O português José Mourinho foi despedido esta terça-feira do cargo de treinador do Manchester United. A notícia surgiu como uma “bomba”, após a derrota concludente no fim-de-semana ante o Liverpool, líder da Premier League, por 3-1 – mais pelos números de desempenho do que pelo resultado em si. Contudo, é difícil afirmar com convicção que este é um desfecho surpreendente, dada a época conturbada do técnico luso ao serviço dos “red devils”.

Mourinho deixa o United no sexto lugar da Liga inglesa, a praticamente inalcançáveis 19 pontos do primeiro lugar – o que levou o português a desistir da luta pelo título e a focar-se no quarto posto, ocupado pelo Chelsea, a 11 pontos -, fora da Taça da Liga e apurado para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, onde iria defrontar o Paris Saint-Germain. Apesar de ter conquistado três troféus no seu “reinado” em Old Trafford (todos respeitantes à época 2016/17), a incapacidade da equipa em lutar pelo título inglês e, em especial, os números que a mesma apresentou em 2018/19 acabaram por precipitar a saída, já para não falar dos muitos casos reportados pela comunicação social sobre eventuais conflitos com algumas das principais estrelas do plantel, com foco em Paul Pogba, a mais cara contratação do sadino para o clube.

Sintomas que já haviam sido diagnosticados antes em Inglaterra, aquando da última passagem pelo Chelsea e que também abordámos nestas páginas, e que acabam confirmados agora.

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No final, sejam quais foram os motivos últimos para a tomada de decisão, é importante olhar para a frieza dos números nestas três temporadas no “Teatro dos Sonhos” – mais concretamente duas épocas e meia. E o cenário não é animador.

A ideia de que a segunda época completa de Mourinho nas equipas é sempre a melhor de todas parece vingar mais uma vez – começando agora a ganhar consistência a de que a terceira geralmente dá mau resultado, como aconteceu nas duas passagens pelo Chelsea, no Real Madrid e agora em Old Trafford. Em 2017/18, o seu United não só terminou em segundo lugar na Premiership, como apresentou os melhores números de pontos por jogo, percentagem de vitórias, bem como mais golos marcados e menos sofridos por partida.

Os 1,46 golos sofridos esta temporada, correspondentes a um total de 35 em todas as competições oficiais, são apenas menos um do que os consentidos em toda a época 2017/18 (36) e menos 11 do que os de 2016/17 (46), tudo em menos de metade dos compromissos. Uma espécie de debacle defensiva que explica muito da irregularidade da equipa e que já havíamos apontado no comparativo que realizámos a meio de Outubro entre os três treinadores portugueses no campeonato inglês.

O mais curioso é mesmo perceber que, no caso do Manchester United, os maiores problemas deram-se na época em que o plantel dos “red devils” apresenta um valor de mercado bem acima dos anteriores. Um facto que merece outro tipo de análise, fora do âmbito puro da estatística.

O tempo dirá o que se segue, no ainda assim “fabuloso destino” do “Special One”, bem como quem se seguirá ao comando do Manchester United, tema para o qual convidámos os nossos seguidores a deixar o seu palpite.

José Mourinho já não é treinador do Manchester United 🚫Quem irá suceder-lhe no comando dos 👹?(outro nome nos comentários, obrigado!)

Publiée par GoalPoint.pt sur Mardi 18 décembre 2018