No dia 18 de Setembro de 2015 anunciámos uma “pequena revolução” no futebol português. Pela primeira vez no país, os jogadores do nosso principal campeonato iriam começar a ser avaliados publicamente, não pelas tradicionais notas nos jornais, mas sim por um algoritmo que recorria à melhor fonte de dados estatísticos a nível mundial, a Opta, para classificar os seus desempenhos de acordo com dados objectivos.

Na altura eram 51 as variáveis tidas em conta pelo GoalPoint Rating, mas já nesse distante anúncio prometíamos que a fórmula nunca seria uma “obra acabada”. Nós evoluímos, a quantidade de dados aumenta e o próprio futebol vai mudando. A “arma” que na altura serviu para iniciar a “revolução” foi sendo sempre posta em causa, não só pelos nossos seguidores, mas, acima de tudo por nós próprios e, quase três anos depois, o algoritmo cresceu, em tamanho e qualidade.

Era essa a nossa obrigação, pela referência que se foi tornando na comunidade futebolística. Vários foram os relatos que fomos recebendo sobre importância que é dado ao nosso rating, ao nível das equipas técnicas de vários clubes, passando pelo feedback que vamos tendo dos próprios jogadores, orgulhosos pelas distinções, carinhosamente indignados por alguns ratings menos positivos – mas, sobretudo, curiosos e agradecidos por uma abordagem que os promove de acordo com dados factuais. E terminando nos muitos seguidores que “enchem” o site após o terminus de cada jogo, no sentido de encontrar o mais fiel e atempado retrato possível de cada jogo que cobrimos.

O GoalPoint Rating passará, a partir do Mundial 2018, a ser o resultado de uma longa fórmula que pondera um total de 209 variáveis de desempenho, cerca de 40 a mais desde a última revisão, feita no Verão passado.

O que mudou

Antes de ir ao detalhe, é importante dizer que irá haver uma maior dispersão. Se considerarmos a Liga NOS 17/18, 52% das notas atribuídas a jogadores com 60 ou mais minutos de utilização num jogo estavam concentradas entre o 5.0 e o 5.9. Na nova versão, esse intervalo abrangerá apenas 41% das notas. Resultado disso: serão mais frequentes alguns ratings mais extremos.

GoalPoint-Porto-Portimonense-LIGA-NOS-201718-MVP
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O 10.0 de Jonas, que quase se tornou um mito na nossa comunidade por ter sido caso único na Primeira Liga da época passada, seria, na nova versão do GoalPoint Rating, acompanhado de outra nota máxima. Falamos da incrível exibição de Yacine Brahimi na vitória por 5-2 sobre o Portimonense. Um jogo em que marcou dois golos, mas acertou ainda mais duas vezes na baliza e só falhou um dos nove dribles que tentou, para além de vários registos positivos a nível defensivo. Os 10.0 vão continuar a ser raros, mas ligeiramente mais prováveis (e até vão continuar a dar prémios a quem neles acertar).

O mesmo se aplica às notas acima de 9.0, por exemplo. Se em 2017/18 foram seis as exibições a merecer nota acima de nove, com o novo algoritmo esse número passaria para 20.

O mesmo aconteceria no outro extremo. As notas abaixo de 4.0, por exemplo, passam das 1,3% atribuídas em 17/18, para 5,1% na nova fórmula, algo que entendemos ser uma distribuição bem mais racional, seguindo a lógica de uma escala de 1 a 10 que o é na realidade, ao contrário de outros exemplos no mercado onde é muito raro encontrar um rating negativo.

As principais novidades

Uma das grandes críticas apontadas era o facto de os guarda-redes que têm mais trabalho serem largamente beneficiados em relação aos que participam menos jogo, e foram feitos ajustes no sentido de menorizar essa limitação. Será sempre difícil valorizar algo que não acontece, ou seja, se um guarda-redes não tiver intervenções positivas nem negativas o seu rating não poderá fugir muito da nota com que começa o jogo, o 5.0. No entanto, o volume de trabalho terá cada vez mais uma lógica qualitativa.

O grau de dificuldade de cada defesa já era aferido tendo em conta a localização de cada remate e também do sítio da baliza para onde é feito – defesas a remates ao ângulo contam mais do que defesas ao meio da baliza – , mas agora passa também a ser considerado o facto de a defesa ser completa ou incompleta e de a bola ser projectada para uma zona segura ou não. Para além disso, os golos sofridos terão uma maior penalização, e os passes longos dos guarda-redes não terão um bónus tão grande, sobretudo se a bola não entrar no último terço do terreno.

Essa tentativa de atribuir um mais preciso grau de dificuldade aos passes é outra das grandes novidades do novo GoalPoint Rating. A partir de agora será tida em conta não só a zona onde o passe termina, a sua distância e direcção, mas também o facto de o mesmo ser feito com os pés ou com a cabeça, assim como as zonas que o mesmo atravessa.

Por exemplo, um passe como este de Bruno Fernandes, que é feito ainda dentro do meio-campo defensivo e é recebido já dentro do último terço, gerando ainda por cima uma situação de golo, terá a partir de agora uma pontuação bastante maior do que na versão anterior. Passes longos horizontais que atravessem a zona central do terreno, pela importância táctica e grau de dificuldade que apresentam, serão a partir de agora também alvo de um bónus extra.

Ao nível da finalização a grande novidade está nas ocasiões flagrantes. No caso das falhadas, as penalizações serão menores e com graus de penalização que variam bastante consoantes vários factores: quão longe o remate sai da baliza, a zona de onde é feito, a parte do corpo com que o remate é executado e o facto de o jogador estar ou não “cara-a-cara” com o guarda-redes. Por outro lado, finalizações falhadas passarão a ter uma penalização maior mesmo que não sejam flagrantes e se o remate for executado já dentro da pequena área ou considerado pela Opta como “frouxo”.

Outra novidade está nos chamados “maus controlos de bola”. Na versão anterior a penalização era igual independentemente da zona do terreno onde aconteciam, mas a partir de agora os mesmos terão um “castigo” maior se aconteceram perto da baliza do jogador que falha a recepção. Também os duelos aéreos passarão a contar mais ou menos dependendo da zona onde acontecem. Um duelo aéreo defensivo perdido já dentro da grande área terá uma penalização maior do que se acontecer a meio-campo.

Os grandes beneficiados/prejudicados

Jonas teria continuado a ser o melhor jogador da Liga NOS em 17/18 e até com melhor média. O brasileiro teria terminado o campeonato com um rating médio de 7.22, ao invés do 6.97 que lhe atribuímos, uma diferença positiva de 0.25 pontos. Melhor subida que a do brasileiro só a de dois “dragões”: Felipe e Héctor Herrera. Ambos teriam terminado a época com mais 0.28 pontos do que os que foram publicados no final da época. No Sporting, a maior subida teria sido de Bas Dost (0.17 pontos), a mesma margem de André Horta, a maior subida fora dos “três grandes”.

Do lado oposto, Mário Felgueiras teria tido a maior descida. Os 5.88 com que terminou a época na anterior versão do rating seriam agora 5.47, o que não espanta tendo em conta o que acima escrevemos acima sobre os guarda-redes. Dentro dos “grandes”, o mais prejudicado teria sido Lumor, que teria terminado com uma média de 5.05 ao invés do já baixo 5.30 original.

Esperamos que goste do novo rating, tal como nós gostámos de o desenvolver, e continuamos a contar sempre com as suas sugestões com o objectivo de o tornar ainda melhor.

Não se esqueça ainda de participar no passatempo: Acerta o primeiro 10.0 do Mundial 2018