não arrisca muito), mas para além de só ter ganho um de seis duelos defensivos quando passava o minuto 48 (terminou com apenas 5 duelos individuais ganhos nos 13 disputados), terminou como um dos jogadores mais… driblados, nada menos que cinco, três deles em zona perigosa, no primeiro terço benfiquista. O alemão chegou a um contexto colectivo de dificuldades defensivas (mesmo que os golos sofridos não o dissessem) e parece que se deixou contagiar por este problema (o que pode apontar para uma questão de organização colectiva e não individual). Mas atenção que não foi o único.

4. Cervi para que te quero…

Já se previa que o Porto criasse mais desequilíbrios pelo seu flanco direito, vitaminado por Corona, Otávio e Marega e assim sucedeu. Álex Grimaldo foi driblado as mesmas cinco vezes, quatro delas no primeiro terço, enquanto Rafa foi-o duas vezes nesta zona do terreno, num total de três.

Aliás, Rafa e Pizzi, os dois alas “encarnados”, que terão como tarefa auxiliar no seu corredor, mas também fechar ao meio, chegaram aos 67 minutos sem qualquer acção defensiva, o que complicou a vida dos laterais, e no fim registaram apenas duas cada (um desarme e uma intercepção cada).

Perante este cenário não admira que muitos adeptos e analistas tenham questionado a ausência de Cervi do elenco de participantes no “clássico”. Os números do extremo fundamentam a estranheza: o argentino, apesar de extremo, destaca-se pela quantidade de acções defensivas que completa a cada 90 minutos, uma qualidade que certamente não seria de desprezar num duelo com estas características.

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5. Da sub-produção ao MVP

Nesta partida foram vários os jogadores que brilharam e muitos os que estiveram alguns furos abaixo. Do lado do Benfica, um dos jogadores que entrou e pouco ou nada contribuiu para os objectivos da sua equipa foi Haris Seferovic. Para ter o leitor uma ideia, o suíço esteve 28 minutos em campo, dispôs de uma boa ocasião para marcar, mas acabou a partida perdendo seis das sete posses de bola que teve.

Mais atrás, um dos jogadores que se mostrou menos inspirado foi Ferro, que esteve no lance da grande penalidade e registou um erro resultante em golo. Aliás, o central benfiquista, que se destacou pela positiva na época passada, está a atravessar uma fase menos positiva e surge destacado num indicador muito pouco apetecível (vide próximo tweet).

No plano oposto surge o “dragão” Sérgio Oliveira. De unidade aparentemente “encostada” no plantel portista, o médio saltou para o protagonismo em partidas recentes, fechando o clássico como MVP GoalPoint. O português abriu caminho à vitória e terminou a partida como o jogador mais rematador e o que mais adversários desarmou.

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6. Figuras em destaque

Sérgio Oliveira não foi o único a brilhar no “clássico”. Entre “águias” e “dragões” foram várias as figuras que, não conquistando o MVP, apresentaram desempenhos dignos da importância do momento.  Vamos a eles.

Alex Telles foi um desses nomes de relevo. Para além do golo que fez, de grande penalidade, o lateral brasileiro ganhou três de quatro duelos aéreos ofensivos, recuperou sete vezes a posse de bola e somou nove acções defensivas, entre elas quatro intercepções e dois bloqueios de cruzamento. Mas não podemos deixar de fora Corona. Para além da já referida questão dos dribles, o mexicano ganhou todos os quatro duelos aéreos defensivos em que participou, e não se pode dizer que seja um jogador alto…

Ainda do lado portista, uma referência especial a Iván Marcano, central espanhol que ganhou três de quatro duelos aéreos defensivos, fez seis alívios e quatro intercepções e ainda criou uma ocasião flagrante de golo.

Carlos Vinícius foi, de longe, o melhor benfiquista, ele que foi o autor dos dois golos “encarnados” na partida, enquadrando dois de três remates. E ainda fez dois passes para finalização. Entre os melhores da “águia”, ainda que longe de brilhar, estiveram Chiquinho e Rafa Silva. O primeiro falhou somente dois de 28 passes e enquadrou um de dois disparos, estando no lance do 1-1, com o cabeceamento defendido por Marchesín, antes da recarga de Vinícius. Por último Rafa Silva. Na retina ficou a assistência para o segundo tento benfiquista, mas nas contas finais fica pouco para contar, incluindo no apoio quase inexistente a Grimaldo.

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